Os gigantes se rendem às criptomoedas: Nubank e XP embarcam na disputa

Um dia depois de o Nubank anunciar transações com moedas digitais, a XP lança a XTAGE, plataforma de negociação de criptomoedas, em um espaço que já atraiu nomes como BTG Pactual e Avenue

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A XP ganhou fama e milhões de clientes com o discurso de trazer a disrupção a um setor dominado por players tradicionais e práticas ultrapassadas. Agora, a empresa fundada por Guilherme Benchimol está fincando os pés em um mercado ainda em maturação e à procura de seus protagonistas.

A empresa acaba de anunciar a criação da XTAGE, plataforma de negociação de criptomoedas, desenvolvida em uma parceria que tem como base a tecnologia da Nasdaq, bolsa de valores americana na qual a XP tem suas ações listadas desde o fim de 2019.

Para Bruno Constantino, CFO da XP, a parceria com a Nasdaq e a união de duas marcas fortes, traz credibilidade à plataforma, algo que, em um momento em que esse mercado ainda carece de maturidade, é essencial.

“Um segundo ponto é a escalabilidade”, afirmou o executivo, em conferência com jornalistas nesta manhã de quinta-feira. “Quando falamos de criptomoedas, claro, estamos focados no Brasil. Mas quando pensamos no longo prazo, a capacidade da plataforma escalar é fundamental.”

Em comunicado sobre o lançamento, Roland Chai, vice-presidente executivo e chefe de tecnologia de infraestrutura de mercado da Nasdaq, também falou sobre a parceria: “A parceria tecnológica entre a Nasdaq Market Technology e a XP é um pilar fundamental em sua expansão para ativos digitais e abrirá novas oportunidades para investidores”.

A XP ressaltou que a expectativa é de que a plataforma esteja em operação até o fim desse segundo trimestre. No lançamento, a XTAGE irá oferecer a opção de investir em Bitcoin e Ether, e a opção estará disponível para os 3,5 milhões de clientes da corretora, como uma função no aplicativo já utilizado por essa base.

“Já estamos em fase de estudos de mercado e pretendemos fazer rapidamente a expansão para outros ativos”, disse Lucas Rabechini, diretor de produtos financeiros da XP. “A gama de opções é muito alta, mas fazer um trabalho forte de curadoria para oferecer ativos muito seguros aos clientes.”

A partir de pesquisas para medir o potencial de adesão dessa oferta junto à base da XP, a empresa capturou, entre outros dados, que, mais de 80% dos clientes que já investem em ativos digitais estariam dispostos a investir com a companhia.

Nesse contexto, Rabechini ressaltou que, em 2022, a prioridade será garantir que a plataforma irá oferecer uma experiência sem fricções para esses clientes. “Vamos focar na demanda que já temos em casa”, disse. “E, provavelmente em 2023, vamos expandir essa oferta além dessa base.”

Assim como a XP, outra gigante brasileira que ganhou fama – e o mundo – com o discurso de democratização do acesso ao mercado financeiro estreou no espaço das criptomoedas nesta semana. Na quarta-feira, 11 de maio, o Nubank engrossou a lista de empresas dispostas a ganhar terreno no segmento.

A companhia fundada por David Vélez anunciou sua entrada nesse mercado com a oferta, inicialmente, de compra e venda dos ativos Bitcoin e Ethereum em seu aplicativo, a partir de R$ 1. O Nubank também anunciou a compra de Bitcoins em uma quantidade equivalente a 1% do seu caixa.

Há dois meses, outra empresa que ingressou na área foi a Avenue, companhia americana criada pelo brasileiro Roberto Lee, que fundou a corretora Clear, comprada pela XP. A Avenue lançou sua plataforma para negociações de criptomoedas em março. Na largada, os clientes passaram a ter acesso a mais de 30 moedas digitais.

Antes, no quarto trimestre de 2021, o BTG Pactual lançou sua plataforma de investimentos em criptomoedas. Batizada de Mynt, a ferramenta fez sua estreia oferecendo aos clientes acesso aos ativos Bitcoin e ether.

A XP está avaliada em US$ 10,1 bilhões. Em 2022, suas ações acumulam uma desvalorização de mais de 37%.

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