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“A crise da saúde não será transformada em uma crise fiscal sem precedentes”, diz Paulo Guedes

O ministro da Economia afirmou que negocia ampliação do acordo de socorro aos Estados, mas que a contrapartida tem de ser o congelamento dos salários dos servidores públicos por dois anos. Ele disse ainda que as reformas voltam ao radar no segundo semestre e que a saída da crise é via investimentos privados

 

O ministro da Economia, Paulo Guedes

O ministro da Economia Paulo Guedes disse que o governo está fazendo todo o esforço para liberar recursos para a saúde e para os mais necessitados, bem como para empresas, Estados e municípios. Mas deixou claro que a “crise da saúde não será transformada em uma crise fiscal sem precedentes”.

A declaração foi dada durante uma live organizada pelo BTG Pactual, no qual o entrevistador foi Eduardo Guardia, sócio da asset do banco e ex-ministro da Fazenda na gestão de Michel Temer. “Não pode faltar dinheiro para a saúde, mas também não pode virar farra eleitoral”, disse Guedes.

Durante a live, Guedes disse que o governo já se comprometeu em mais de R$ 700 bilhões em medidas emergenciais para enfrentar a crise sanitária e econômica.

O ministro da Economia Paulo Guedes informou também que está negociando um novo acordo com governadores e prefeitos para aumentar o socorro aos Estados e municípios, mas afirmou que a contrapartida tem de ser o congelamento dos salários dos servidores públicos por dois anos.

Segundo Guedes, o governo ofereceu a governadores e prefeitos um pacote de repasses que chegava a mais de R$ 88 bilhões. Os recursos teriam sido considerados suficientes. Mas depois, em uma nova rodada de conversas, os pedidos aumentaram e o impacto aos cofres públicos, segundo cálculos de Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, seria de R$ 220 bilhões

“É não-republicano. Não pode ser assim. Nós não vamos comprometer o futuro do Brasil”, disse o ministro da Economia. “Eu vou até a margem do rio, mas não cruzo o rio da irresponsabilidade fiscal.”

De acordo com Guedes, os salários dos funcionários públicos cresceram 50% acima da inflação nos últimos 17 anos. “Será que os funcionários públicos poderiam dar essa contribuição e ficar sem aumento esse ano e o ano que vem?”, questionou o ministro.

“Eu vou até a margem do rio, mas não cruzo o rio da irresponsabilidade fiscal”

Ele afirmou que, desde que assumiu, está trabalhando para reduzir os principais gastos incontroláveis do Estado. O primeiro deles era o da Previdência, que foi controlado com a reforma da Previdência, aprovada no ano passado.

A segundo torre, como se referiu Guedes, era os juros da dívida. Com a sua redução, ele afirmou que vai pagar R$ 120 bilhões a menos de juros esse ano.

O terceiro fator era exatamente os salários dos funcionários públicos, que Guedes acredita que pode atacar agora em meio à crise do coronavírus.

“Está na hora de dar uma contribuição. Vamos fazer um favor para os brasileiros: vamos ficar sem pedir aumento por dois anos?”, perguntou Guedes. Ele mesmo concluiu. “Tenho certeza que sim. São funcionários exemplares e extraordinários.”

Retomada rápida

Guedes defendeu que a economia brasileira deve ter uma retomada rápida em V. Mas que a capacidade de acelerar esse “escape” vai depender, segundo o ministro, das reformas estruturais. “Vamos acelerar as reformas”, disse.

Ele citou o Marco Legal do Saneamento Básico, que antes da crise estava praticamente pronto para ser aprovado no Senado. O ministro também falou da medida que torna o Banco Central independente e reforçou a questão de privatizações e de concessões, em especial do setor de óleo e gás.

“O que vai tirar o Brasil dessa armadilha do baixo crescimento é a reativação do investimento. E para ter investimento precisa de um bom ambiente de negócio, impostos mais simples e mais baixos e uma legislação favorável a negócios”, afirmou Guedes.

“O que vai tirar o Brasil dessa armadilha do baixo crescimento é a reativação do investimento”

Segundo o ministro, a saída da crise será através dos investimentos privados. “Precisamos de respostas privadas para problemas públicos”, disse Guedes. “Tivemos muitas respostas públicas para problemas privados.”

Guedes, no entanto, não explicou de que forma isso acontecerá. Em especial, em um momento em que boa parte das empresas está lutando para sobreviver e para preservar o caixa em meio à crise econômica provocada pelo coronavírus.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o governo de Donald Trump aprovou um pacote de US$ 2,2 trilhões para enfrentar os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19. A medida incluiu US$ 500 bilhões para ajudar indústrias afetadas.

O ministro da Economia afirmou também que não irá aumentar os impostos para resolver a questão fiscal. “Nós acreditamos que o Brasil tem impostos demais. É um cipoal, é um manicômio tributário”, afirmou Guedes.

Gudes não quis prever quando o isolamento social deve acabar, alegando que essa é uma decisão das autoridades de saúde. Mas afirmou que trabalha para preservar o que chama de “sinais vitais” da economia e que isso não significa sair do isolamento social agora.

Para ele, porém, é preciso programar a saída dessa situação, defendida por governadores e prefeitos para conter o avanço da Covid-19.

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