Negócios

Bradesco enxuga estrutura e mira receitas além do negócio tradicional

O banco espera capturar os benefícios de uma agenda intensa de redução de custos, que passa pelo fechamento de 1,1 mil agências no ano, a partir de 2021. E enxerga boas perspectivas em uma série de negócios no entorno de sua atividade principal

 

Octavio de Lazari Junior, presidente do Bradesco

Não são poucos os projetos em andamento no Bradesco. Das iniciativas digitais ao fortalecimento do portfólio de negócios sob o seu guarda-chuva, o segundo maior banco privado do País não vem medindo esforços para adequar sua operação às novas dinâmicas de competição no setor.

Como parte desse plano, o banco promoveu uma agenda intensa de redução de custos nesse ano, em meio aos desafios da pandemia. E, a partir dos últimos ajustes de maior escala previstos para esse quarto trimestre, prevê começar a capturar plenamente os frutos dessa estratégia em 2021.

“Para nós, redução de custos virou religião”, disse Octavio de Lazari Junior, presidente do Bradesco, em teleconferência com analistas. “Agora, no quarto trimestre, nós terminamos de cortar o mato alto. E, a partir de 2021, será tiro de sniper. Iremos no detalhe de cada área para sermos mais eficientes.”

Sob essa orientação, no terceiro trimestre, o Bradesco reduziu as despesas de pessoal em 13,3% e as administrativas em 7,9%. No acumulado de janeiro a setembro, as despesas operacionais ficaram em R$ 34,9 bilhões, 3,9% inferiores ao montante de igual período, um ano antes.

Parte dessas iniciativas envolveu o enxugamento de estruturas e prédios administrativos, além da rede de agências. No trimestre, o Bradesco fechou 372 agências, encerrando o período com 3.795 pontos. No fim de 2019, eram 4.478 unidades.

“Vamos fechar 2020 com uma redução total de 1,1 mil agências”, afirmou Lazari. “Boa parte delas será convertida em unidades de negócios, agências satélites, e mais de 400 encerrarão operações”, acrescentou o executivo.

No modelo de agências satélites, os pontos são vinculados a agências com operação completa. O formato elimina custos como tesouraria, carro forte e vigilância. O quadro de funcionários é 100% voltado a produtos e serviços. E a redução de custos em relação a uma unidade tradicional varia entre 30% e 40%.

Segundo Lazari, esse movimento já vinha em curso desde o início do ano. Mas foi aprofundado com a aceleração da tendência de digitalização dos clientes, na trilha da pandemia. Com a adoção do home office – hoje, 95% do quadro administrativo do banco permanece nesse modelo, o Bradesco constatou que era possível dar mais velocidade a esse processo.

Ele citou, por exemplo, os 11 prédios administrativos que o Bradesco mantinha, antes da Covid-19, em Curitiba. “Antes, era complexo reduzir essa estrutura, mas com a pandemia e nosso pessoal em home office, nós conseguimos fazer”, afirmou. Hoje, são apenas dois prédios na capital paranaense.

“Nossa estrutura de custos ainda é grande”, afirmou Lazari, ao comparar os R$ 34,9 bilhões de despesas no acumulado do ano com o faturamento de R$ 46,5 bilhões do Bradesco no mesmo período. “Precisamos ter um custo adequado à nova realidade que as corporações vão enfrentar.”

No caso específico dos bancos e, claro, do Bradesco, essa nova realidade passa pelo lançamento do PIX, plataforma de pagamentos instantâneos do Banco Central que carrega, entre outras questões, o potencial de reduzir as receitas das instituições em operações como TEDs e DOCs.

Lazari observou que a redução de custos pode minimizar os efeitos de uma eventual queda de receitas. Ele ressaltou, porém, a expectativa de que o PIX não tenha um impacto substancial no curto e médio prazo.

“O PIX pode ser um detrator da receita de serviços, mas de maneira muito marginal”, afirmou. “As pessoas não vão sair usando no lugar do TED e do DOC. Há uma curva de aprendizado. E à medida que ele for sendo mais utilizado, outros negócios do banco irão compensar.”

Nesse contexto de preparação para o novo cenário, Lazari ressaltou que a dinâmica das receitas do Bradesco no futuro passa, necessariamente, por negócios que estão crescendo no entorno da atividade principal da instituição.

Uma das operações destacadas por ele foi o braço de seguros, previdências e capitalização. Outros negócios em alta na cotação do executivo são o banco digital Next, que encerrou o trimestre com 3,2 milhões de contas ativas, e a unidade de consórcios, que fechou o período com R$ 80,2 bilhões em cartas de crédito.

O pacote inclui ainda negócios como a recém-lançada carteira digital Bitz, a Àgora Investimentos, com 490 mil clientes, e o aplicativo do banco, que encerrou o trimestre com 685 mil contas e prevê fechar o ano superando a marca de 1 milhão. “Temos uma série de fees adicionais que estamos desenvolvendo e que vão nos trazer mais resultados”, afirmou.

Resultado

No terceiro trimestre, o Bradesco apurou um lucro líquido recorrente de R$ 5 bilhões, queda de 23,1% na comparação anual, mas 29,9% superior ao reportado no segundo trimestre. No período, a carteira de crédito expandida do banco cresceu 11,7% em relação a igual período, um ano antes, para R$ 664,4 bilhões.

No saldo das operações de crédito, em pessoa jurídica, as linhas recuaram 1% em relação ao segundo trimestre, para R$ 421 bilhões. A queda foi puxada, especialmente, pelo segmento de grandes empresas, que recuou 5% na mesma base de comparação. Já a frente de micro, pequenas e médias empresas avançou 9,9%, para R$ 126,2 bilhões.

As ações do Bradesco operavam em queda de 4% por volta das 13h20. No ano, os papéis do banco, avaliado em R$ 169 bilhões, acumulam um recuo superior a 41%.

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