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Os dois lados do bilionário negócio da cannabis

O setor conta com companhias gigantes como Canopy, Aurora e Cronos, todas listadas em bolsa de valores. Mas o mercado informal resiste por conta de regras restritivas e dos impostos

 

Fundadora do Beverly Hills Cannabis Club, Cheryl Shuman

Califórnia – A cannabis é uma das apostas mais quentes entre os millennials americanos. Em aplicativos como o Robinhood, de compra e venda de ações na bolsa de valores, das cinco empresas mais requisitadas pelos jovens nascidos nos Estados Unidos entre 1981 e 1996, duas trabalham com maconha: a Aurora Cannabis e a Cronos Group, avaliadas em US$ 7,6 bilhões e US$ 5,5 bilhões, respectivamente.

Apesar do entusiasmo juvenil, a negociação de títulos de empresas ligadas à cannabis não se restringe a uma faixa etária e tampouco se limita a pessoas físicas. Grandes fundos, como JP Morgan e Golden Opportunity, também investem no setor, que movimentou cerca de US$ 20 bilhões na economia americana em 2017 e deve chegar a US$ 77 bilhões em 2022 – montante equivalente ao PIB dos Estados de Idaho e West Virginia, juntos.

Todas essas promessas são respaldadas pelo histórico das empresas “queridinhas” dos investidores. A canadense Canopy Growth, por exemplo, tinha suas ações negociadas na Bolsa de Nova York (Nyse) a US$ 32,77 em junho de 2018, mas viu seu passe valorizado e suas ações valerem US$ 43,71 em junho deste ano, uma valorização de 33,4%.

A produção destas gigantes do negócio da cannabis serve a diversos propósitos, de áreas medicinais, estéticas e até recreativas. Algumas das marcas mais conhecidas, aliás, provém destes grupos. A Canopy Growth, maior produtora de cannabis do mundo, é dona da Van der Pop, focada para mulheres; da Tweed, famosa por proporcionar mais sociabilidade; e da versátil Tokyo Smoke. A Aurora, por sua vez, detém a Thor, Peyto, Tower, Mattego, entre outras.

Tokyo Smoke, marca da Canopy Growth

São fatos como esses que amparam levantamentos como o da Frontier Data, que sustentam que o mercado da maconha emprega 250 mil pessoas nos Estados Unidos, cinco vezes mais que a indústria do carvão. Em 2022, o número de postos de trabalho nesse green business pode chegar a 330 mil, sobretudo se os americanos migrarem para o consumo de produtos legais.

Isso porque em Estados como a Califórnia, onde o uso recreativo da maconha é legalizado, produtores e consumidores continuam às margens das regras para driblar impostos e pagar menos pela erva.

Só para dimensionar o que isso significa, em 2018, a Califórnia contabilizou a venda de US$ 2,5 bilhões em cannabis, quase US$ 500 milhões a menos do que o montante arrecadado em 2017, quando a maconha era vendida apenas para fins medicinais. Isso não significa, contudo, que houve recuo no comércio da erva, mas que, diferentemente das previsões, os consumidores não migraram para o mercado legal.

Fundadora do Beverly Hills Cannabis Club, Cheryl Shuman, também conhecida como a Martha Stewart da maconha, em uma referência a famosa apresentadora de tevê, aponta que esses problemas são típicos de um período de transição. “Houve alguns conflitos na nova emenda colocada em vigor e questões relativas a tributação, em certo municípios, ficaram vagas. Tudo isso fez com que o condado de Los Angeles, por exemplo, contornasse o problema emitindo licenças temporárias para produtores e comerciantes de cannabis.”

Segundo ela, outros problemas também se fazem presente na disputa do mercado legal e ilegal. “Muitos daqueles que cultivavam e vendiam maconha fora dos parâmetros legais, estavam dispostos a enquadrar seus negócios nas novas regras, mas por que já responderam a processos de tráfico, posse de droga ou de arma, são impedidos. Isso faz com que eles continuem na ilegalidade, e comercializem a maconha por um preço até 75% mais barato do que os produtores legais, já que não têm de pagar por testes, tributos e afins”, diz Shuman, quem também é conhecida como a rainha da maconha de Beverly Hills, o bairro das estrelas de cinema de Hollywood, em Los Angeles.

Divergências entre leis estaduais e federais são outros pontos levantados por Shuman, que vê certa normalidade nas dores de adaptação. Para ela, da mesma forma como aconteceu com a indústria do álcool depois do fim da Lei Seca americana, na década de 1920, também haverá grandes aquisições e fusões entre empresas de cannabis.

“Hoje temos uma gigante como Budweiser no mercado cervejeiro, o que não tira o espaço dos cervejeiros artesanais. Vai acontecer exatamente a mesma coisa no setor da cannabis: veremos o nascimento de grandes marcas com preços competitivos e constância de produção e comerciantes menores e mais artesanais, que trabalham em nichos”, afirma Shuman, lembrando ainda que, em sua opinião, o mercado americano é atualmente um terreno fértil para investidores.

Estufa da Aurora Cannabis, uma das maiores empresas do setor

“Por diferentes razões, há muitos produtores que estão dispostos a vender seus negócios aqui na Califórnia. Digamos que uma pequena empresa que começou com US$ 50 mil, pode ser hoje adquirida por US$ 15 milhões. E isso é uma barganha, sobretudo se você olhar para o que está acontecendo no mundo. No Canadá, por exemplo, a taxa de crescimento do mercado da cannabis chega quase a 600% – ainda temos muito o que explorar aqui nos Estados Unidos”, afirma.

Quem não é tão otimista assim é Jesse, que pediu para não ter o sobrenome revelado. Com 43 anos, ele é um pequeno produtor com uma sólida carteira de clientes. Ele sequer cogita legalizar seu negócio. “Para estar de acordo com as leis, eu teria que desembolsar realmente muito dinheiro, porque nos cobram 80% de imposto. Sem contar a burocracia com os testes e afins. Teria de repassar todos esses custos para o valor final do produto, o que inviabilizaria o meu comércio. Levei mais de uma década construindo minha clientela e colocaria tudo a perder”, diz Jesse.

Sustentando a mulher e uma filha de sete anos com o negócio, Jesse faz entregas em casa e a maior parte de seus consumidores estão na chamada West Side, a parte mais nobre de Los Angeles. SM*, seu cliente há cinco anos na região de Santa Monica, diz que o preço é a principal razão para continuar fazendo negócios com Jesse. “Eu compro em grandes quantidades e consigo um valor ainda mais razoável com o Jesse. Simplesmente não faria sentido, pra mim, procurar uma loja legalizada, porque eu sei que a qualidade da cannabis que eu compro aqui é boa, e não preciso pagar quatro vezes o valor por um certificado que me diga o que eu já sei”, afirma.

A maconha tem o potencial para movimentar até US$ 166 bilhões mundialmente, de acordo com a previsão do Bank of America

Para os especialistas, a vida de Jesse deve ficar mais difícil à medida que os grandes fornecedores se tornarem mais ativos no mercado, porque a competição ferrenha vai derrubar os preços, tornando vantajoso, do ponto de vista financeiro, comprar de produtores e revendedores legalizados.

Um esboço disso já foi diagnosticado pela Cannabis Benchmarks, que monitora o preço da maconha. Em dezembro, o valor médio da cannabis legal na Califórnia era de US$ 1.183 a onça (cerca de 28 gramas), enquanto o Illinois vendia a mesma quantidade por US$ 3.044, Connecticut por US$ 3.072 e Washington DC por US$ 2.846.

À medida que o mercado e a Califórnia se acomodam e se moldam às novas regras e instabilidades, os investidores mantêm suas apostas altas. Por razões medicinais e recreativas, a maconha tem o potencial para movimentar por ano até US$ 166 bilhões mundialmente, de acordo com a previsão de Christopher Carey, analista do Bank of America.

As cifras podem sofrer drásticas mudanças à medida que outros países passem a legalizar o comércio da maconha. Shuman antevê uma enorme vantagem sul-americana. “Por questões climáticas, é possível plantar a cannabis ao ar livre nos países da América do Sul, sem grandes tecnologias. No Canadá, onde o cenário é oposto, gasta-se US$ 9 dólares para produzir um grama de cannabis, e na América do Sul esse valor pode variar entre US$ 0,2 e 0,6″, afirma Cheryl. “No final das contas, precisamos apenas lembrar que a maconha tem propriedades medicinais comprovadas, e eu acho que ela pode salvar, não apenas vidas, mas a nossa economia também.”

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