Negócios

Uma empresa de torres de celulares pode atropelar Vivo, TIM e Claro e levar a Oi Móvel

Comprada pelo fundo Digital Colony no ano passado, a Highline fez uma oferta pelos ativos de celulares da Oi e surpreendeu não só Vivo, TIM e Claro, como o mercado. O NeoFeed conta os bastidores da proposta e a estratégia da empresa

 

Uma empresa que compra torres de celulares de operadoras de telefonia é a principal favorita para comprar a operação de telefonia celular da Oi, atropelando a oferta conjunta de Vivo, TIM e Claro, que haviam se unido para tentar arrematar o ativo.

Na noite de quarta-feira, 22 de junho, a Oi, que é comandada por Rodrigo Abreu, celebrou um acordo de exclusividade com a Highline. Em nota, a Oi disse que a empresa fez “a melhor oferta vinculante acima do preço mínimo estabelecido”, que era de R$ 15 bilhões.

O acordo de exclusividade vale até 3 de agosto, podendo ser prorrogado. A oferta da Highline, que foi comprada pelo fundo de private equity Digital Colony no fim do ano passado, não inclui a Algar, conforme vinha sendo noticiado, apurou o NeoFeed. Negociações entre as duas empresas aconteceram, mas não evoluíram.

Afinal, por que uma empresa de torres de celulares quer ficar com a operação móvel da Oi, que tem 36,7 milhões de clientes e uma fatia de mercado de 16,28%, a quarta colocada no ranking, atrás de Vivo, Claro/Nextel e TIM?

O NeoFeed apurou que a intenção da Highline, cujo CEO é Fernando Viotti, é se posicionar como uma empresa de infraestrutura com o conceito de rede neutra, da mesma forma que atua com as torres.

Hoje, a companhia conta com 1,3 mil sites de torres de celulares espalhados pelo Brasil e aluga a infraestrutura de forma agnóstica para todas empresas de telecomunicações.

A infraestrutura de telecomunicações, na visão da Highline, se tornou uma commodity. E as companhias estão cada vez mais compartilhando ou vendendo esses ativos para terceiros. Tanto que Vivo e TIM fizeram acordo para compartilhar suas redes de celular em mais de mil cidades neste ano.

Por outro lado, a Highline, caso leve a Oi Móvel, herda também milhões de consumidores, algo que está completamente fora da maneira habitual que atua no mercado.

É provável que, neste caso, a empresa busque uma parceira – ou parceiros – que façam ofertas por esses clientes. A Vivo, a TIM e a Claro, por exemplo, teriam que brigar entre si pelas melhores fatias.

A Highline surge também como a melhor opção para a Oi não só por que fez a melhor oferta – o NeoFeed apurou que as teles tinham oferecido R$ 15 bilhões, o preço mínimo pedido pela Oi.

Agora, a expectativa é como o trio vai agir. Será que eles terão apetite de cobrir a oferta? A decisão acontece em um leilão, que deve acontecer no quarto trimestre.

O consórcio de teles pode fazer uma oferta superior a da Highline, que garantiu, com a negociação exclusiva, o direito de cobri-la e ganhar a disputa, caso isso aconteça.

Do ponto de vista regulatório, esse pode ser o caminho mais curto para a Oi. Acredita-se, até onde a vista pode enxergar neste momento, que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) não tenham restrições ao negócio.

Do ponto de vista financeiro, a Highline tem por trás o Digital Colony, um fundo de private equity que conta com mais de US$ 60 bilhões de ativos sob gestão, que estruturou uma operação no Brasil neste ano, sob o comando de Marcos Peigo, um ex-executivo da IBM.

O fundo é dono de mais de 90 data centers, tem mais de 2 mil quilômetros de fibra óptica na Europa e Américas e 350 mil pontos de torres de celulares.

Por esse motivo, a entrada da Highline na briga pela Oi Móvel foi uma surpresa. Na sexta-feira, 17 de julho, a empresa havia feito uma oferta de R$ 1 bilhão pelas torres da Oi.

Muitos achavam que esse era único o interesse da companhia e se surpreenderam quando o nome do Digital Colony apareceu como interessado pela Oi Móvel. Mas agora que o fundo entrou na disputa via Highline, segundo apurou o NeoFeed, fará de tudo para não perder essa batalha.

O Digital Colony captou um fundo de US$ 4 bilhões no ano passado. Agora, conversa com investidores para um novo fundo de US$ 6 bilhões. Os ativos atuais podem ser usados como garantia para que a companhia compre a operação móvel da Oi e consiga uma alavancagem barata.

Em abril deste ano, o Digital Colony comprou os data centers do UOL em um negócio estimado entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões e criou a Scala, sua marca para atuar nesse universo.

Agora, o fundo americano está dando seu passo mais ousado no mercado brasileiro enfrentando três gigantes no setor, que achavam que seria fácil comprar a Oi Móvel e fatiá-la entre si.

Não deixa de ser uma ironia, se o consórcio das teles não prosperar. Em 2013, a TIM passava por dificuldades e corria rumores no mercado de que Vivo, Claro e Oi iriam se unir para comprá-la e fatia-la.

Na ocasião, Mario Girasole, que era vice-presidente da operadora controlada pela Telecom Italia, disse que a TIM “não era linguiça para ser fatiada.”

Sete anos depois dessa frase, parece que chegou a vez da Oi não querer virar linguiça para ser fatiada.

As ações da Oi abriram com um alta de quase 18% no pregão da B3 na manhã desta quinta-feira por conta da disputa por seus ativos móveis.

(Reportagem atualizada às 10h20)

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