A empresa global de reparos automotivos Belron, conhecida mundo afora por marcas como Autoglass, Carglass e Safelite, avalia um IPO no próximo ano com valuation mirando mais de € 30 bilhões (perto de R$ 180 bilhões), segundo a Bloomberg.
Fundada na África do Sul e hoje sediada na Bélgica, a Belron faturou € 6,7 bilhões (US$ 7,8 bilhões) no último ano, atendendo mais de 17 milhões de veículos em praticamente todos os continentes, por meio de 3.500 unidades espalhadas pelo mundo.
A companhia é controlada metade pelo conglomerado belga D'Ieteren Group e metade por fundos de private equity, como Clayton Dubilier & Rice, Hellman & Friedman, o fundo soberano de Singapura GIC e a gestora BlackRock.
A empresa é comandada desde 2023 pelo brasileiro Carlos Brito, o mesmo executivo que liderou a consolidação da AB InBev em uma das maiores cervejarias do mundo. Brito deixou a AB InBev em 2021 após quase quintuplicar o valor de mercado da cervejaria, para US$ 141 bilhões, e embolsar mais de US$ 200 milhões em salário e venda de ações ao longo da carreira. Após recusar convites para cadeiras em conselhos, agora, tem a missão de levar a Belron à bolsa.
As especulações sobre a abertura de capital da Belron não são novas. Segundo o Financial Times, a Belron já vinha em conversas preliminares com bancos desde o início do ano para uma eventual listagem no segundo semestre – o que não se concretizou.
Ainda de acordo com o jornal britânico, Amsterdã desponta como a praça preferida dos acionistas, superando a alternativa de Nova York, mas nenhuma decisão final ainda foi anunciada. Bruxelas, sede do maior acionista da Belron, nunca esteve de fato na disputa, já que o mercado local é considerado pequeno demais para uma oferta desse porte.
Nos bastidores, a companhia vinha adotando medidas típicas de preparação para uma oferta pública, como o refinanciamento de duas grandes linhas de crédito — movimento lido pelo mercado como uma "arrumação de casa" pré-IPO.
A Belron é hoje o ativo mais valioso do portfólio da D'Ieteren, respondendo por 72% do patrimônio líquido do grupo belga e por mais da metade de seu lucro operacional. A empresa, que opera em 40 países com cerca de 30 mil funcionários, também estabeleceu metas ambiciosas para os próximos anos: mira expandir sua margem operacional para mais de 25% até 2028, ante os atuais 21,2%, com crescimento de receita na casa de dígito único médio a alto.
Do total de € 6,7 bilhões faturados pela Belron em 2025, a maior fatia vem de sua operação nos Estados Unidos: a Safelite, marca líder no mercado americano de reparo e troca de para-brisas, responde por cerca de 55% das vendas globais do grupo, segundo estimativas do Financial Times.
O restante da receita se distribui principalmente entre a Europa e mercados menores como Reino Unido e Irlanda, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. No Brasil, a Belron atua por meio da marca Carglass, presente no país há cerca de 30 anos.
Em 2015, porém, a companhia vendeu 60% de sua participação na Carglass Brasil para a gestora Advisia Investimentos, por R$ 4,8 milhões (cerca de € 1 milhão à época), e desde então contabiliza a operação brasileira apenas pelo método de equivalência patrimonial em seu balanço.