Sob cenário favorável, Petrobras caminha para antecipar meta de redução de dívida

Depois de reduzir sua dívida bruta para US$ 63,7 bilhões no segundo trimestre, superando a meta prevista para o fim de 2021, a estatal agora planeja fechar o ano com US$ 60 bilhões no indicador, antecipando o patamar previsto para o fim de 2022

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Em abril deste ano, quando Joaquim Silva e Luna assumiu o comando da Petrobras, a empresa vinha de meses turbulentos, em meio à intervenção do presidente Jair Bolsonaro e à polêmica destituição de Roberto Castello Branco do cargo de CEO da estatal.

O choque entre a dupla havia causado, inclusive, quedas substanciais no valor de mercado da companhia, especialmente em fevereiro. Três meses depois, a empresa vive, aparentemente, dias mais calmos.

Na noite de quarta-feira, 4 de agosto, quando divulgou seus resultados do segundo trimestre, a Petrobras trouxe indicadores que devem contribuir para uma visão positiva dos investidores. E, entre esses números, um em particular foi destacado por Silva e Luna em conferência com analistas na manhã desta quinta-feira.

“Nosso endividamento bruto já foi reduzido a US$ 63,7 bilhões, um patamar inferiro a nossa meta de US$ 67 bilhões para o ano de 2021”, disse o presidente da Petrobras. “E estamos caminhando firmemente para atingir, ainda nesse ano, a meta de uma dívida bruta de US$ 60 bilhões, algo que estava planejado apenas para 2022.”

Silva e Luna destacou que os bons resultados combinaram a decisão de seguir o plano traçado antes da sua chegada e o cenário favorável do mercado. Com o nível alcançado entre abril e junho, a Petrobras reduziu em 10,3% a dívida bruta quando comparada ao primeiro trimestre de 2021 e em 30,2% a dívida bruta quando comparada aos US$ 91,2 bilhões reportados no mesmo período, em 2020.

“Se esticarmos o gráfico para 2015, nosso endividamento era superior a US$ 150 bilhões”, disse Rodrigo Araújo, CFO e diretor de relações com investidores da Petrobras, que também destacou o trabalho feito por gestões anteriores. “Tivemos uma redução da ordem de US$ 90 bilhões, que é o valor de mercado de várias empresas de porte muito relevante.”

Em relação à redução relativa ao segundo trimestre, Araújo destacou alguns dos pontos que contribuíram para essa antecipação da meta. Entre eles, um contexto com questões como o aumento de 13% no preço do Brent, o crescimento nas exportações e o aumento nas margens de óleo e derivados no mercado interno.

“Estamos em um momento em que o cenário de preços é mais favorável do que a companhia esperava”, afirmou o executivo. “E temos usado o fluxo de caixa substancialmente para o pagamento de dívidas.”

No trimestre, o fluxo de caixa livre ficou em R$ 48,6 bilhões, ante R$ 15,7 bilhões há um ano. Entre outras frentes, parte desses recursos foi aplicado para pagar dívidas antecipadamente e amortizar dívidas e juros no total de R$ 55,7 bilhões. ´

Araújo destacou ainda outros fatores que reforçaram o caixa da companhia e contribuíram para a redução do endividamento. Entre eles, a entrada, no início de julho, de US$ 2,24 bilhões, fruto do lançamento do follow on das ações remanescentes da BR Distribuidora.

“Fizemos operações importantes de recompra de dívida e de pré-pagamentos de empréstimos bilaterais no trimestre”, disse Araújo. “E não estamos fazendo um movimento só de redução, mas também de gestão da dívida remanescente.”

Já a relação da dívida líquida versus ebtida ajustado saiu de 2,03 vezes no primeiro trimestre para 1,49 vezes no fim de junho. “Agora, esse indicador está muito mais alinhado ao de outras empresas de óleo e gás”, observou.

Olhando para frente, o executivo afirmou que a empresa seguirá nessa toada, mas irá procurar ser mais criteriosa e seletiva para conciliar a redução do endividamento com a remuneração dos acionistas.

Em linha com essa premissa, a Petrobras anunciou a antecipação do pagamento aos acionistas de dividendos referentes ao exercício de 2021, no valor total de R$ 31,6 bilhões.

Resultado

No primeiro trimestre, a Petrobras apurou um lucro líquido de R$ 42,8 bilhões. Com o indicador da última linha do balanço, a empresa reverteu o prejuízo líquido de R$ 2,71 bilhões reportado em igual período, um ano antes.

A empresa atribuiu o resultado a fatores como as maiores margens de derivados, maiores volumes de vendas de óleo e derivados no mercado interno e de exportações, ganhos cambiais devido à valorização do real frente ao dólar e ganhos com participações em investimentos.

Entre abril e junho, a receita líquida reportada ficou em R$ 110,7 bilhões, um desempenho 117,5% superior na comparação anual. No período, o ebtida ajustado foi de R$ 61,9 bilhões, um salto de 147,9% em relação ao segundo trimestre de 2020.

As ações da Petrobras, avaliada em R$ 380 bilhões, operavam com alta de 9,06% por volta do 12h30, cotadas a R$ 28,66.

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