Às vésperas da saída de Mario Leão do comando do Santander Brasil, o banco abriu a temporada de balanços das grandes instituições financeiras com lucro líquido abaixo do esperado e queda na rentabilidade.
O banco anunciou na quarta-feira, 29 de abril, que a última linha do balanço somou R$ 3,8 bilhões no primeiro trimestre, queda de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025 e recuo de 7,3% na comparação com o terceiro trimestre. O valor é menor que a média das estimativas colhidas pela Bloomberg, que apontava para um ganho de R$ 4,03 bilhões.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) alcançou 16%, recuo de 1,6 ponto percentual em relação ao quarto trimestre de 2025 e queda de 1,5 ponto percentual frente ao mesmo trimestre do ano passado.
Apesar das quedas, Leão disse que o desempenho é positivo quando se olha para a parte operacional. Ele destacou que o lucro líquido foi afetado pelo aumento no pagamento de impostos, além da sazonalidade do período.
Leão afirmou que o resultado antes da incidência de impostos, que marcou um lucro de R$ 4,6 bilhões, alta de 5,4% em base trimestral, mas queda de 3,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, reflete melhor o momento da franquia, que está crescendo de forma correta e com qualidade.
“Apesar do número menor, ele é um que tem uma qualidade bastante boa, reforçando a execução da estratégia disciplinada, como temos falado”, disse Leão, em entrevista coletiva. “Pagar imposto é um bom sinal, é sinal de que estou oferecendo mais, estou gerando mais atividade.”
No caso do ROAE, ele disse que a queda foi uma questão “matemática”, influenciada pelo aumento do patrimônio líquido e pela queda do lucro na base trimestral, não sendo um fator que preocupa.
“Temos bastante segurança de que esse ROAE volta para a direção de crescimento ao longo do ano”, disse Leão. “Não é uma queda estrutural, absolutamente nada que preocupe a gente.”
Num ano em que a Selic deve cair menos do que o esperado, Leão disse que a expectativa é de melhora dos resultados, apoiada na evolução orgânica da operação.
Para ele, a perspectiva de um afrouxamento menor e menos acelerado da política monetária não altera a dinâmica para o ano, nem a estratégia de cautela na concessão de crédito, ainda que a margem financeira de mercado se recupere mais lentamente do que se gostaria.
Nos primeiros três meses do ano, a carteira de crédito ampliada do Santander alcançou R$ 705,6 bilhões, alta de 3,4% em base anual, mas teve queda de 0,4% em base trimestral.
A margem financeira bruta cresceu 3,1% no trimestre e recuou 0,7% no ano, para R$ 15,8 bilhões. A margem financeira com clientes apresentou redução de 1,4% no trimestre e avanço de 4,8% no ano, para R$ 16,6 bilhões. A margem com o mercado teve queda de 48,1% em base trimestral, para um valor negativo de R$ 771 milhões, revertendo o saldo positivo de R$ 97 milhões no ano passado.
Leão destacou ainda que a menor queda da Selic não vai afetar a dinâmica da PDD do Santander, uma vez que ela permanece bastante elevada. O resultado de PDD gerencial totalizou R$ 6,3 bilhões, alta de 3,9% na comparação trimestral. No ano, caiu 0,7%.
“Os pontos de preocupação que temos com a carteira, diria que são os mesmos se os juros caíssem mais rápido ou devagar”, disse Leão. Segundo ele, na parte de agronegócio, ele afirmou que a maioria das operações é colateralizada. No portfólio de cartões, o banco segue reduzindo o risco e está atento a casos pontuais na parte de atacado.
“A tendência da PDD, ainda que a gente não dê guidance, é de que, no mínimo, acompanhe o crescimento da carteira e, potencialmente, em alguns portfólios, ela [PDD] pode ser um pouco mais alta”, afirmou.
Em sua última coletiva de imprensa para tratar do balanço do banco, Leão afirmou que deixa a instituição preparada para um novo ciclo, em que o crescimento não se pauta exclusivamente na expansão de receita e base. “Crescimento quer dizer amadurecimento da franquia, crescimento da diversificação, da recorrência, da solidez do resultado, da sustentabilidade do resultado”, afirmou.
Sobre críticas de que não conseguiu equiparar o lucro nominal anual de 2021, Leão disse esperar que o resultado no fim do ano chegue ao patamar em que estava antes de assumir o comando. E que o banco caminha para atingir um ROAE de 20% até 2028.
“A minha meta de chegar e superar o ROAE de 20% nos próximos anos é absolutamente factível. Acredito que isso é totalmente factível para 2028, o ano cheio de 2028, mas a gente está trabalhando para tocar nesse ROAE antes mesmo de 2028”, disse.
As units do Santander caíam 1,97% perto das 11h20, a R$ 28,84. No ano, os ativos caem 14,5%, levando o valor de mercado a R$ 110 bilhões.