A maior dúvida para 2023: qual será a política fiscal do próximo governo?

Nenhum candidato, seja de esquerda ou de direita, apresentou o que pretende fazer no campo fiscal. E isso pode mexer profundamente com a economia brasileira

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A taxa Selic de 14,25% não comprometerá a perspectiva de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,4% neste ano, quando a economia será puxada pelo setor de serviços. Contudo, o elevado grau de incertezas, decorrente do cenário externo e das eleições de outubro, poderá resultar em PIB zero em 2023, prevê a Tullett Prebon Brasil.

De acordo com os estrategistas da corretora, uma das principais independentes do país, que integra o britânico TP ICAP, maior grupo de intermediação financeira do mundo, a grande questão que se coloca à mesa é a falta de horizonte em relação a política fiscal que será adotada pelo próximo governo – seja de direita ou de esquerda.

“O ano de 2023 é de incertezas e, em termos econômicos, a grande questão das eleições de outubro é a política fiscal. E, nesse sentido, nenhum dos dois principais pré-candidatos apresentou suas proposições”, alerta Vinicius Alves, estrategista da corretora no Brasil.

A Tullet Prebon Brasil projeta estabilidade da Selic até o terceiro trimestre de 2023, ano em que prevê que a taxa recue a 12,25%. No caso da inflação, a estimativa é de 7,1%, ante 9,8% projetados inicialmente neste ano. Alves diz que o ajuste ocorreu depois da confirmação das medidas de isenção tributária nos preços dos combustíveis e da redução do preço da gasolina pela Petrobras nesta semana.

Para 2023, a Tullett trabalha com IPCA de 5,4%, considerando que as medidas da PEC das Bondades vão expirar, de fato, em 31 de dezembro. As projeções do cenário econômico estão claras, mas, para a Tullett, o ambiente fiscal com o qual o mercado vai conviver a partir de 2023 nem tanto.

O estrategista avalia que o teto de gastos parece estar enterrado. “O teto existe como mera formalidade. Como nenhuma das chapas concorrentes à presidência da República apresentou nada, elas estão na mesma posição. E é relevante que apresentem propostas de âncoras fiscais críveis e com excelência técnica”, avalia.

Também impõe incertezas o cenário internacional, mas Alves resiste à ideia de que a recessão vai se instalar. “Tenho dificuldade de ver recessão sobretudo nos EUA. O mercado de trabalho e outras métricas apontam uma economia muito saudável. O Federal Reserve (Fed) vem promovendo uma política monetária mais restritiva de combate à inflação e é de se esperar uma desaceleração da atividade que está muito forte”, diz.

Na Europa os riscos são maiores. “A questão do gás é muito relevante para a região. A Alemanha, motor da atividade europeia, é muito dependente do gás da Rússia. Então, a energia se torna uma variável bem importante”, pondera o estrategista para quem o momento revela que pouco mudou na matriz energética da Europa que agora enfrenta maiores dificuldades com a guerra na Ucrânia.

Alves entende que os efeitos das ações de política monetária dos principais bancos centrais vão surgir. E lembra que o economista do grupo, baseado em Nova York, trabalha com perspectiva de inflação ao consumidor nos EUA de 4% no final de 2023.

“Comparável aos 9,1% observados em base anual até junho, a desaceleração do índice é considerável. Particularmente, eu colocaria um risco um pouco maior nos 4%. Mas lá pode ocorrer o que esperamos para o Brasil: um alongamento do horizonte relevante da política monetária para 2024.”

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