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A Amazon sobe o som e entra com tudo no mercado de podcasts no Brasil

O Amazon Music estreia seu serviço no Brasil com uma parceria exclusiva com o jornalista e produtor Nelson Motta, acirrando a competição com Spotify, Apple e Deezer

 

O podcast é novo Santo Graal dos serviços de streaming de áudio. O formato, que é antigo, renasceu nos últimos anos com o investimento pesado de grandes empresas da área, em especial a sueca Spotify.

Agora, chegou a vez da Amazon apostar em podcasts. Três meses depois de anunciar seu serviço nos Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, o Amazon Music estreia sua área de podcast no Brasil. O anúncio oficial acontece nesta quarta-feira, 18 de novembro, de forma simultânea com o México.

No Brasil, o serviço chega com uma parceria exclusiva com o jornalista e produtor Nelson Motta. Baseado no livro “101 Canções Que Tocaram o Brasil”, Motta contará com um programa que trará todos os dias, pela manhã, uma música essencial do País. Nos EUA, há parcerias exclusivas com o ator Will Smith, a cantora Becky G, DJ Khaled e o vice-governador do Texas, Dan Patrick.

“A América Latina está se tornando parte importante da operação global do Amazon Music”, afirmou ao NeoFeed Federico Pedersen, head do Amazon Music para a América Latina. “Em termos de conteúdos originais, haverá muitas coisas acontecendo em 2021.”

Segundo Bruno Vieira, head do Amazon Music no Brasil, existe a possibilidade de novas parcerias exclusivas para o mercado nacional. “Claro que isso pode passar por coprodução, influenciadores e conteúdos exclusivos. É um trabalho em construção”, diz Vieira, sem dar detalhes.

A plataforma contará com outros podcasts já conhecidos do consumidor e que podem ser ouvidos também em outros agregadores de podcasts, como Praia dos Ossos, Flow, Mamilos, Foro de Teresina e O Assunto, entre outros. Para isso, o Amazon Music fechou parcerias com veículos de mídia como Folha de S. Paulo, Estadão, CNN Brasil, Cultura, UOL, Jovem Pan e Globo.

Com 55 milhões de usuários globais em seu serviço de streaming em janeiro deste ano, a Amazon informa que não haverá remuneração dos parceiros. “A gente entrega uma audiência para o podcaster e ele monetiza”, afirma Vieira.

Apesar de só agora estrear em podcasts, a Amazon vem fortalecendo sua plataforma de áudio. Em 2019, quando chegou ao mercado brasileiro, o portfólio contava com 16 milhões de músicas. Agora, são cerca de 70 milhões.

Bruno Vieira, head do Amazon Music no Brasil

Crescente nos últimos anos, o mercado de podcasts parece promissor no Brasil. Em maio do ano passado, uma pesquisa do Ibope afirmava que dos 120 milhões de internautas brasileiros, ao menos 50 milhões já escutaram algum tipo de áudio na internet.

Em setembro deste ano, em um novo levantamento, o Ibope descobriu que 24% dos ouvintes de rádio escutaram podcast durante a pandemia, sendo que 10% aumentaram o consumo no período de isolamento e outros 7% ouviram o formato pela primeira vez.

O Amazon Music chega ao mercado brasileiro em um momento em que o Spotify, que tem 144 milhões de assinantes no mundo, tem feito uma série de aquisições para fortalecer sua presença em podcasts.

No ano passado, o portfólio do Spotify foi abastecido com a entrada das produtoras de podcast Gimlet e a Parcast, além do Anchor, de gravação de podcasts. Em 2020, a sueca anunciou a compra da The Ringer, especializada em conteúdo esportivo fundada pelo ex-comentarista da ESPN Bill Simmons. A última das aquisições foi a Megaphone, na semana passada, que trabalha com inserção publicitária em podcasts, por US$ 235 milhões.

A Apple e a Deezer são também concorrentes nessa área e a briga pela preferência do consumidor começará a ficar mais acirrada, com as plataformas buscando conteúdos exclusivos para atrair novos usuários. É um caminho semelhante às plataformas de streaming de vídeo, que passaram a investir em produções próprias.

O Spotify, por exemplo, tem parceria, no Brasil, com a Rádio Novelo para a produção do podcast “Retrato Narrado”. Nos EUA, o serviço de streaming atua com a Higher Ground Productions para um conteúdo com a ex-primeira dama Michelle Obama.

“Se a gente for pensar na questão de conteúdo, essas empresas vão começar a ter uma seleção mais criteriosa”, diz Patrícia Rangel, doutora em processos midiáticos e professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM.) “Podcast qualquer um faz, a parte técnica é fácil e um bom programa de edição, acessível. Mas, daqui para a frente, a qualidade certamente será uma régua importante.”

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