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Quando James Cameron, diretor de Titanic e Avatar, “brinca” de Jacques Cousteau

Enquanto prepara as continuações de “Avatar”, o diretor canadense James Cameron assina a produção de série documental “O Segredo das Baleias”, em que resgata a sua fascinação pelo fundo do mar, mostrada em “O Segredo do Abismo” e “Titanic”

 

O diretor canadense James Cameron

O diretor canadense James Cameron tem a agenda cheia até 2028, quando o quinto filme da bilionária franquia “Avatar” promete chegar às telas. Mas mesmo sobrecarregado com as continuações do título lançado em 2009, até hoje a maior bilheteria de todos os tempos (com US$ 2,8 bilhões), Cameron encontrou tempo para explorar o fundo do mar, uma de suas paixões.

“É um lugar intimidante e desafiador de filmar”, afirmou Cameron, o produtor executivo da série documental “O Segredo das Baleias”. Trata-se de uma empreitada do canal National Geographic, com estreia no Brasil no serviço de streaming do Disney+ marcada para o dia 22 de abril, quando é comemorado o Dia da Terra.

O material coletado é resultado de uma expedição que levou três anos, realizada em 24 locações espalhadas pelo mundo, com o intuito de desvendar o modo de vida das baleias. “É preciso muita observação para descobrir como elas interagem, como pensam e o que sentem”, contou Cameron, admirador do oceanógrafo francês Jacques Cousteau (1910-1997).

Cousteau ficou mundialmente conhecido por seus filmes e documentários para televisão sobre o fundo do mar. Em 1956, por exemplo, ele ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes e o Oscar de melhor documentário com o “O mundo do silêncio”, rodado no Mar Mediterrâneo e Vermelho. No total, o oceanógrafo francês fez quatro longa-metragens e 70 documentários.

“As baleias estão à beira da extinção e nós mal as entendemos. A orca não é apenas o predador no grau mais elevado do oceano, é também um pensador. Seu cérebro é muito maior que o nosso”, disse o diretor canadense de 66 anos, que participou de painel virtual da série durante o festival South by Southwest (SXSW), que teve cobertura do NeoFeed.

Cameron se comprometeu com a série, dividida em quatro partes, antes mesmo de anunciar, em 2017, as sequências de “Avatar”, a saga de ficção científica ambientada na lua de Pandora. A primeira delas, “Avatar 2”, atualmente em pós-produção, tem lançamento previsto para dezembro de 2022. O terceiro filme deve chegar aos cinemas em 2024 e, o quarto, em 2026 – até a conclusão da franquia, em 2028.

O fato de “O Segredo das Baleias” representar desafios de filmagem no fundo do mar pesou na decisão de Cameron, de participar do projeto da National Geographic. “Passei os últimos 15 anos ou 20 anos construindo câmeras avançadas e ferramentas de iluminação que permitem registrar imagens nas áreas mais fundas do oceano, onde há pouca luz”, afirmou.

Cena de “O Segredo das Baleias”, que estreia dia 22 de abril, no Disney+

Cameron é fascinado pelas profundezas do mar desde “O Segredo do Abismo” (1989), que inovou em cinematografia subaquática por 40% das cenas serem ambientadas embaixo d’água. Sua equipe até construiu um sistema de comunicação que permitiu não só que o diretor falasse com os atores na água como gravasse os diálogos.

Em 1995, a bordo de um minissubmarino, Cameron chegou a filmar os restos do Titanic para usar as imagens no blockbuster sobre o naufrágio, lançado em 1997. Para tal, foi necessário desenvolver equipamentos inéditos de filmagem, iluminação e de robótica que aguentassem a pressão da água nas profundezas.

Líder por mais de uma década no ranking dos filmes mais vistos da história, “Titanic”, no qual Cameron ganhou o Oscar de melhor diretor, hoje ocupa a terceira posição na lista, com a renda mundial de US$ 2,2 bilhões. O épico perdeu o primeiro lugar para “Avatar” e o segundo para “Vingadores: Ultimato’’, que faturou US$ 2,79 bilhões, em 2019.

Entre as façanhas de Cameron no mar ainda está a expedição de 2012, em um submersível, realizada no Challenger Deep, o ponto mais fundo dos oceanos. As imagens desse mergulho, que chegou a 10.908 metros abaixo da superfície, estão no documentário “Deepsea Challenge 3D” (2014), que ele estrelou e produziu.

Graças aos avanços propiciados por Cameron, tanto tecnológicos quanto na forma de contar histórias debaixo d’água, “O Segredo das Baleias” traz registros incríveis. Narrada por Sigourney Weaver, estrela de “Avatar”, a produção conta com imagens que provam a capacidade de comunicação e interação das baleias.

Também vemos os maiores mamíferos da Terra fazendo amizades, passando suas tradições às novas gerações e sofrendo com a morte dos mais próximos. Tudo para oferecer novos insights sobre a estrutura social, a cultura, a intimidade e a vida emocional das baleias.

Ainda assim, muito precisa ser feito para melhorar as filmagens no fundo do mar, na visão de Cameron. “Brian Skerry (o explorador e fotógrafo da National Geographic que liderou a expedição) precisaria de câmeras ainda mais sensíveis, mais silenciosas e menos invasivas. Dessa forma, evitaríamos ao máximo a mudança de comportamento dos animais que estudamos.”

Como Cameron foi responsável pelo uso revolucionário de 3D em “Avatar”, o que incluiu reinventar as câmeras para aperfeiçoar o sistema de captura de imagens, é natural que ele já tenha algumas ideias de como avançar nesse setor. “Eu me pergunto como poderíamos entender o oceano de forma mais holística”, disse.

Como produtor, Cameron já aceitou participar de outra expedição do National Geographic. Desta vez, a bordo do OceanXplorer, considerado o navio de pesquisa marinha mais avançado do mundo. As descobertas realizadas aqui, assim como o cotidiano dos cientistas e exploradores, serão reunidas na série “Mission OceanX”, com previsão de estreia em 2022.

“Precisaríamos de inteligência artificial e de aparatos pequenos, silenciosos e robóticos para distribuí-los no oceano e coletarmos informações como as que recebemos dos satélites meteorológicos”, afirmou Cameron, interessado em alcançar uma espécie de monitoramento subaquático.

“Até porque, no caso das baleiras e de outras criaturas, ninguém sabe necessariamente onde elas estão. Para termos imagens, é preciso que os animais apareçam e que as condições climáticas se alinhem. Por enquanto, cada tomada que fazemos é praticamente um presente do oceano”, contou Cameron.

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