Negócios

Na Oi, a ordem é dividir para vender ativos

Em nova reestruturação, a operadora vai separar seus negócios em quatro unidades. Três delas, incluindo os ativos móveis, serão vendidas. Concluído esse processo, a operação será dividida em duas empresas independentes. Eis a complexa fórmula de Rodrigo Abreu, presidente da Oi, para reerguer a tele

 

Rodrigo Abreu, presidente da Oi

Quando assumiu o comando da Oi, primeiro como diretor de operações, em agosto de 2019, e, posteriormente, como presidente de fato, no fim do ano, Rodrigo Abreu elegeu como mantra transformar a operadora, em recuperação judicial desde 2016, na maior empresa de fibra óptica do Brasil.

Passado quase um ano da sua chegada, o executivo resolveu, enfim, desenhar essa estratégia. O caminho para concretizar esse plano ambicioso passa por uma estratégia complexa e desafiadora do ponto de vista de execução, que envolve a redução substancial da operação atual.

Parte desse novo roteiro foi conhecido na noite da segunda-feira, dia 15 de junho, quando a Oi anunciou que protocolou um aditivo ao plano estratégico divulgado no início de 2018. Na prática, quando e se concluído, o processo dividirá a empresa em duas operações independentes.

A primeira será batizada de Infra Co e reunirá as ofertas de estrutura de rede de fibra óptica para todo o mercado. A segunda companhia será nomeada Oi Client Co e compreenderá o portfólio de serviços na mesma modalidade para clientes residenciais, empresariais, governo e no atacado.

“Acreditamos que temos um plano confiável, factível e que pode trazer a empresa novamente para uma posição sustentável”, afirmou Abreu, em teleconferência com analistas realizada nesta terça-feira, 16 de junho. “Vamos ser uma empresa mais leve, mais ágil e focada no futuro.”

Para chegar a essa equação, a Oi irá dividir, inicialmente, a operação em quatro unidades. Em três dessas divisões, a operadora irá se desfazer de 100% de sua participação. A principal delas é a de ativos móveis, pela qual, Vivo e Tim já manifestaram interesse publicamente. A Claro, por sua vez, corre por fora nesse páreo, ao menos até o momento.

Pela unidade em questão, a Oi estabeleceu um preço mínimo de R$ 15 bilhões, incluindo rede ativa, espectro e clientes. Em abril, a operadora contava com uma base de 36,6 milhões de assinantes de celulares e uma participação de mercado de 16,25%, segundo a consultoria Teleco.

As duas divisões restantes no balcão envolvem os negócios de torres e de data centers, cujos valores mínimos de venda são de R$ 1 bilhão e R$ 325 milhões, respectivamente. O primeiro ativo compreende 657 torres e 225 sites. Já a segunda operação inclui cinco centros de dados.

Com preço mínimo de R$ 15 bilhões, a venda dos ativos móveis é uma das etapas cruciais para a execução do plano

Já na unidade de infraestrutura, que posteriormente será batizada de Infra Co, a Oi irá manter uma participação de até 49%. Pela venda da fatia restante, o preço mínimo exigido será de R$ 6,5 bilhões. Nessa divisão, em particular, Abreu ressaltou que o modelo de governança ainda será ajustado e definido com os eventuais interessados.

A execução do plano passa pela aprovação em uma assembleia de acionistas programada para agosto. No cronograma definido pela Oi, a conclusão do leilão das unidades de torres e de data center aconteceria em outubro desse ano. A expectativa de finalização do processo de venda dos ativos móveis aponta para o quarto trimestre de 2021.

Além de dar mais foco, previsibilidade de custos, reduzir a dívida e facilitar o acesso a financiamentos, Abreu destacou outras vantagens esperadas com o modelo. “Com a separação em infraestrutura,e o atendimento a outras operadoras, vamos ter a capacidade de acelerar os investimentos em cobertura de rede”, afirmou. “E teremos mais flexibilidade na execução dos nossos planos.”

Para Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, o plano é válido, especialmente diante das opções restritas da Oi. “O fator positivo é a empresa encontrar uma saída para a impossibilidade de investir em todas as áreas e deixar a recuperação judicial”, diz.

Ele ressalta, no entanto, um ponto que precisa ser levado em conta na estratégia traçada pela Oi. “O grande desafio é obter a aprovação regulatória”, afirma. “Além da própria recuperação judicial e do Cade, é preciso ter a autorização da Anatel, o que pode complicar parte desse plano.”

Nova estrutura

Abreu também ressaltou alguns aspectos das duas novas empresas que resultarão dessa estrutura. Na Infra Co, a operação conta com 388 mil quilômetros de rede de fibra e conexão com mais de 2,3 mil municípios do País. Nessa linha, o plano vai incluir, por exemplo, ofertas white label a outras operadoras e o reforço nos investimentos para viabilizar a infraestrutura de 5G.

Já o que será conhecido como Client Co, o serviço de fibra óptica, fruto de um foco que começou a ser reforçado há cerca de um ano, tem hoje uma base de mais de 1 milhão de clientes e está presente em 112 municípios do País. “Hoje, cobrimos 15 milhões de casas”, disse Abreu. “Mas acreditamos que, com a nova estrutura, podemos chegar a 30 milhões até o fim de 2024.”

Entre outras metas, o executivo citou a projeção de chegar a uma base de 7 milhões de clientes em fibra ótica na operação até 2025. E de aumento nas receitas de 21%, na Client Co, e de 23% na Infra Co, nesse mesmo prazo, além de um valor de geração de caixa combinado de R$ 4,5 bilhões.

A resposta inicial do mercado ao anúncio não foi, porém, positiva. Por volta das 13h30, as ações ordinárias da Oi caíam mais de 12%. Já as ações preferenciais registravam queda superior a 5%.

Entre janeiro e março, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 6,2 bilhões, ante um lucro líquido de R$ 568 milhões, em igual período, um ano antes

Parte dessa reação também reflete os resultados divulgados pela operadora na noite da segunda-feira, referentes ao primeiro trimestre de 2020. Entre janeiro e março, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 6,2 bilhões, ante um lucro líquido de R$ 568 milhões, em igual período, um ano antes.

A receita líquida recuou 7,4%, para R$ 4,74 bilhões. A empresa finalizou o trimestre com uma dívida líquida de R$ 18,1 bilhões e com R$ 6,3 bilhões em caixa.

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