Por que as marcas vão amar o Clubhouse

Em um momento em que consumidores e marcas anseiam por autenticidade, nada mais verdadeiro que o Clubhouse

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Meu almoço da última sexta-feira passada foi engolir sozinho um macarrão à bolonhesa nos 30 minutos que tinha disponíveis entre duas reuniões online. Até aí, nada de novo no front do home office pandêmico. De diferente mesmo, só a companhia de Brian Requarth, cofundador do marketplace de imóveis Viva Real, falando sobre os desafios de construir um negócio online com uma descontração que não se vê todos os dias entre empreendedores deste nível.

Sim, estou falando do Clubhouse (CH), a nova sensação do mundo digital. As marcas ainda não estão lá, mas muito em breve estarão – e vão amar (e se assustar) com as possibilidades. Após quatro dias de plataforma, já dá para imaginar o que pode diferenciar esta rede de outras.

1 – Se rede social no geral é FAKE, CH é uma rede DE VERDADE (por enquanto)

De Oprah Winfrey a Elon Musk, passando por Mark Zuckerberg, o rol de celebridades que aderiram ao CH é poderoso e não para de crescer. Mas, diferentemente de outros locais em que você poderia acompanhar essas super celebridades como o Instagram em que tudo é milimetricamente planejado para não falhar, o CH é vida louca.

Tem cara de reunião via Zoom na pandemia. É tudo ao vivo, você escuta o cachorro de um latindo, o aviso da mensagem de WhatsApp de outro pipocando. E é isso que torna a experiência ainda mais incrível. São pessoas de carne e osso diante de você.

Ouvi um grande executivo pedir desculpa por não responder a um chamado porque sua filha o havia procurado na mesma hora. E outro que, diante de uma pergunta meio absurda, simplesmente disse: “Cara, nunca parei para pensar nisso, não tenho a menor ideia”, para depois cair na gargalhada.

Em um momento em que consumidores e marcas anseiam por autenticidade, nada mais verdadeiro que o CH. Situações inusitadas acontecem na vida real e todo mundo sabe disso. É uma rede com menos pressão pelo perfeccionismo e sem necessidade de grande preparação técnica. É só aparecer e começar a falar – não precisa nem estar de cabelo penteado.

2 – Se rede social tem como marca registrada o individualismo, CH é a rede das COMUNIDADES

Ouvi um debate entre Flávio Augusto e Thiago Nigro sob o título “Equity e Negócios” que facilmente poderia ser patrocinado por um novo banco digital. Estava tudo pronto, era só assinar a sala e deixar rolar. O mesmo também poderia ser replicado por uma marca de beleza, da indústria automobilística ou de luxo.

O CH traz o casamento perfeito da tríade celebridades, temas que interessam a consumidores e territórios ocupados por marcas. É um ambiente pronto para marcas construírem e engajarem com suas comunidades via produção de conteúdo.

Tudo com uma experiência fácil e simples para ambos os lados. As possibilidades são infinitas e atendem a uma necessidade de múltiplas conversas nichadas simultâneas que qualquer grande marca – com público variado e segmentado – tem.

Se o CH veio para ficar ou não, é impossível de se prever, mas é fato que as marcas que chegarem antes, vão ter uma vantagem competitiva, dure esta rede ou não.

*Renato Mendes é investidor, professor na pós- graduação do Insper, mentor na Endeavor Brasil e autor do livro “Mude ou Morra”, finalista do Prêmio Jabuti 2019.

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