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Olivia constrói o seu open banking para chegar ao “primeiro milhão”

Lançado no início do ano, o aplicativo que ajuda a organizar as finanças pessoais com inteligência artificial, planeja chegar a 1 milhão de usuários ativos em 2021. E, para isso, está acelerando a construção de um ecossistema de parcerias e conexões com bancos, corretoras e empresas como Credicard, XP e Easynvest

 

Lucas Moraes, cofundador da Olivia

Desde a adolescência, a velocidade guia os passos de Lucas Moraes. Dos 15 aos 25 anos, ele foi piloto profissional de motocross e se acostumou a cruzar a linha de chegada na primeira posição em competições no Brasil e nos Estados Unidos.

Hoje, aos 29 anos, Moraes corre, porém, em outro circuito. Em 2016, ao lado do colega Cristiano Oliveira, ele começou a formatar o projeto da Olivia, fintech que teve como berço o Vale do Silício, nos Estados Unidos.

Em janeiro de 2020, a startup, que usa inteligência artificial para ajudar os usuários a economizarem seus gastos, chegou ao mercado, com o lançamento oficial no Brasil. E, prestes a completar um ano da operação, quer acelerar o ritmo para alcançar o lugar mais alto do pódio em outra dimensão.

“Nossa visão é ser a maior empresa de dados e inteligência financeira do País”, diz Moraes, ao NeoFeed. Ele ressalta que um trecho importante desse trajeto ambicioso foi cumprido em 2020. “Estamos na pista para chegar a uma base mensal de 1 milhão de usuários ativos.”

Membro da quarta geração da família Ermírio de Moraes, responsável pelo grupo Votorantim, o empreendedor projeta superar essa marca no primeiro semestre de 2021. Segundo os últimos dados divulgados, a Olivia alcançou, em julho, o patamar de 300 mil downloads.

Cada uma dessas pessoas permite que a fintech acesse os dados de suas contas bancárias. A partir dessas informações e do uso de inteligência artificial, o aplicativo traça um perfil de consumo e da vida financeira do usuário, e passa a fazer sugestões para que ele organize suas finanças.

Esse modelo atraiu sócios como a XP e duas rodadas de investimento. A última, de R$ 25 milhões, veio em janeiro, com o lançamento do app. O aporte foi liderado pelo banco BV e teve a participação do fundo BR Startups.

Com o tanque cheio, a Olivia aposta em duas vias para chegar à sua meta. A primeira são as parcerias para embarcar sua tecnologia em produtos e serviços de terceiros. O movimento mais recente foi anunciado em novembro e envolveu a Credicard e seus usuários de cartão de crédito.

Esses consumidores vão receber uma visão detalhada sobre seus gastos. Ao acessar essa base, a Olivia tem um atalho para ganhar escala e reduzir custos na aquisição de clientes. Com esse mesmo viés, a fintech mantém acordos, por exemplo, com o banco BV, para o qual criou o assistente financeiro Bevê.

No segundo modelo de expansão, as parcerias também são a tônica. Aqui, no entanto, a ideia é costurar acordos com bancos e outras empresas para habilitar o acesso da Olivia aos dados e contas dos clientes nessas instituições, sempre com a autorização do consumidor.

Hoje, a Olivia contabiliza 22 integrações, que incluem os cinco grandes bancos e empresas como Nubank e Banco Inter

Hoje, já são 22 integrações, que incluem os cinco grandes bancos e empresas como Nubank e Banco Inter. As mais recentes envolveram o Banco Pan e, em uma nova vertente, as corretoras, a partir da conexão com as contas de investimentos na XP e na Easynvest.

“Vamos ter um tripé de transações financeiras, corretoras e empresas como birôs de crédito e de vale refeição”, diz Moraes. Ele explica que a ideia é aliar o ganho de escala a uma visão 360 graus da vida financeira do usuário, para refinar a análise de dados e extrair insights mais assertivos.

Open banking

Para Bruno Diniz, fundador da consultoria Spiralem, o modelo da Olivia tem boas perspectivas para se popularizar entre os usuários, especialmente em um cenário que passa por questões como o open banking.

“Eles estão encurtando o caminho para os bancos, que gastariam muitos recursos e tempo para montar um motor como esse, já em validação”, afirma Diniz. Ele observa, porém, que a Olivia não é a única a explorar esse espaço e cita, como principal concorrente, o GuiaBolso.

Fundado em 2012, o GuiaBolso enfrentou barreiras como um imbróglio judicial com o Bradesco. Desde então, a startup vem buscando um modelo de receita, ao estruturar um marketplace de serviços financeiros e, mais recentemente, um serviço para competir com birôs de crédito.

“Eles cortaram o mato alto e introduziram esse modelo de assistente financeiro no Brasil”, afirma Diniz sobre o aplicativo, que tem mais de 6 milhões de pessoas cadastradas, embora não revele quantos deles são ativos. “Mas a Olivia conseguiu construir um ecossistema com menos fricções.”

Em 2020, a fintech diz ter gerado uma economia de R$ 13 milhões aos seus usuários, em categorias como transportes e alimentação

Boa parte dos usuários da Olivia tem entre 25 anos e 35 anos, e renda mensal entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Em média, a startup envia 1 milhão de recomendações por mês. Em 2020, a fintech diz ter gerado uma economia de R$ 13 milhões a essa base, em categorias como alimentação e transportes.

Ao lado da receita obtida com acordos como a da Credicard, as sugestões são uma segunda fonte de renda da empresa. A Olivia oferece descontos em várias categorias, também por meio de parcerias. O leque inclui mais de 30 empresas, como Spotify, Burger King e Méliuz.

Em um exemplo desse modelo, a empresa parte da análise dos gastos e dos hábitos de um usuário com alimentação. E recomenda, com base nesse perfil, um restaurante similar ao que ele costuma fazer um pedido, mas com o benefício de um cupom de desconto.

Enquanto costura todas essas estratégias, a Olivia também reserva tempo para a sua operação na Irlanda. O aplicativo desembarcou no país em maio, em uma parceria com a Irish Life, maior fundo de pensão local, com cerca de dois milhões de clientes.

“Passamos por todo o processo regulatório na Europa, que é muito semelhante ao que o BC quer fazer aqui com o Open Banking”, diz Moraes. A fintech já tem no radar possíveis mercados como Portugal, Alemanha, França e Reino Unido. E mantém contato com países da Ásia. “Mas tudo tem seu tempo. Primeiro, vamos escalar e consolidar a Irlanda e, principalmente, o Brasil.”

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