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A startup que promove um “Big Brother” para aumentar produtividade no trabalho

Focusmate é uma plataforma de vídeo que promove sessões online de 50 minutos entre dois usuários desconhecidos para que monitorem remotamente o trabalho de cada um e assim possam cumprir tarefas específicas. Será que funciona?

 

A Focusmate vende a ideia de que se trabalha melhor quando monitorado por outra pessoa

Em terra de distraídos, quem tem foco é rei. Diferentes pesquisas americanas apontam que cerca de 20% da população mundial se reconhece procrastinadora – um montante quatro vezes maior do que o registrado 30 anos atrás. Desses da turma do “deixa pra depois”, cerca de 40% confessaram terem sofrido perdas financeiras por conta do hábito de adiar tarefas e um a cada cinco reconhece que está correndo o risco de perder o emprego por conta dessa “mania”.

Dispostos a dominarem sua própria atenção a fim de direcioná-la para onde se quer e precisa, americanos têm desembolsado US$ 46 bilhões ao ano com soluções que lhes garantam maior produtividade. 

O empreendedor nova iorquino Taylor Jacobson, porém, tem uma solução bem mais barata – que custa US$ 5 mensais. Jacobson é o fundador e CEO da Focusmate, uma plataforma que promove uma espécie de “Big Brother” para estimular a produtividade dos usuários. 

Funciona da seguinte maneira. Qualquer pessoa acima de 17 anos pode criar uma conta no site e agendar o que eles chamam de sessão – que demora sempre 50 minutos. Na hora marcada, o usuário entra na plataforma para conhecer, pela webcam, seu parceiro de trabalho.

Um diz ao outro as metas que pretendem atingir naquele dia e momento e, a partir daí é hora de colocar a mão na massa – cada um no seu quadrado. Em todos os casos, a webcam permanece ligada durante a sessão, porque a sensação de vigilância é o maior “afrodisíaco” profissional: todo mundo quer ter mais foco.

Em entrevista ao NeoFeed, Jacobson conta que a empresa nasceu quase sem querer, de uma ajuda que prestava a um amigo. “Ele me pediu auxílio para vencer suas distrações e aumentar sua produtividade a fim de entregar uma apresentação para investidores”, diz Jacobson.

Os dois passaram a usar o Skype várias vezes ao dia para monitorar o avanço dos objetivos e cogitaram de deixar a câmera ligada o tempo inteiro em que trabalhavam para testar novas formas de melhorar a performance  – o que foi comprovado.

“Eu entendi que havia muita gente nesta mesma situação e que algumas até estão dispostas a pagar para mudar isso”, afirma Jacobson.

Taylor Jacobson, fundador da Focusmate

A Focusmate é um produto dessa vivência e constatações, nascendo em 2018 e acumulando mais de 300 mil sessões desde então. “Só em janeiro tivemos cerca de 30 mil sessões”, diz Jacobson.

Presente em mais de cem países, a plataforma, disponível apenas em inglês, tem nos Estados Unidos seu maior mercado, seguido de Inglaterra e Alemanha.

Em todos os eles, o modelo de negócio é exatamente o mesmo. “Oferecemos três sessões gratuitas por semana, mas os usuários podem optar por participarem de quantas sessões entenderem se migrarem para o plano Turbo, que custa US$ 5 por mês”, diz Jacobson.

Jacobson confessa que tanto o valor da assinatura, quanto o modelo de negócio da empresa podem, sim, sofrer alterações. “Estivemos esse tempo todo empenhados em construir um bom negócio e, agora que temos, é hora de crescer”, afirma Jacobson.

O empreendedor tampouco descarta a possibilidade de adotar novos formatos de conteúdo, com sessões mais longas ou mais curtas, por exemplo.

Mas enquanto esse dia não chega, a Focusmate segue fazendo sucesso em uma comunidade diversa. “Tem gente de 17 anos e de 80 e poucos anos, mas diria que 51% dos nossos usuários são mulheres e a maioria fica entre 20 anos e 60 anos – que é a fase da vida ligada ao trabalho”, diz Jacobson.

Ainda segundo Jacobson, os usuários pagantes ativos no Focusmate agendam cerca de 10,8 sessões por semana. “Acredito que esse sucesso da startup tem a ver com psicologia tribal. A gente só evolui em grupo, em tribo”, afirma Jacobson. “Não importa quem você é: qualquer profissional, estudante ou usuário pode ser mais produtivo usufruindo dessa estrutura que criamos. No final das contas, isso só prova que, juntos, podemos ser melhores.”

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