Tecnologia e inteligência artificial dão novo “gás” para a Ultragaz

Empresa usa sensores e inteligência artificial para identificar a carga ideal de energia em lavanderias industriais e testa a venda direta ao consumidor. O CEO Tabajara Bertelli conta essa e outras iniciativas em entrevista ao Conexão CEO

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Tabajara Bertelli cursava o último ano de engenharia de produção na USP quando ingressou no Grupo Ultra, como estagiário, em 1995. Desde então, o executivo teve uma série de passagens por diversas áreas e empresas da holding, que reúne negócios como os postos Ipiranga e a Ultragaz.

“Eu não tive aquele ciclo mais perigoso de me acomodar em uma posição”, diz Bertelli, em entrevista ao Conexão CEO (vídeo completo acima). “Você sai da sua zona de conforto e, depois de alguns meses, fica claro que adicionou um olhar sem perder o que tinha adquirido de conhecimento.”

Essa visão, de certa forma, é uma das inspirações para Bertelli em sua mais recente posição no grupo, avaliado em R$ 15,5 bilhões. Desde janeiro de 2019, ele comanda a Ultragaz, distribuidora de GLP, o popular gás de cozinha.

Sem perder o foco em seu negócio tradicional, a empresa vem buscando ocupar outros espaços no dia a dia das 11 milhões de famílias e 60 mil empresas que atende. Mesmo que isso signifique, inclusive, reduzir o consumo daquele que hoje é o seu principal produto.

“Quando assumi, tínhamos um modelo muito eficiente e que não precisaria ser consertado, a princípio”, diz Bertelli. “Mas começamos a debater internamente sobre o os próximos 10, 15 anos, e entendemos que a empresa tem capacidade de fazer mais do que estava fazendo.”

Essa nova visão vem se traduzindo no desenvolvimento de soluções específicas para clientes de diferentes setores, com forte apoio de tecnologia e do digital. É o caso de um pacote que usa sensores, sistemas e inteligência artificial para identificar a carga ideal de energia em lavanderias industriais.

“Já temos mais de 100 clientes com essa solução, que oferece uma redução de mais de 20% no consumo de gás”, diz Bertelli. Ele também conta que a Ultragaz está testando novas aplicações do GLP em um projeto-piloto com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), com foco no segmento do agronegócio.

Já no segmento domiciliar, uma das iniciativas mais recentes é o projeto Ultragaz 24 Horas, que é baseado na venda direta ao consumidor, 24×7, por meio de máquinas semelhantes a “vending machines”, instaladas em pontos comerciais. “Fizemos alguns testes e estamos começando a expansão pela região Sul”, afirma o executivo.

Enquanto busca consolidar um modelo mais amplo, a Ultragaz vem lidando com questões como a inflação e o preço do gás. Embora a empresa venha reportando bons números – no terceiro trimestre sua receita líquida cresceu 37%, para R$ 2,6 bilhões, Bertelli ressalta que esses são pontos de atenção.

“Há nesse momento um impacto da inflação muito relevante em energia, o que é um efeito mundial e muito associado a essa retomada aparente do pós-Covid-19”, afirma. “Vai levar um tempo para reequilibrar a produção e a demanda.”

No programa, Bertelli fala ainda de temas como a abertura de mercado; novos modelos de comercialização, o que pode incluir assinaturas; conexões com startups e universidades; e sobre eventuais aquisições e parcerias.

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