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Startup de recursos humanos, Deel capta US$ 156 milhões e é “promovida” a unicórnio

Com o aporte, liderado pelos fundos Andreessen Horowitz e YC Continuity, a startup americana, que simplifica a contratação de profissionais remotos no estrangeiro, foi avaliada em US$ 1,25 bilhão. Um dos destinos do cheque é o Brasil, onde a empresa já atende clientes como Nubank e iFood

 

Fundada em 2018, a americana Deel nasceu com a proposta de intermediar e simplificar a contratação de profissionais remotos no estrangeiro. Com essa ideia, a startup passou no processo de seleção de fundos icônicos, como o Andreessen Horowitz, e atraiu, em pouco tempo, US$ 48 milhões em aportes.

Agora, a novata está adicionando mais cifras a esse currículo. A Deel anuncia nesta quinta-feira a captação de um aporte série C, de US$ 156 milhões, liderado pelo Andreessen Horowitz e o YC Continuity.

Com a rodada, a empresa alcançou um valuation de US$ 1,25 bilhão e foi promovida ao clube das startups unicórnios, avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. A expansão internacional é uma das frentes que ganhará velocidade com o cheque e o Brasil é um dos destinos desse montante.

“Nós ganhamos muita tração em 2020, quando a pandemia mostrou que era possível trabalhar de qualquer local e para qualquer lugar”, diz Cristiano Soares, country manager da Deel no Brasil, ao NeoFeed. “E esse novo aporte vai nos ajudar a expandir ainda mais rapidamente.”

A Covid-19 ampliou, de fato, as fronteiras para a contratação de profissionais, especialmente entre o público-alvo da Deel, as startups de tecnologia. Lidar com diferentes legislações trabalhistas e moedas, porém, é um grande complicador para essas empresas.

São essas dores que a Deel busca resolver. A empresa cuida dos trâmites burocráticos e dos pagamentos dessa folha internacional, com o apoio de um batalhão de mais de 200 advogados.

O modelo é centralizado em uma plataforma, pela qual os clientes acompanham todo o processo, com poucos cliques, e envolve tanto contratações por prestação de serviço como profissionais registrados.

No primeiro plano, batizado de “contractor”, o custo mensal por funcionário parte de US$ 49 e o papel da Deel se restringe aos pagamentos e à definição dos contratos em linha com a legislação trabalhista do país de origem do profissional.

Cristiano Soares, country manager da Deel no Brasil

Já no segundo formato, a Deel contrata o profissional, assume os custos trabalhistas e estabelece uma relação de prestação de serviços com a empresa cliente. Essa, por sua vez, paga uma taxa mensal a partir de US$ 500 por cada funcionário terceirizado. “É mais barato do que contratar advogados ou abrir uma subsidiária em cada país”, diz Soares.

A startup tem cerca de 15 mil contractors e mais de mil funcionários registrados. Com nomes como Brex e Notion, sua carteira é formada por aproximadamente 2 mil empresas. No primeiro trimestre de 2021, a plataforma movimentou US$ 100 milhões.

Destino do cheque

Os recursos captados serão aplicados em três pilares. O primeiro deles inclui aquisições. Uma das áreas no radar são empresas de benefícios. Um segundo destino é a evolução do portfólio, com ofertas, por exemplo, de produtos e serviços financeiros.

O maior foco, porém, é a expansão internacional. Em 2021, a Deel prevê inaugurar dez operações, em mercados como Japão, Índia e África do Sul. No fim deste mês, o Brasil e o México serão oficialmente os novos pontos nesse mapa.

O Brasil é visto como o principal mercado na América Latina, região que conta ainda com uma operação na Colômbia, inaugurada em fevereiro. “Nossa meta é encerrar o ano com a região respondendo por uma fatia de 10% a 15% do faturamento global”, diz Soares.

A subsidiária começou a ser estruturada no fim de 2020. Com operações remotas em todos os países, a Deel planeja montar, inicialmente, um time de dez pessoas no País, em áreas como vendas e marketing.

“Até pouco tempo, o Brasil tinha poucas empresas de tecnologia com demanda para crescer 80, 90, 100 vagas em dois meses. E tudo era suprido pelo mercado interno”, diz Soares. “Agora, as startups brasileiras vêm captando muitos recursos e podem competir de igual para igual por esses talentos.”

A Deel inicia a operação com 12 clientes, uma base que inclui nomes como Nubank, iFood e Remessa Online. No movimento contrário, de empresas estrangeiras que estão buscando profissionais brasileiros, a startup já contabiliza quase 500 contratações por meio da sua plataforma. “A competição ficou global e, com a desvalorização do real, o profissional brasileiro ficou barato lá fora”, diz Soares.

Segundo dados da startup, as profissões mais buscadas pelas empresas estrangeiras no Brasil, por meio da plataforma, são engenheiros de software, designers, analistas de dados, gerentes de produtos e customer service. As companhias americanas lideram essa procura.

A média de salários de profissionais de customer service, por exemplo, fica entre US$ 6,6 mil e US$ 7 mil. Já para engenheiro de software, a faixa é de US$ 1,9 mil a US$ 5,7 mil.

A Deel atende a uma base global de cerca de 2 mil empresas

Dona de uma plataforma de comunicação usada pelo Credit Suisse, na Ásia, e pela Marinha dos Estados Unidos, a brasileira Rocket.Chat é uma das empresas que já estão usando os serviços da Deel para se posicionar nessa disputa.

Após captar, em fevereiro, R$ 100 milhões em uma rodada liderada pelo Valor Capital, a startup está ampliando seu time. Desde o início do ano, já contratou seis funcionários remotos com o auxílio da Deel. A origem dos profissionais é diversa: Argentina, Belarus, Finlândia, Nigéria e El Salvador.

“Fizemos essas contratações iniciais de forma experimental”, diz Gabriel Engel, fundador e CEO da Rocket.Chat. “A plataforma traz vantagens tanto para o colaborador quanto para a empresa.”

Com funcionários em 25 países, a Rocket.Chat já prepara contratações de profissionais da Índia, Croácia e Reino Unido. “Hoje, somos 100 pessoas e pretendemos chegar a 200 no fim do ano, e essas vagas serão totalmente remotas”, afirma Engel.

Para Márcio Gadaleta, sócio da consultoria americana de recrutamento Russell Reynolds, as startups brasileiras estão capitalizadas e já vinham investindo na contratação de profissionais estrangeiros.

“Há alguns anos, mais por uma questão cultural do que por impossibilidade técnica, essas contratações se davam com a transferência física do profissional”, diz Gadaleta. “Com a pandemia e o trabalho remoto, muitas empresas começaram a reavaliar esses conceitos e expandiram seus horizontes.”

Há mais startups atentas a essa tendência. É o caso da brasileira Revelo, que conecta empresas brasileiras a profissionais no estrangeiro e também multinacionais que buscam funcionários remotos no País. Outro exemplo é a também americana Papaya Global, que já captou US$ 194,5 milhões junto a investidores como IVP e Greeoaks Capital.

Trajetória

A Deel foi criada a partir da experiência de Alex Bouazis em outros projetos. Em suas andanças como empreendedor, ele tinha contato com bons profissionais, de diferentes origens, mas esbarrava na burocracia na hora de contratá-los. Disposto a derrubar essas barreiras, ele recrutou Shuo Wang, uma ex-colega de MIT, para fundar a startup.

Antes de se juntar ao time da Deel, Soares, por sua vez, tinha no currículo a fundação de startups como a Vaniday, marketplace que conectava clientes a salões de beleza, vendida, posteriormente, para o fundo alemão Rocket Internet, onde ele também bateu cartão.

O convite da Deel para estruturar, lançar e tocar a operação local veio em novembro do ano passado e foi prontamente aceito. “Gosto de tirar projetos do papel e do desafio de começar algo novo”, afirma. “E o potencial do modelo é incrível. Estamos chegando no momento certo.”

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