Mais um banco suíço na praça atrás dos milionários brasileiros

Com US$ 350 bilhões sob gestão em todo o mundo, o Lombard Odier começa operação no País para se aproximar mais dos clientes brasileiros e convencê-los a investir suas fortunas na Europa e na Ásia

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O banco suíço Lombard Odier foi fundado há 225 anos em Genebra

O interesse dos brasileiros por investimentos no exterior anda cada vez maior. Só nos últimos 12 meses, os fundos que investem em empresas lá fora atraíram mais de R$ 36 bilhões em captação líquida, o melhor desempenho entre todos os tipos de fundos de ações, segundo levantamento mensal feito pela Associação Brasileira das Entidades de Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

O resultado é que gestores estrangeiros também estão mais atentos aos investidores locais. O banco suíço Lombard Odier, fundado há 225 anos em Genebra e que trabalha com gestão de fortunas, decidiu desembarcar para valer no Brasil em 2021, com a abertura de um escritório em São Paulo, para se aproximar ainda mais dos milionários brasileiros e convencê-los a investir em outras terras.

O Lombard Odier, que tem US$ 350 bilhões sob gestão em todo o mundo e exige um mínimo de US$ 1 milhão para investimentos, já contava com clientes latino-americanos e brasileiros. Faltava, porém, ter uma operação física.

“Para consolidar o nosso crescimento no Brasil, ficou muito claro que era importante ter uma presença local. O modelo do banqueiro que vê de fora não é sustentável”, disse o chefe de mercados do banco para a América Latina, Matteo Dignola, ao NeoFeed.

O banco não revela quantos clientes tem no Brasil, mas afirma que 5% dos ativos administrados globalmente são de latino-americanos, como parte do um terço que corresponde aos mercados emergentes. Um segundo terço é representado pelos clientes suíços e o último é preenchido pelos demais europeus.

A instituição, que no restante do mundo se divide entre clientes privados e institucionais, no Brasil está focada somente no primeiro perfil. “São famílias, empresários e grandes executivos”, afirmou Dignola. Apesar do mínimo de US$ 1 milhão, ele recomenda pelo menos US$ 5 milhões em investimentos para que o banco possa oferecer uma boa diversificação.

Segundo ele, os brasileiros, quando pensam em investir no exterior, se concentram muito nos Estados Unidos. A ideia do banco é fazer os investidores abrirem um pouco a cabeça. “Nós também investimos nos EUA, mas temos competências específicas para investir na Europa e na China”, afirmou.

Embora a Ásia tenha passado por uma crise nos últimos dias, com as perspectivas de falência da Evergrande, a segunda maior empresa de construção civil da China, com risco de contágio para outros países, Dignola entende que os mercados asiáticos e chineses seguirão com boas opções para investimentos.

“O que provavelmente vai mudar, nos próximos meses, é que, em vez de os mercados serem liderados pelas grandes empresas que acompanhamos nos últimos anos, como Alibaba, teremos de fazer uma análise detalhada para encontrar as outras boas empresas e diversificar”, disse. “Na história do banco, já passamos por mais de 40 crises no mundo. Isso não nos assusta.”

No Brasil, o Lombard Odier se junta a outros bancos suíços que gerem fortunas por aqui, como Credit Suisse e Julius Baer. Segundo a Anbima, estes dois tinham em agosto, respectivamente, R$ 102,7 bilhões e R$ 25,4 bilhões em patrimônio líquido administrados. Números inferiores ao de players brasileiros. O Itaú, por exemplo, soma R$ 759,6 bilhões.

Além deles, o francês BNP Paribas também atua no Brasil com gestão de fortunas e oferece investimentos no exterior. A asset da instituição no País tem R$ 78 bilhões sob administração. O americano Citi, que em 2017 saiu do varejo brasileiro para focar em clientes corporativos, manteve um pé na “pessoa física”, através da gestão do dinheiro de famílias ricas. Segundo a Anbima, o banco tem R$ 8 bilhões em patrimônio líquido administrado.

De acordo com Dignola, um dos objetivos do Lombard Odier é atrair os investidores que estão preocupados com a sustentabilidade, um tema mais caro aos europeus. “Vamos chegar ao cliente e dizer: se a empresa não é uma boa aluna na sustentabilidade, nós aconselhamos sair da aplicação e colocar em outra que esteja muito melhor”, afirmou.

No private banking, ele ressaltou que um dos desafios no Brasil é a questão da liquidez. “Os brasileiros gostam de liquidez imediata e, normalmente, consideramos um tempo de 12 anos para investimentos”, disse. “Mas teremos opções mais flexíveis, com liquidez trimestral.”

Mariella Gontijo, que saiu do private banking do Itaú para assumir o escritório do banco suíço em São Paulo, disse também ao NeoFeed que o foco no longo prazo e na sustentabilidade estão alinhados ao perfil de clientes que estão buscando. “O banco tem o objetivo de perpetuar o patrimônio das famílias para as próximas gerações”, disse.

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