Negócios

O Big saiu barato. É o que diz o CEO do Carrefour Brasil

Com a compra da rede por R$ 7,5 bilhões, o grupo varejista francês pagou R$ 19,3 milhões por loja do Big. Se crescesse de forma orgânica, gastaria R$ 50 milhões. Noël Prioux, CEO do Carrefour no Brasil, explica o negócio

 

Noël Prioux, CEO do Carrefour no Brasil

Na madrugada desta quarta-feira, 24 de março, a divulgação da compra do Big (antigo Walmart) pelo Carrefour surpreendeu o mercado. Não apenas pelo valor envolvido, de R$ 7,5 bilhões, mas também pelos potenciais efeitos no setor, em especial, sobre o Pão de Açúcar, maior rival da rede francesa no País.

Apesar da surpresa, as negociações não aconteceram da noite para o dia. E sim a partir do segundo semestre de 2020, quando Advent e Walmart, sócios no Big, começaram a avaliar, em paralelo, duas opções de saída da operação: a venda para um sócio estratégico ou uma abertura de capital, cujo protocolo foi registrado na B3 em outubro do ano passado.

“A decisão de vender o negócio partiu deles”, afirmou Noël Prioux, CEO do Carrefour no Brasil, em conferência com jornalistas, neste manhã. “Mas, desde o início, o Carrefour manifestou seu interesse em comprar a operação.”

Com a negociação selada, os executivos do Carrefour destacaram um ponto específico no acordo. “Na nossa percepção, o preço da transação foi muito atrativo”, afirmou Sébastien Durchon, vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores da varejista francesa no Brasil.

Além da complementaridade geográfica e do acesso a marcas fortes e a diferentes formatos de varejo, uma conta ajuda a explicar o saldo positivo dessa equação. Ao incorporar as 387 lojas do Big, o Carrefour pagou, na prática, R$ 19,3 milhões por cada unidade da rede.

Caso optasse por investir em uma expansão orgânica, o desembolso seria muito maior do que o que foi realizado na aquisição. “Hoje, em média, a abertura de uma loja custa mais de R$ 50 milhões. E isso sem contar o preço do terreno”, disse Prioux.

Outro componente ressaltado foi o ativo imobiliário do Big, avaliado por uma auditoria externa em R$ 7 bilhões e cujas sinergias não estão incluídas na estimativa de ganhos conjuntos de R$ 1,7 bilhão três anos após a conclusão da operação.

“No Carrefour, sempre achamos que é importante ser dono das lojas”, afirmou Durchon. “Nós analisamos com carinho esse ativo no acordo. Mas vamos aguardar o fechamento para avaliar com mais detalhes as possibilidades do que podemos fazer.”

Entre essas alternativas, o executivo não descartou investir em modelos similares ao projeto que foi anunciado há cerca de duas semanas pelo Carrefour. Em parceria com a WTorre, a rede divulgou a criação de um complexo comercial e residencial com 320 mil metros quadrados no bairro de Pinheiros, em São Paulo. O centro em questão contará com um hipermercado da varejista.

Já sobre o financiamento da aquisição, o executivo ressaltou que o pagamento inicial de R$ 900 milhões, previsto para os próximos dez dias, será feito a partir de recursos próprios da operação brasileira, que encerrou 2020 com R$ 5,6 bilhões em caixa.

“Quanto aos 70% restantes, a serem pagos em dinheiro, iremos tomar em novas linhas de dívida”, afirmou Duchon. “E a abordagem é muito simples. Vamos buscar o preço mais barato, seja no Brasil ou fora do País.”

Os executivos também ressaltaram que não esperam grandes entraves na aprovação do acordo por parte do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), dada a complementaridade geográfica das duas redes. E informaram que, no fechamento do negócio, a Advent e o Walmart deterão, respectivamente, cerca de 4% e 1% da operação.

Como esperado, o mercado está reagindo bem ao anúncio. As ações do Carrefour estavam sendo negociadas com alta superior a 11% no pregão da B3, cotadas na faixa de R$ 21,30. Levando-se em conta o preço de fechamento da terça-feira, os papéis acumulam alta de pouco mais de 1,6% em 2021.

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