O Google sofreu um revés em seus planos para o mercado de serviços financeiros, em um momento em que as autoridades regulatórias globais aumentam a pressão contra condutas monopolistas das big techs.

As autoridades antitruste da Suécia condenaram o Google a pagar quase US$ 2 bilhões à Klarna, após a empresa sueca de pagamentos digitais acusar a companhia americana de utilizar seu poder de mercado para dificultar a competição na oferta de serviços financeiros digitais.

A Klarna, que atua no crediário digital, com o serviço "buy now, pay later", alegou que o Google prejudicou seu serviço de comparação de preços, o PriceRunner, adquirido em 2022, em buscas realizadas no Reino Unido, na Suécia e na Dinamarca entre 2008 e 2023. A companhia sueca cobrava uma indenização de quase US$ 8,2 bilhões.

Segundo a fintech, o Google apresentou seu próprio serviço de comparação de preços de forma mais vantajosa em relação aos concorrentes em sua página de resultados de pesquisa. A empresa ainda pode recorrer da decisão.

Nos últimos anos, o Google vem investindo em serviços financeiros, buscando integrar soluções de pagamentos e crédito digital ao seu ecossistema. A empresa conta com o Google Pay, plataforma de pagamentos digitais que permite transações em lojas físicas e online, e o Google Plex, conta digital integrada ao ecossistema da companhia que oferece recursos bancários básicos sem tarifas.

Além disso, o Google tem investido em soluções de crédito e em parcerias com instituições financeiras para expandir sua atuação em serviços financeiros digitais, fortalecendo seu portfólio e a integração com seus produtos existentes.

A decisão das autoridades suecas representa uma das maiores ações já tomadas contra supostas ações anticompetitivas por parte das big techs, reforçando uma tendência internacional de maior escrutínio sobre as práticas de mercado das empresas de tecnologia.

O Google é uma das empresas que vêm sentindo o peso da atuação das autoridades regulatórias ao redor do mundo. No ano passado, a companhia foi condenada por um juiz no estado americano da Virgínia por deter o monopólio no segmento de publicidade online.

Também em 2025, a Amazon fechou um acordo com autoridades americanas para pagar uma multa de US$ 2,5 bilhões e encerrar um processo no qual era acusada de utilizar métodos enganosos para inscrever consumidores em seu serviço de streaming e tornar o cancelamento extremamente difícil.

Para a Klarna, a vitória ocorre em um momento em que a empresa vem se consolidando como uma das maiores plataformas de pagamentos digitais do mundo, especialmente no segmento de buy now, pay later. A companhia tem acelerado seu crescimento global, ampliando sua base de clientes e diversificando seus produtos.

Fundada na Suécia, a Klarna abriu seu capital na Bolsa de Valores de Nova York, em setembro do ano passado, levantando US$ 1,4 bilhão, com uma avaliação de US$ 15 bilhões. Perto das 12h, as ações da empresa subiam 3,28%, a US$ 20,91, acumulando queda de 26,8% no ano, resultando em um valor de mercado de US$ 7,9 bilhões.

Com uma base de clientes que ultrapassa dezenas de milhões de usuários, a companhia tem investido em inovação e expansão internacional, buscando consolidar sua liderança em soluções de pagamento, crédito digital e serviços financeiros integrados.

Nessa estratégia, a comparação de preços é central, considerando que o comércio eletrônico deverá passar por uma disrupção com o avanço dos agentes de inteligência artificial (IA), que tendem a desempenhar um papel cada vez mais relevante nos pagamentos e nas decisões de compra dos consumidores.

As ações da Alphabet avançavam 1,26%, a US$ 357,78. No ano, os papéis sobem 13,5%, gerando um valor de mercado de US$ 4,4 trilhões.