A healthtech DIO Inteligência levantou R$ 4 milhões em uma rodada seed para sua tese de inteligência artificial (IA) em diagnósticos odontológicos, que atraiu a Triaxis Capital, a Crescera Capital e Renato Velloso, cofundador da Odontoprev e ex-CEO da dr.Consulta.

As gestoras lideraram a rodada com recursos do Criatec IV, fundo de R$ 300 milhões, cogerido pelas duas casas e que conta com recursos do BNDES. Velloso, que participa do board advisory da companhia, também fez um aporte, assim como Guilherme de Leon, fundador do Grupo Contraste, empresa de radiologia odontológica e primeiro investidor-anjo da DIO.

Dentista de formação, Velloso conta ao NeoFeed que o que o atraiu na tese da DIO é a capacidade da tecnologia desenvolvida, que traz muito mais precisão nos diagnósticos, ajudando os dentistas a realizarem o tratamento de forma adequada e possibilitando que o paciente entenda sua situação e planeje o tratamento.

“Apenas 60% da população do Brasil tem acesso à odontologia e a maior parte dos tratamentos não é convertida”, diz Velloso. “O software demonstra para o dentista tudo o que precisa ser feito, com rapidez e facilidade. Ele traz uma padronização e ajuda o dentista, didaticamente, a convencer e converter o tratamento do paciente.”

Fundada pelo brasileiro Caio Mathias e pelo estoniano Ra Ringvee em 2020, a DIO desenvolveu um software que analisa imagens de radiografias com IA para entregar um diagnóstico de questões que vão desde cáries até câncer bucal. A plataforma consegue apresentar o resultado entre dez e quinze segundos após o upload e conta com cerca de 90% de exatidão na maioria dos casos.

Além do mapeamento completo, com os achados demarcados visualmente, o software apresenta indicações de tratamento e laudo padronizado, ajudando na tomada de decisão do dentista. “A gente fala que é tipo um Waze da odontologia”, diz Mathias, COO da DIO.

Ele conta que conheceu Ringvee, que estava no país por conta de um intercâmbio estudantil na Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP (FEA-USP), em 2018, sendo apresentados por amigos em comum.

Formado em Direito, Mathias trabalhava com o pai, que criou uma escola de pós-graduação para dentistas. Nessa experiência, ele se deparou com a questão da falta de consistência nos diagnósticos. Ele e Ringvee viram a possibilidade de utilizar a IA para atacar o problema.

Com a tecnologia validada e os recursos em caixa, a companhia parte agora para expandir ainda mais sua base de usuários, que conta atualmente com 1,5 mil clínicas, o que representa um crescimento expressivo de seis vezes em dois anos de operações. Também pretende expandir o faturamento – atualmente, a DIO tem uma receita mensal de R$ 340 mil e a projeção é alcançar, em 18 meses, algo próximo de R$ 1,4 milhão.

“A rodada veio para reforçar nossa posição no mercado, com investimentos em marketing e na parte comercial”, diz Ringvee, que ocupa o cargo de CEO. “Estamos prevendo chegar a 3 mil clínicas ao redor do Brasil até o final do ano e 9 mil até o ano que vem. A rodada chegou para colocar mais gasolina no motor.”

Além de expandir sua participação em clínicas, a DIO também quer levar sua tecnologia para as operadoras, como uma ferramenta para realizar auditorias em sinistros, levando em consideração que de 10% a 20% dos casos envolvem cobranças irregulares ou inconsistências clínicas.

A intenção é que a tecnologia também sirva para criar modelos preditivos para as operadoras sobre a situação dos pacientes. “A partir do momento em que a operadora tem o dado na mão, ela pode se antecipar e orientar os pacientes e os dentistas sobre o que é bom para cada caso”, diz Velloso.

Para Tito Ferraz, partner da Triaxis, a tecnologia que a DIO desenvolveu abre caminho para a internacionalização da companhia no futuro próximo. “Vemos pouquíssimos players no mundo fazendo algo com esse rigor tecnológico. Então, eu vejo aqui um potencial até global para essa empresa”, diz.