Uber tem primeiro fluxo de caixa positivo e ações embarcam em rali na bolsa

O plano do CEO Dara Khosrowshahi de preservar caixa e melhorar a lucratividade começa a dar sinais positivos e o resultado no segundo trimestre fez as ações da companhia fecharem o dia com alta de 18,9%

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Com os investidores menos pacientes com companhias que queimam caixa, a Uber, uma dos nomes que “popularizaram” essa estratégia, deu uma boa sinalização de que está finalmente conseguindo estancar sua sangria. Depois de 13 anos seguindo esse percurso, a empresa anunciou nesta terça-feira, dia 2 de agosto, seu primeiro fluxo de caixa positivo. 

No segundo trimestre deste ano, o indicador ficou positivo em US$ 382 milhões, revertendo o saldo negativo de US$ 398 milhões do mesmo período do ano passado e os quase US$ 25 bilhões “queimados” desde a fundação da empresa dona de aplicativos de mobilidade e de delivery. 

A notícia, juntamente com o fato de que a receita líquida no período dobrou, para US$ 8,1 bilhões, fez as ações do Uber dispararem em Nova York e compensaram o fato de a empresa ter registrado prejuízo de mais de US$ 2 bilhões. 

Os papéis da companhia encerraram o pregão de hoje com alta de 18,9%, a US$ 29,25, a maior cotação desde 4 de maio e o maior crescimento percentual desde 24 de março de 2020, quando a ação registrou alta de 17,8%, de acordo com o site americano MarketWatch

O resultado marca uma importante vitória para Dara Khosrowshahi, CEO da Uber, que no primeiro trimestre anunciou a meta de fazer com que a companhia registrasse fluxo de caixa positivo ainda nesse ano. O objetivo é obter lucro com base no fluxo de caixa livre, em vez de concentrar os resultados apenas no Ebitda, caminhando para uma melhora da rentabilidade. 

“No último trimestre, eu desafiei nosso time a cumprir com nossos compromissos com a lucratividade ainda mais rápido do que o planejado, e eles cumpriram”, afirmou Khosrowshahi no balanço financeiro. 

Entre abril e junho, o fluxo de caixa ficou positivo graças ao desempenho das operações da Uber, especialmente na área de mobilidade, cujas atividades resultaram geraram US$ 439 milhões em caixa líquido.

No trimestre, a Uber registrou alta de 120% da receita nessa divisão, para US$ 3,5 bilhões, com parte desse crescimento sendo um efeito da reclassificação dos motoristas no Reino Unido. Pressionada no país, a companhia acabou considerando o total de reservas brutas como receita. Nas outras regiões em que atua, a empresa considera como receita apenas a sua parcela na viagem.

Na unidade de delivery, sob a bandeira Uber Eats, a receita aumentou 37%, para US$ 2,7 bilhões. Apesar desse efeito, a Uber viu as operações avançarem, com um aumento de 24% na quantidade de viagens realizadas, totalizando 1,87 bilhão. A quantidade de usuários ativos do aplicativo cresceu 6%, para 122 milhões de pessoas. 

O Ebitda ajustado, que exclui os efeitos de operações descontinuadas e outros itens não recorrentes, ficou positivo no segundo trimestre, em US$ 364 milhões, após registrar resultado negativo de US$ 509 milhões no mesmo período do ano anterior. 

O desempenho só não foi perfeito por conta da última linha do balanço. A Uber fechou o segundo trimestre com um prejuízo líquido de US$ 2,6 bilhões, revertendo o lucro de US$ 1,1 bilhão do mesmo trimestre de 2021. 

Segundo a companhia, do montante total, cerca de US$ 1,7 bilhão representa os efeitos da reavaliação de investimentos realizados na empresa de carros autônomos Aurora, no aplicativo de pagamentos de compras, mobilidade e serviços financeiros Grab e no aplicativo de entregas indiano Zomato. 

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