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Em seu batismo no mercado de capitais, Mosaico quer mostrar que tem “conteúdo”

Em sua primeira divulgação de resultado depois do IPO, a empresa, dona dos sites Buscapé, Zoom e Bondfaro, diz que vai reforçar o conteúdo com aquisições. Estratégia conta ainda com o lançamento da sua plataforma de cashback, em maio

 

Mosaico vale R$ 2,8 bilhões na B3

Dona dos sites de comparação de preços Zoom, Buscapé e Bondfaro, a Mosaico está acostumada a sugerir produtos e lojas virtuais com as melhores opções para o bolso dos consumidores. Com essa proposta, a empresa fez seu IPO, em fevereiro, e captou R$ 1,25 bilhão.

Prestes a completar dois meses como empresa listada no Novo Mercado, a empresa apresentou na noite da quinta-feira, 25 de março, seu primeiro balanço sob o novo status. E, a partir desse batismo, destacou os caminhos que irá seguir para se consolidar como uma oferta atraente também para os investidores.

“A expansão do nosso conteúdo, tanto editorial como de ofertas, é um dos nossos projetos estratégicos para 2021”, disse Thiago Flores, CEO da Mosaico, em conferência com analistas na manhã desta sexta-feira. “Já começamos esse trabalho em 2020, mas vamos acelerar ainda mais neste ano.”

Nesse contexto, Flores ressaltou a evolução do número de ofertas disponíveis nas três plataformas do grupo, do terceiro para o quarto trimestre. Nesse intervalo, o volume saiu de 32 milhões para 66 milhões de ofertas.

Uma das vias para concretizar esse plano serão as aquisições, estratégia que foi eleita como um dos destinos dos recursos captados na abertura de capital. “Já estamos conversando com alguns players de conteúdo”, afirmou Flores. “Estamos buscando empresas com aderência ao nosso DNA e cultura.”

O crescimento da equipe dedicada a esse tema é mais um caminho dessa expansão. “Além de ampliar esse time, estamos trazendo um reforço de peso, com a contratação de uma diretora com passagem pela Globo.com e grande experiência nesse mercado”, disse o CEO.

Outra frente que irá contribuir nessa frente é o projeto de evolução da plataforma de big data da companhia, realizado ao longo de 2020. Um dos pontos da iniciativa foi refinar a captura e, por consequência, a base para o desenvolvimento de ofertas mais personalizadas aos mais de 30 milhões de visitantes mensais das plataformas.

Além de conteúdo, outra prioridade da Mosaico é o início da oferta de uma plataforma de cashback para os usuários dos seus produtos e serviços, em parceria com o BTG Pactual, cujo lançamento foi confirmado para maio. O direcionamento dessa estratégia foi antecipado pelo NeoFeed, há duas semanas.

A partir da parceria com o BTG Pactual, Flores disse que, além do cashback, a ideia é oferecer serviços financeiros de acordo com o perfil dos usuários e da abordagem proporcionada por sua plataforma de big data.

“Vamos ser também a plataforma de e-commerce para os clientes do BTG+”, disse Flores, que ressaltou ainda o principal objetivo por parte tanto do lançamento do cashback como do reforço de conteúdo: aumentar a recorrência em seus sites.

“Ter o benefício do cashback vai ser um forte motivador para que os usuários se cadastrem”, afirmou. Hoje, as três plataformas do grupo têm uma base de 23 milhões de cadastros. Para navegar nesses canais não é preciso, no entanto, ser um usuário cadastrado. “Vamos ter acesso a mais dados para refinar nossas ofertas.”

Resultado

Em 2020, ao incorporar os resultados do Buscapé, ativo comprado em 2019, a Mosaico reportou uma receita líquida de R$ 231,3 milhões, um crescimento de 103,1% sobre o exercício anterior.

Já o GVM originado em suas plataformas foi de R$ 4,17 bilhões, um salto de 122,3% na mesma base de comparação. O lucro líquido, por sua vez, recuou 5,5%, para R$ 60,4 milhões, impactado justamente pelo pagamento do empréstimo feito ao BTG Pactual para a aquisição do Buscapé.

A reação do mercado ao primeiro balanço da Mosaico como empresa pública não está sendo positiva na B3. As ações da companhia, avaliada em R$ 2,85 bilhões, estavam sendo negociadas com queda de 7,67% por volta das 12h30. Mesmo assim, os papéis, cotados a R$ 22,16, estão acima do preço fixado no IPO, de R$ 19,80.

Apesar dessa primeira resposta, a XP destacou em relatório sobre a companhia e o balanço que “o melhor está por vir”. A corretora citou que enxerga uma tendência positiva diante de fatores como a sinalização dos principais players de e-commerce de uma manutenção do forte crescimento de GMV no primeiro trimestre. Além de uma demanda reprimida em categorias como eletrônicos e linha branca.

“Além disso, a companhia possui diversas iniciativas que devem contribuir positivamente para os resultados, como o lançamento do cashback em maio de 2021”, escreveram os analistas Danniela Eiger, Gustavo Senday e Thiago Suedt.

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