O fast food que transforma o “junk food” com ervilhas, batata doce e chia

Fundada por um ex-executivo da Nestlé e com investimento de R$ 10 milhões da holding Nutramerica, a rede de lanchonetes Bloom aposta em alimentos saudáveis para clássicos da culinária junk food

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Na Bloom, todos os ingredientes são plant-based

Há alguns anos, Alex Atala disse em uma entrevista: “Não adianta não comer bichinho e comer lixinho”. Não soava como desabafo, muito menos como incentivo ao consumo de carne ou de produtos de origem animal. Era apenas a constatação de alguém que reflete sobre e respira comida de verdade e que, portanto, não vê sentido no uso indiscriminado de gorduras, corantes e aromatizantes.

O chef não está sozinho. Hoje seu coro é reforçado por jovens como Fabio Munno, 29 anos, fundador e CEO da Bloom, startup que reinventa os ícones de junk food apoiando-se na nutrição funcional. Trocando em miúdos, o ex-executivo de inovações e renovações da Nestlé, serve desde 25 de junho itens como sorvete, hambúrguer, batata frita, brownie e chá gelado “que proporcionam bem-estar físico e mental”.

No novíssimo “fast good” paulistano, no Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, tudo é plant-based e “sem impacto ambiental”. “Se sentir bem tem que ser gostoso, fácil e acessível – o objetivo é amplificar o acesso para esta transformação, sem desconsiderar os hábitos culturais que já estão enraizados, sem condenar o desejo de comer uma bobagem, mas nem por isso entregando calorias vazias”, afirma Munno.

Vai daí que fritas de batata doce, milk shakes proteicos sem lactose, sorvetes sem açúcar e ricos em fibras e “nuggets” de ervilha e chia podem até não ser exatamente lights, porém, são “fortificados” com nutrientes para reconstrução muscular e melhoria de imunidade, bem-estar, saúde intestinal e mental. Atendem uma demanda imediata que só tende a crescer.

Nesse sentido, no finzinho de 2021, a startup investiu R$ 3 milhões para validar seu MVP (produto viável mínimo) e conceito em operação on-line. De quebra, reconfirmou a validação com um pop-up de verão na Riviera de São Lourenço, litoral de São Paulo.

Com isso, conseguiu um aporte de R$ 10 milhões por parte da holding Nutramerica, dona da Athletica Nutrition, companhia de suplementos alimentares de alta tecnologia. Por sinal, a Bloom usa a sinergia da estrutura deles, com P&D, produção e distribuição.

“O core business são os sanduíches, mas sozinhos eles não param em pé. Eles são uma das ferramentas para a implementação de um modelo em espiral que alavancará a Bloom como grife e que além de lojas físicas próprias contará com uma linha de produtos para e-commerce e parceria com empórios, farmácias e supermercados”, adianta Munno.

No dia a dia, ele conta com o sócio Ricardo Armando de Angelis (CEO e fundador da Atlhetica Nutrition, atual CFO da Bloom) e a CMO Amanda Albaricci (designer especializada em wellness e mercado fitness que responde pelo branding dos novos negócios da Atlhetica Nutrition e da startup em questão) para implementar oito lojas em shoppings na capital paulista até o fim deste ano.

Os sócios Ricardo Armando de Angelis ( à esq.) e Fabio Munno, e a CMO Amanda Albaricci

Em 2023, o raio de atuação se ampliará por outras cidades, incluindo capitais como o Rio de Janeiro, e serão inauguradas outras 42 unidades, sendo algumas franqueadas. O faturamento previsto é de R$ 108 milhões.

Com o fortalecimento do sistema de franchising, o plano prevê 105 unidades da Bloom em 2024. A estimativa é de um faturamento anual que deve chegar a R$ 246 milhões. Além disso, a marca planeja colocar também produtos no varejo, como chás, bebidas proteicas e guloseimas, ampliando ainda mais seu engajamento ambiental.

A operação da Bloom, atualmente, é totalmente elétrica e suas embalagens são 100% biodegradáveis. A empresa diz também ser o “primeiro fast food da América Latina certificado como carbono neutro”, visto que, somente pela migração a insumos de origem vegetal, ela já garantiu uma redução significativa, reforçada pela abolição do uso de plástico.

O plástico recebido de fornecedores, assim como o uso de combustível fóssil, é compensado pela compra de créditos de carbono da Carbonext, empresa que preserva cerca de 2 milhões de hectares da Amazônia.

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