Negócios

Prejuízo? A mais dura batalha da Uber é contra a Justiça

Questionada por registrar seguidas perdas, a empresa perde sua licença de operação em Londres e é o alvo de novas leis que colocam em xeque as relações trabalhistas da companhia e de outros aplicativos da economia compartilhada

 

Desde que abriu capital, em maio deste ano, a Uber convive com os constantes questionamentos sobre a sua operação deficitária. No terceiro trimestre, por exemplo, a perda da companhia ficou em US$ 1,16 bilhão.

Os resultados negativos na última linha do balanço não são, no entanto, o único problema no percurso da empresa. Desde que começou a ganhar escala, a Uber se acostumou a enfrentar problemas regulatórios em todo o mundo, que ameaçam sua operação. E, nesse roteiro, a companhia ganha novos obstáculos.

O mais recente veio à tona nesta segunda-feira, 25 de novembro. Órgão regulador dos serviços de táxi e de transporte privado de Londres, a Transport for London (TFL) anunciou que não irá conceder uma nova licença para que a Uber siga operando na capital britânica, um de seus principais mercados fora dos Estados Unidos. São 45 mil motoristas e 3,5 milhões usuários na cidade.

Essa é a segunda vez que a empresa perde o direito de operar em Londres. Na primeira oportunidade, em 2017, a TFL apontou, entre outras questões, as falhas da Uber em questões como a verificação dos antecedentes dos motoristas e a comunicação de crimes graves envolvendo o aplicativo. Desde então, a cidade autorizou a operação de serviços semelhantes, como Ola, ViaVan e Bolt.

Em junho de 2018, o órgão concedeu uma licença temporária, com validade de 15 meses para a companhia. Em setembro, a licença foi renovada por um período de dois meses, que expira justamente hoje. Pela legislação, a Uber terá 21 dias para apelar da decisão. E, durante esse período, poderá seguir operando.

Nesse intervalo, a TFL seguirá avaliando a empresa em um processo que inclui o atendimento à 20 condições impostas pelo órgão em setembro, quando houve a renovação temporária da licença por dois meses.

Segundo a TFL, a decisão de não renovar a licença da companhia anunciada hoje foi baseada na identificação de diversas violações que colocaram a segurança dos passageiros em risco.

Um dos pontos destacados foi o fato de motoristas não autorizados conseguirem colocar suas fotos no lugar das imagens de identificação de outros motoristas cadastrados no aplicativo. Segundo a TFL, ao menos 14 mil viagens foram feitas por essas pessoas. Na prática, todos esses trajetos não foram cobertos por seguro.

Ao mesmo tempo, uma falha no sistema permitia que motoristas suspensos ou banidos do aplicativo criassem novas contas e seguissem prestando o serviço normalmente.

A TFL reconheceu que a Uber promoveu mudanças positivas e melhorias em suas operações e sistemas. Mas ressaltou que as análises realizadas não trouxeram a confiança de que problemas semelhantes não ocorrerão no futuro.

“Esta decisão da TFL está errada. Nos últimos dois anos, mudamos fundamentalmente a forma como operamos em Londres”, afirmou Dara Khosrowshahi, CEO da empresa

O anúncio provocou a reação da Uber, que já informou que irá recorrer da decisão. “Esta decisão da TFL está errada. Nos últimos dois anos, mudamos fundamentalmente a forma como operamos em Londres”, afirmou Dara Khosrowshahi, CEO da empresa, em postagem no Twitter.

A resposta veio também do mercado. As ações da Uber chegaram a recuar 5,8% antes da abertura do mercado. E fecharam o dia cotadas a US$ 29,11, o que representou uma queda de 1,52%. A empresa está avaliada em US$ 49 bilhões, contra um valor de mercado de US$ 82 bilhões na época da abertura do seu capital.

Mais problemas

Os desafios no caminho da Uber não se limitam à atuação em Londres. Nos Estados Unidos, algumas decisões recentes colocam em xeque não apenas a empresa. Mas também outras rivais e representantes da chamada economia compartilhada, como a Lyft.

As novidades no âmbito regulatório tratam, em especial, das relações entre os aplicativos que operam sob esse conceito e os trabalhadores que, na prática, concretizam esses serviços. E abrem um precedente para impactos consideráveis nesta que é uma das principais vantagens do modelo de negócios dessas empresas na comparação com as companhias tradicionais.

No início de setembro, o Estado da Califórnia aprovou uma lei que obriga as empresas de transporte privado baseadas em aplicativos, como Uber e Lyft, a registrarem e tratarem seus motoristas como funcionários contratados e não como autônomos.

Prevista para entrar em vigor a partir de janeiro de 2020, a lei inclui questões como o pagamento de salário mínimo e a oferta de benefícios como seguro-desemprego.

A questão trabalhista também está no centro de uma multa imposta pelo Estado de Nova Jersey à Uber, em novembro, no valor de US$ 649 milhões. O montante inclui US$ 530 milhões referentes a impostos de seguro-desemprego e invalidez, relativos ao período de 2014 e 2018. Além de US$ 119 milhões em juros.

Segundo a decisão, a Uber classificou os motoristas cadastrados no aplicativo erroneamente como prestadores de serviços. E não como funcionários.

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