Negócios

Com sinais de retomada, Burger King abre apetite dos investidores

Apesar do prejuízo e da queda na receita, as ações do grupo operam em alta com os sinais de recuperação nas vendas e a perspectiva de volta à normalidade no quarto trimestre. O cardápio inclui ainda projetos em áreas como dark kitchen e delivery próprio

 

Loja do Burger King

O balanço do segundo trimestre do BK Brasil, grupo master franqueado das bandeiras Burger King e Popeyes no País, à primeira vista, prometia uma difícil digestão no mercado.

Com boa parte de suas 909 lojas fechadas ou operando com horários reduzidos no período, a companhia reportou um prejuízo de R$ 186,7 milhões, contra uma perda de R$ 551 mil, um ano antes. A receita operacional líquida recuou 56,7%, para R$ 292,7 milhões.

A reação do mercado, porém, foi na direção contrária. Por volta das 13h40, as ações da empresa operavam em alta de 6,72% na B3. Ao que tudo indica, um cardápio com outros indicadores e projeções ajudou a abrir o apetite dos investidores.

“Essas últimas 20 semanas foram as mais duras que já enfrentamos, mas acreditamos que o pior ficou para trás”, afirmou Iuri Miranda, CEO da BK Brasil, em teleconferência com analistas na manhã desta sexta-feira, 7 de agosto. “Estamos vendo bons sinais de recuperação e já estamos com 90% dos restaurantes reabertos e próximos do patamar de 70% das vendas pré-pandemia.”

Olhando para frente, o executivo ressaltou que, se essa curva for mantida, é possível esperar um resultado substancialmente melhor no terceiro trimestre. “Ainda vai depender muito da velocidade da retomada nas vendas em shoppings, mas vamos ver se é possível voltar perto do break even”, disse. “Mas, no quarto trimestre, aí sim esperamos a volta à normalidade.”

Isso não significa, no entanto, que não haverá outros impactos no curto e médio prazo. De uma média anual histórica de fechamento de 10 a 15 lojas, Miranda disse enxergar em 2020 algo em torno entre 20 a 25 unidades, que dificilmente irão se recuperar dos impactos da Covid-19.

Em contrapartida, ele destacou os sinais de um legado positivo que a pandemia deve trazer. “Mesmo com a recuperação nas vendas do balcão, estamos vendo a manutenção de um volume residual das vendas digitais e de outros canais reforçados na crise”, observou, em uma referência a opções como delivery, totens de autosserviço para a retirada na loja mais próxima e drive-thru.

Entre abril e junho, a receita dos canais digitais, que incluem ainda o aplicativo BK Express, foi de R$ 107,1 milhões, alta de 216,8% sobre o mesmo período de 2019. Já as vendas realizadas especificamente via delivery e drive-thru cresceram, respectivamente, 246% e 132%.

“Mesmo com a recuperação nas vendas do balcão, estamos vendo a manutenção de um volume residual das vendas digitais e de outros canais reforçados na crise”

Em delivery, uma das apostas do grupo foi reforçar as ofertas família, o que contribuiu para um aumento superior a 30% no tíquete médio. Nesse canal, a empresa já mantinha uma parceria com o Uber Eats, e desde dezembro, passou também a trabalhar com iFood e Rappi.

“Ainda temos metade dos restaurantes para incluir na cobertura desses serviços”, disse Miranda. “Não temos dúvida que todas essas alternativas vão seguir crescendo e, por isso, estamos acelerando algumas estratégias”, afirmou Miranda.

Mais opções no cardápio

Uma das iniciativas é um projeto-piloto de dark kitchen, que começa a ser testado no fim deste mês. A companhia não revelou em qual local ficará a operação, que irá integrar cozinhas do Burger King e do Popeyes.

“A ideia é reduzir o tempo de entrega, com uma operação 100% focada em delivery e sem a interferência de outros canais”, disse Mirada, que, além da possibilidade de ampliar a cobertura com menor custo de ocupação, citou outro benefício potencial.

“Queremos testar se esse modelo pode desafogar alguns restaurantes que hoje estão sofrendo com a pressão do volume de pedidos de balcão e de delivery”, afirmou. “Hoje, quando vemos essas duas curvas, os horários de pico não são muito diferentes.”

Outro plano, que se conecta ao projeto de dark kitchen, é expandir o delivery próprio, hoje disponível em 20 lojas e viabilizado pelo BK Express. A orientação é trabalhar melhor a base de 25 milhões de downloads conquistada pelo app, que geraram mais de 7 milhões de cadastros completos de usuários.

“É um canal a mais, que pode trazer um público incremental que hoje não está nos serviços dos nossos parceiros”, destacou o executivo. “Vamos testar a integração dos sistemas, a logística de entrega e a combinação com a dark kitchen.”

O aplicativo BK Express tem uma base de 25 milhões de downloads

O volume de usuários que baixaram o aplicativo também se conecta com mais uma vertente que deve ganhar mais peso nos próximos meses. O uso de recursos como análises de dados e inteligência artificial para oferecer promoções mais personalizadas a esses consumidores.

“Temos uma avenida de evolução no digital bastante interessante”, frisou Miranda. “Mas estamos trabalhando todo um ecossistema para conectar o online e o offline. Nesse cenário, todos os formatos terão sua relevância.”

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