Snap: a “cara” do tombo dos ativos tech

Ações da rede social registram queda de mais de 38%, puxando os papéis de outras companhias de tecnologia, em meio a receios de que desaceleração da economia pode prejudicar ainda mais o desempenho do setor

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Desde o início de 2022, ações da Snap caem quase 80%

Depois de dois anos extremamente positivos, com as ações atingindo alguns dos maiores patamares de suas histórias, as empresas de tecnologia enfrentam agora um cenário adverso. O mundo caminha para uma recessão e os investidores questionam se essas companhias serão capazes de suportar uma desaceleração da economia. 

Uma primeira resposta surgiu nesta sexta-feira, dia 22 de julho, quando a rede social Snap informou que o cenário econômico desafiador e menor demanda levaram a resultados decepcionantes no segundo trimestre. 

A reação do mercado está sendo implacável. Por volta das 13h08, as ações da Snap recuavam 38,81%, a US$ 10,01, acumulando queda de mais de 77% em 2022. 

O resultado da Snap está reverberando entre as companhias de tecnologia, com os investidores temendo o que pode vir por aí. As ações da Meta, dona do Facebook e do Instagram, recuavam 7,52%, a US$ 169,40. Os papéis da Alphabet tinham queda de 4,32%, a US$ 110,07.

A Snap fechou os três meses até junho com um prejuízo de US$ 422 milhões, o dobro do apurado no mesmo período de 2021. O prejuízo por ação ajustado foi de US$ 0,02, acima da média das projeções coletadas pela consultoria Refinitiv, de perda de US$ 0,01. A receita cresceu 13% em base anual, para US$ 1,11 bilhão, mas ficou abaixo da média das estimativas, de US$ 1,14 bilhão. 

A situação da economia é algo que já tem preocupado a Snap há um tempo. Em maio, ela alertou que o ritmo de crescimento da receita viria abaixo do inicialmente previsto, de 20% a 25%, justamente pelas dificuldades macroeconômicas. 

Essa mesma questão fez a Snap não publicar projeções para o terceiro trimestre, uma vez que “a visibilidade sobre o que vem pela frente permanece extremamente desafiadora”.

Vale destacar que outros fatores foram citados como responsáveis pelo baixo desempenho, como a concorrência com outras plataformas, em especial o TikTok, e atualizações feitas pela Apple em sua política de privacidade. 

Mas a tendência da economia global é uma preocupação crescente entre as companhias de tecnologia. O Twitter, que também divulgou seus resultados nesta sexta-feira, citou a deterioração das condições como um fator que levou a receita a recuar 1%, em base anual, para US$ 1,18 bilhão, embora também tenha atribuído parte da culpa à novela da compra ou não da plataforma pelo bilionário Elon Musk. As ações da companhia registram baixa de 0,96%, a US$ 39,14.

A Netflix citou no primeiro trimestre a desaceleração da atividade e a inflação como fatores que vão pesar sobre o crescimento da receita em 2022. No segundo trimestre, a valorização do dólar por conta da alta dos juros promovida pelo Federal Reserve, o banco central americano, tiveram impacto negativo de US$ 339 milhões na receita. As ações da empresa tem queda de 2,05%, a US$ 219,30.

Com o fim dos anos de bonança, em que os lockdowns para combater a difusão da Covid-19 pelo mundo aumentaram a demanda dessas plataformas, a situação virou e as empresas estão tendo que se adaptar para manterem seus balanços saudáveis. 

A Meta, Alphabet e a Microsoft tem planos de desacelerar e até paralisar contratações. A Snap já tinha anunciado medida semelhante em maio, e hoje afirmou que pretende continuar reduzindo o ritmo de admissões e o crescimento das despesas operacionais.

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