A Domo.VC anunciou o lançamento de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) com potencial para atingir até R$ 100 milhões destinados a startups.

A iniciativa marca a estreia da vertical de crédito estruturado da gestora de venture capital, que pretende utilizar soluções de crédito estruturado para ajudar empresas que precisam de capital de giro sem diluir sua base de acionistas.

“Somos investidores de fase early stage dessas companhias, dando o primeiro impulso”, diz Eduardo Bierrenbach, sócio da Domo.VC e head da área, ao NeoFeed.

“Só que, entre esse investimento e a Série A, as startups passam por uma fase de escala em que é importante ter acesso a capital para as operações, mas as opções disponíveis no mercado não são as melhores”, complementa.

O FIDC contará com três classes de cotas: subordinada júnior (10%), mezanino (30%) e sênior (60%), com a Domo e as startups cedentes participando da cota subordinada. A remuneração-alvo da cota sênior é CDI mais 5,5%, e a da mezanino, CDI mais 8%.

Destinado a investidores qualificados, o fundo conta com a Vórtx como administradora e a Bertha Capital, casa com mais de R$ 600 milhões em ativos sob gestão, como gestora responsável por selecionar os recebíveis das investidas da Domo que serão incluídos no fundo.

A perspectiva é de que o fundo atinja os R$ 100 milhões entre 15 e 18 meses. No formato desenhado pela Domo, a gestora fará chamadas de capital aos investidores que já comprometeram recursos, à medida que os recebíveis forem incorporados ao fundo.

O veículo será direcionado, inicialmente, às 104 startups do portfólio da gestora, incluindo Fretadão, MeuTudo, Mission, Willfly e Nuvidio, com a Bertha responsável por definir quais recebíveis serão destinados ao fundo.

Primeira iniciativa da área de crédito estruturado, o FIDC busca atender uma demanda dos investidores: obter recursos para capital de giro sem abrir mão de equity nem pagar caro por isso.

Uma rodada subsequente dilui o fundador e amplia o captable, além de ser um processo que leva tempo para ser concretizado e que, se realizado no momento errado, pode prejudicar o valuation da companhia.

“O dinheiro de equity é considerado o mais caro porque você está entregando sua empresa para alguém”, diz Bierrenbach. “Equity é mais adequado para rodadas de investimento voltadas a impulsionar o crescimento.”

A dívida traz a questão do custo financeiro, que pesa em um momento de juros muito elevados. Bierrenbach destaca ainda que poucos bancos realizam transações com startups, porque são empresas que, muitas vezes, possuem teses e formatos às vezes heterodoxos, já passaram por pivôs estratégicos e nem sempre contam com a governança exigida, como balanços auditados.

No caso do venture debt, além da questão do custo, Bierrenbach afirma que sempre há um kicker relacionado à participação no equity da empresa, seja por meio de bônus de subscrição, garantias pessoais dos sócios ou recebíveis futuros. “E qualquer dívida hoje tem IOF, que está pesado”, diz Bierrenbach.

A Domo decidiu iniciar sua operação de crédito estruturado com um FIDC justamente por ser um veículo com custo menor e não diluir as empresas, ajudando a reduzir o descasamento entre os prazos de pagamento e de recebimento. Além disso, trata-se de um formato que ganhou espaço em um cenário de juros elevados e de maior cautela do mercado em relação a eventos de crédito.

“O FIDC também foi o que mais se encaixou porque são empresas que, embora estejam no começo, já se encontram em uma fase de escala, com clientes, receita e recorrência”, afirma Bierrenbach.

Ele conta que a ideia é que esse FIDC seja o flagship, com a Domo vislumbrando uma segunda série de cotas no futuro e até novos fundos. A intenção é também oferecer, mais adiante, outros tipos de produtos, como operações de securitização, mediante a contratação de uma securitizadora, sempre com o objetivo de prover capital para as necessidades do dia a dia.

“O que a gente foca são estruturas de mercado de capitais, independentemente de quais sejam”, afirma Bierrenbach. “O foco é trazer, para cada momento, a melhor estrutura possível para atender a empresa.”