Qual o papel das marcas na “economia da paixão”?

Para se comunicar com seus públicos, marcas buscam influenciadores digitais que falam sobre emoções e sensações. Bem-vindo à Creator Economy

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Não é novidade que as marcas querem estar cada vez mais próximas de seus públicos e, para isso, a junção de seus trabalhos com criadores de conteúdo têm se tornado uma estratégia poderosa. Sair do óbvio para oferecer uma proposta de valor tanto para esses grandes talentos se conectarem com as marcas quanto para gerar uma conexão genuína com os consumidores tem sido um verdadeiro desafio e continuará sendo por muito tempo.

Mas como fazer isso acontecer? Aí é que está a sacada. O principal é entender que já não estamos mais falando apenas de publicidade como era no passado, mas da criação de uma comunidade. Se pararmos para pensar, na verdade, o que fazemos hoje é algo que já fazíamos, de certa forma, no passado, só que de maneira amplificada. Por exemplo, antes, quando íamos comprar determinado produto que não conhecíamos bem, pedíamos a opinião de pessoas de confiança sobre ele, certo?

Bom, é exatamente isso que os creators se tornaram. Pessoas que confiamos como um amigo muito próximo. Mas, eles trouxeram muito mais, eles falam sobre emoções, sobre sensações… no final do dia, é sobre paixão. Diferente das antigas propostas, hoje podemos observar a junção de empresas com pessoas influentes de uma forma diferente, com os criadores de conteúdo que se destacam ainda mais por estarem próximos dos seus seguidores, criando uma relação de “amizade” e dando dicas com confiança, de algum produto que ele utiliza, ou até marcas próprias.

Dessa forma, passa credibilidade para as pessoas que o acompanham, gerando não só crescimento para as marcas, mas também para o próprio criador de conteúdo que se vincula e fortalece a uma comunidade fiel. Esse movimento deu origem à revolução da Creator Economy, que está transformando a relação das empresas com seus públicos e movendo a cultura em uma velocidade impressionante.

Estudos revelam que grandes companhias têm compreendido esse potencial e vem investindo cada vez mais nisso. Uma pesquisa realizada pela Youpix, em conjunto com a AlgoritmCOM, revela que 71% das empresas incluíram esse tipo de investimento e comunicação como estratégia de marketing. Ou seja, existem diversas formas de estar próximo ao seu consumidor e se comunicar com ele, e os influenciadores têm sido uma das mais promissoras.

Ainda nesse contexto, para você ter uma ideia, já existem 50 milhões de pessoas em todo o mundo que se consideram criadores de conteúdo. Desses, aproximadamente 46,7 milhões são amadores e pouco mais de 2 milhões são profissionais. Não por acaso, cada vez mais temos ouvido falar sobre a Creator Economy, que é a capitalização do trabalho de um influenciador, seja fazendo lives, gravando stories ou até mesmo escrevendo um texto mais complexo no Medium.

Já existem 50 milhões de pessoas em todo o mundo que se consideram criadores de conteúdo

E esses números só tendem a crescer, principalmente por cada dia mais reconhecerem o trabalho dessas pessoas, e assim, cada vez mais elevar a Creator Economy, mesmo que ainda exista uma dificuldade entre os criadores, de trabalhar essa monetização.

Segundo um levantamento do instituto Atlantico, os influenciadores têm dificuldade em monetizar seus conteúdos. Entre os entrevistados, 23% não conseguem aplicar valor em seus canais, enquanto apenas 14% geram uma receita superior a R$ 2.500 por mês. Ou seja, é preciso compreender o valor desse mercado para que ele se profissionalize, já que ele é o motor propulsor de muitas ações assertivas.

A exposição de uma habilidade, aliada a um conteúdo de qualidade é o segredo do sucesso dos criadores de conteúdo. Por isso, quando uma empresa busca parceria com algum creator, é essencial, antes de qualquer movimentação, entender se os valores entre marca e influenciador estão alinhados para que a ação seja mais assertiva.

Há também a possibilidade desses influencers contribuírem com a construção de conteúdo de uma empresa em forma de collabs, que aproxima duas marcas para a cocriação desses conteúdos ou, até mesmo produtos, sendo também uma forma de expandir o conteúdo para outras bases de fãs.

Essa troca é muito comum e fica ainda mais evidente quando lançamos nosso olhar para as DNVBs. Você já deve ter me ouvido falar sobre o potencial que vejo para esse mercado de marcas digitais e sobre como a parceria com talentos, celebridades e creators é uma ferramenta poderosa para que elas possam crescer de maneira sobrenatural daqui pra frente. As DNVBs compreenderam de forma muito ágil o benefício de ter influenciadores digitais como comunicador do seu serviço ou produto.

Repito aqui que um dos maiores exemplos que temos dentro do Brasil é a Sallve, que ganha cada vez mais pessoas na sua comunidade usando uma comunicação muito parceira com seu público. Eles iniciaram esse modelo de trabalho em conjunto com a Julia Petit, que entra não só como influenciadora, mas como cocriadora da empresa, que hoje já abrange diversos creators em seu portfólio. E é o que vamos ver cada vez mais, influencers que não só falam das marcas, como decidem criar as suas próprias.

Por exemplo, o case de sucesso da cantora Rihanna com a Fenty Beauty, que também alavanca milhares de pessoas ao levar sua linha de cosméticos através da sua identidade. Atualmente, a fortuna da artista está estimada em cerca de US$ 1,7 bilhão. E, desse valor, cerca de US$ 1,4 milhão é resultado do seu trabalho com a Fenty. São casos como esses que mostram o poder que existe quando colocamos alguém com um grande poder de comunicação e influência ligada a uma marca repleta de qualidade.

As estratégias de comunicação vão muito além de uma propaganda ou uma publicação patrocinada. Atualmente, quem vai estar no topo é quem entender de fato o seu cliente

Por isso, quero evidenciar que, hoje, as estratégias de comunicação vão muito além de uma propaganda ou uma publicação patrocinada. Atualmente, quem vai estar no topo é quem entender de fato o seu cliente. E quando eu digo entender, eu não quero dizer conhecer apenas dados demográficos, como idade, localização, etc. É compreender os gostos do seu consumidor, entender os seus sentimentos, o que ele espera e qual a importância do seu produto para ele, estudar a fundo os detalhes, mantendo sempre o cliente como centro do seu negócio. Só assim podemos formar uma comunidade real e fidelizada.

E é aí que está o “boom” dos criadores, eles compreendem cada pessoa que faz parte do seu vínculo, justamente por estar ali a um palmo de distância deles, existe uma troca onde ambos falam e ambos se escutam. Mas as empresas precisam compreender o tipo de creator que mais se identifica com seu perfil na hora de cocriar. Mais do que comunicar, é necessário comunicar com a verdade! O criador está ali não só para vender a imagem da marca, mas para, de fato, mostrar como ela se insere na sua vida fazendo com que assim o seu público se identifique. É muito importante criar esse filtro.

Não podemos nos prender a forma de falar com os consumidores como era no passado, os tempos mudam e a forma de nos conectarmos também. O mundo tem acelerado depressa e em todo novo artigo que eu trago para vocês quero que isso fique cada vez mais claro. O que eu quero cada vez mais ressaltar é que o futuro não está próximo, ele está acontecendo agora. Esteja sempre com os dois olhos abertos e não perca tempo na hora de trazer o futuro para o seu negócio, temos que estar prontos, a todo instante, para evolução que acontece a cada segundo.

Rapha Avellar é fundador da Adventures

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