O prĂłximo dia 15 de julho marca a estreia da segunda fase do open banking, com o inĂcio do compartilhamento de dados e de transações bancárias de pessoas fĂsicas e empresas entre as instituições financeiras.
Dentro do calendário proposto pelo Banco Central, outras modalidades serão incorporadas a esse novo conceito até o fim do ano. Entre elas, a área de investimentos. Mas, no mercado, já quem esteja se movimentando para sair na frente antes dessa alternativa se tornar uma realidade.
É o caso do ItaĂş Unibanco, que irá incorporar a função de agregador de investimentos ao Ăon, seu app de investimentos. Antecipada ao NeoFeed, a chegada do recurso vai permitir que os usuários visualizem na plataforma todos as suas aplicações, sejam eles no escopo do ItaĂş ou de outros bancos e corretoras.
“Uma das principais demandas dos clientes é ver todas as suas aplicações no mesmo lugar”, afirma Carlos Constantini, diretor da área de gestão de recursos do Itaú Unibanco, em entrevista ao NeoFeed. “E nós estamos nos antecipando ao open banking e oferecendo isso desde já.”
Lançado em outubro de 2020 e ainda restrito aos clientes do universo do ItaĂş Unibanco, o Ăon vem sendo desenvolvido como um MVP (Minimum Viable Product), com atualizações constantes. Todas elas tĂŞm como ponto de partida os comentários e retornos dos cerca de 70 mil usuários do aplicativo.
“No momento, o agregador está em uma versĂŁo beta, para testar se está funcionando corretamente”, diz Claudio Sanches, diretor de produtos de investimento e previdĂŞncia do ItaĂş Unibanco. “A ideia Ă© que atĂ© o fim do mĂŞs essa funcionalidade já esteja disponĂvel para toda a base de usuários do banco.”
A partir do recurso, quem já usa o Ăon vai poder determinar quais aplicações mantidas em outras instituições quer visualizar no aplicativo. A abordagem está em linha com os preceitos do open banking, que irá deixar na mĂŁo do usuário a decisĂŁo de quais dados quer compartilhar e com qual instituição.
No que diz respeito ao Ăon, o cliente poderá ainda determinar como irá ver essas informações. O pacote de opções inclui desde visualizar os investimentos de maneira consolidada atĂ© enxergá-los divididos por produto ou instituição.
“Nesse lançamento, estamos integrados a outras dez instituições do mercado”, afirma Sanches, sem revelar o nome das instituições financeiras. “Mas elas cobrem mais de 95% de todo o dinheiro investido no mercado brasileiro de pessoa fĂsica.”

Para viabilizar essa nova funcionalidade, o Itaú Unibanco fechou uma parceria com a Olivia. O banco está embarcando no aplicativo o robô de agregação de investimentos da fintech brasileira, que usa recursos de inteligência artificial e tem o BV, a XP e o fundo BR Startups entre seus investidores.
“O acesso à infraestrutura de open banking será uma commodity”, diz Lucas Moraes, cofundador da Olivia. “A grande oportunidade é como aplicar inteligência nos dados financeiros para criar novas experiências. Nesse ponto, essa parceria é um passo importante para capturar todo esse potencial.”
Squads, simulações e concorrência
O lançamento do agregador será acompanhado por outros dois novos recursos. O primeiro deles Ă© a possibilidade dos clientes da corretora do ItaĂş Unibanco realizarem todas as transações e investimentos dentro do Ăon.
A segunda novidade diz respeito Ă s informações de mercado em um feed de notĂcias, dando sequĂŞncia Ă inspiração em apps e serviços fora do ambiente financeiro. Hoje, o Ăon conta, por exemplo, com conteĂşdos no formato de stories e produtos dispostos de forma muito similar ao catálogo da Netflix.
“Nossa ideia Ă© que a experiĂŞncia dentro do Ăon seja como uma transação de e-commerce”, diz Constantini. Sanchez acrescenta: “Em 2020, fizemos mais de 70 laboratĂłrios para entender o que os usuários queriam e hoje temos 80 squads multidisciplinares para concretizar essas entregas.”
Os próximos passos já em desenvolvimento envolvem uma opção de “check-up”, que ajudará o usuário a entender se sua carteira de investimentos está em linha com os seus objetivos, além da oferta de sugestões pré-definidas de trilhas de investimento, para a realocação das aplicações.
Outra ferramenta em fase de incorporação ao Ăon Ă© a Portfolio Review, plataforma desenvolvida internamente e que já Ă© capaz de rodar 12 bilhões de simulações para identificar o perfil de risco de cada carteira e fazer recomendações aos investidores.

“Quando o cliente trouxer os dados de toda a sua carteira para o aplicativo, vamos conseguir fazer essas sugestões de forma holĂstica e mais assertiva”, afirma Constantini. Sanchez completa: “E somos agnĂłsticos. Se o melhor para esse cliente for tirar dinheiro do ItaĂş, essa será a recomendação.”
Parte de uma estratĂ©gia mais ampla da área de investimentos do ItaĂş Unibanco que teve inĂcio há pouco mais de trĂŞs anos, com a abertura do portfĂłlio de investimentos para a oferta de produtos de outras instituições, a estratĂ©gia do Ăon nĂŁo está restrita ao aplicativo em si.
O banco está construindo uma rede de escritĂłrios em todo o PaĂs para apoiar essa oferta. Das 22 unidades atuais, o plano Ă© chegar a 94 atĂ© o fim de 2021 e a 130 em meados de 2022. “O Ăon nasceu como aplicativo, mas hoje se tornou nossa plataforma de investimentos”, diz Constantini.
Ao mesmo tempo, a ideia Ă© triplicar a base atual de especialistas de investimentos dedicados ao atendimento dos investidores que utilizam o aplicativo e formar uma equipe de cerca de 2 mil profissionais nesse perĂodo.
“Vamos começar o lançamento do Ăon, de fato, agora”, ressalta Sanches. “Hoje, o ItaĂş tem cerca de 3 milhões de clientes em investimentos. Nossa meta Ă© fechar o ano com 400 mil a 500 mil deles usando o Ăon.” O plano Ă© estender tambĂ©m o app para quem nĂŁo Ă© correntista do ItaĂş no inĂcio de 2022.
“Fazer esse movimento agora Ă© crĂtico na preparação do terreno para o open banking”, diz Bruno Diniz, sĂłcio da consultoria Spiralem, sobre o agregador de investimentos do Ăon. “Quando essa agenda chegar aos investimentos, eles já podem ter conseguido uma tração e um diálogo com o consumidor.”
A meta do ItaĂş Unibanco Ă© fechar 2021 com uma base de 400 mil a 500 mil usuários no Ăon
Diniz ressalta que o ItaĂş Unibanco nĂŁo Ă© o Ăşnico nome do setor a se adiantar nesse processo. “Eles decidiram fazer isso dentro de casa. Outros, no entanto, buscaram aquisições”, afirma. “E, agora, já nĂŁo há tantos ativos disponĂveis para serem comprados.”
Entre essas opções, ele cita a Gorila, dona de uma plataforma consolidadora de carteiras de investimentos. Fundada em 2016, a startup já captou R$ 35 milhões junto a investidores como Canary, Ribbit Capital, Iporanga Ventures e Monashees.
Do lado de quem está investindo em aquisições, o destaque recente é o BTG Pactual. Em maio, o banco comprou a Universa, holding que, além da Empiricus, reúne operações como o consolidador de carteiras Real Valor. Em março, o BTG já havia adquirido a Kinvo, que também atua no setor, por R$ 72 milhões.
Na corrida para sair na dianteira do open banking em investimentos, outro movimento de consolidação foi realizado pela XP, em junho de 2020. Na época, o grupo comprou uma participação majoritária na Fliper, fintech que também atua com a agregação de investimentos.