Nubank aumenta receita média, mas inadimplência também cresce

Com receita de US$ 877,2 milhões no primeiro trimestre, o banco digital registrou receita média mensal de US$ 6,7, 63% maior do que há um ano. Inadimplência passou de 2,7% para 4,2% em 12 meses

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O Nubank está avaliado em pouco mais de US$ 20 bilhões

Na divulgação dos resultados financeiros anualizados do Nubank, em fevereiro do ano passado, David Vélez, cofundador e CEO do banco digital do cartão roxo, deixou claro que o objetivo estava em aumentar a receita média dos correntistas. Agora, a primeira prova de que isso é possível parece ter sido dada.

Nesta segunda-feira, 16 de maio, a Nu Holdings, que controla o banco digital, divulgou os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2022 com crescimento de 63% na receita média mensal por cliente ativo ante o primeiro trimestre do ano passado para US$ 6,7.

No total, a receita atingiu US$ 877,2 milhões no período, alta de 226%. Ao todo, o banco tem 59,6 milhões de clientes.

A receita recorde foi destacada por Vélez durante o comentário de resultados. “Foi o melhor trimestre da história do Nubank”, disse o fundador do Nubank. “O resultado foi impulsionado pela avançada modelagem de riscos e pela concessão de crédito disciplinada e resiliente, especialmente com as atuais condições macroeconômicas.”

O mercado estava pessimista com os resultados do banco digital. As ações do Nubank fecharam em queda de quase 9,4% nesta segunda-feira. Desde o começo do ano, as papéis já caíram mais de 56%. O Nubank fechou o dia avaliado em pouco mais de US$ 20 bilhões.

Após o fechamento do pregão, as ações eram negociadas com alta de 4% por volta das 20h30. Em determinado momento, as ações chegaram a subir mais de 8% no after market.

Em outros números, o lucro ajustado ficou em US$ 10,1 milhões no primeiro trimestre contra um prejuízo de US$ 13,1 milhões no mesmo índice no ano passado. O banco digital também registrou prejuízo líquido de US$ 45,1 milhões, 8,7% menor do que os US$ 49,4 milhões registrados no primeiro trimestre do ano passado.

Vélez destacou que apesar de as receitas tenham aumentado, elas ainda representam apenas uma fração do que os grandes bancos obtêm com seus clientes. “Apesar do forte crescimento das receitas ano a ano, nós ainda fazemos seis vezes menos receitas por cliente do que os grandes bancos de varejo”, disse Vélez.

A diferença entre o prejuízo líquido e o lucro ajustado é que, no segundo caso, a conta não inclui valores destinados a Reserva Legal e a de Contingências. O valor ainda soma as reservas anteriores que não foram utilizadas durante o ano anterior. O lucro ajustado é utilizado como base de cálculo para a distribuição de dividendos.

Com 5,7 milhões de clientes conquistados no primeiro trimestre, o banco digital também viu a taxa de clientes ativos aumentar de 69% para 78% no intervalo de 12 meses, totalizando 46,5 milhões de clientes ativos. A carteira de crédito subiu 417% no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado para US$ 3,1 bilhões.

Houve também aumento da inadimplência, que ficou em 4,2%, acima dos 3,5% do quarto trimestre, e do percentual de 2,7% nos primeiros três meses de 2021 considerando atrasos acima de 90 dias. Por outro lado, a taxa consideravelmente menor do que o pico de 6% registrado no segundo trimestre de 2020.

Para efeito de comparação, a inadimplência acima de 90 dias do Itaú Unibanco passou de 2,5% para 2,6% nos dois últimos trimestres.

O aumento da inadimplência fez o banco digital reforçar sua previsão para devedores duvidosos em US$ 921 milhões para o primeiro trimestre. O provisão é 35% maior do que o registrado em março do ano passado.

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