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Por que a Dafiti quer que o consumidor devolva cada vez mais os produtos comprados no site

Varejista online de moda vai estender serviço de coleta em casa, que funciona em 542 cidades no Estado de São Paulo, a partir de 2021. A ideia é que consumidor não tenha medo de comprar porque vai ser mais fácil trocar o produto. No terceiro trimestre, vendas atingiram R$ 1 bilhão

 

A base de clientes ativos da Dafiti atingiu 7,3 milhões

Um dos principais entraves para a evolução do comércio eletrônico no Brasil, a logística está melhorando ano após ano. E as entregas em menos de 24 horas são cada vez mais comuns na maioria dos principais sites de e-commerce no País.

A logística reversa, no entanto, ainda é um problema. Devolver um produto não é uma missão fácil. E, na maioria das vezes, exige a ida ao Correios para levar o “pacote” com o item que precisa ser trocado.

Quando a pandemia do novo coronavírus fechou o comércio, em meados de março, o grupo de moda online Dafiti, que reúne ainda as marcas Kanui e Tricae, rapidamente lançou o serviço Coleta em Casa, para que os consumidores pudessem devolver os produtos comprados online sem sair de suas residências.

A partir de 2021, a Dafiti planeja ampliar esse serviço, que começou na cidade de São Paulo, para outras localidades do Brasil. E acredite: o objetivo é que o consumidor devolva cada vez mais produtos.

“O problema do e-commerce de moda no Brasil é que a taxa de devolução dos produtos é baixa”, disse Philipp Povel, CEO e cofundador da Dafiti, ao NeoFeed. “Dependendo da loja, a taxa é entre 5% e 10%. Em países desenvolvidos, fica entre 50% e 60%. É de dar inveja.”

Não existe nenhuma loucura na declaração de Povel. Ao contrário. Um dos motivos para frear o avanço do comércio eletrônico de moda no Brasil é o fato de que o consumidor tem medo de comprar um produto que não serve e que depois pode ter dificuldade para trocar.

Philipp Povel, CEO e cofundador da Dafiti,

“Os clientes em países desenvolvidos não têm medo de comprar. O produto chega rápido e a devolução é de forma simples”, afirma Povel. “A taxa de devolução ser baixa não é uma boa notícia. Quero aumentar a taxa de devolução no site.”

Desde que lançou o serviço Coleta em Casa, em abril, até outubro, a Dafiti já fez 130 mil coletas. O serviço está disponível em 542 cidades do Estado de São Paulo. Sem dar detalhes, o empreendedor afirma que vai estendê-lo a partir de 2021 para outras localidades.

O plano é facilitar a devolução para que o cliente compre mais. “Na Alemanha, o tíquete médio é absurdo” diz Malte Huffmann, cofundador da Dafiti. “E, com um valor muito mais alto, compensa pagar o custo adicional de logística.”

Resultado

O grupo Dafiti atingiu R$ 1 bilhão de vendas no terceiro trimestre de 2020. O número de clientes ativos aumentou 30% e chegou a 7,3 milhões. A varejista online de moda diz que foi lucrativa, mas não divulga o dado.

“Vendemos moda e lifestyle e estamos sofrendo muito esse ano”, afirma Povel. “Dependemos de estímulos externos. Para comprar roupa bonita, você precisa sair de casa”, conclui, ressaltando o bom resultado, apesar desse cenário adverso.

Malte Huffmann, cofundador da Dafiti

Um dos destaques no período foi o desempenho do marketplace, que ganhou 500 novos vendedores – atualmente ele conta com 3,5 mil sellers. “Ele representa um terço das vendas totais e está tendo um crescimento expressivo”, diz Huffmann.

Entre os nomes que passaram a fazer parte do marketplace estão marcas como Vivara, Ri Happy, Fom, Luz da  Lua, YouCom, Luz e Gap.

Além do Brasil, a Dafiti tem operações na Argentina, chile e Colômbia e faz parte do grupo Global Fashion Group, que atua no sudeste asiático, Oriente Médio e Oceania.

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