Negócios

ARTIGO: Os rumos do turismo no Brasil

Enquanto vemos setores com 30% a 40% de redução nos seus negócios, o turismo enfrentou, e vem enfrentando, reduções de até 90% a 95% de faturamento

 

Não é novidade para ninguém que a crise de Covid-19 está impactando todos os segmentos de negócios de todo o mundo. Uns mais, outros menos, fato é que o turismo – a hotelaria incluída – é o mais impactado de todos. Enquanto vemos setores com 30% a 40% de redução nos seus negócios, o turismo enfrentou, e vem enfrentando, reduções de até 90% a 95% de faturamento.

Esta queda brutal se explica pois, desde o início do isolamento, a grande maioria dos hotéis do Brasil teve que fechar as portas, cerca de 80% deles. Os poucos que restaram foram por casos específicos, como possuir moradores, receber expatriados em quarentena ou mesmo servir a profissionais de saúde.

Mas mesmo estes tiveram suas ocupações reduzidas a menos de 10%. Sem contar que nosso setor tem uma particularidade: não trabalhamos com estoque. Ou seja, um quarto não vendido, não se recupera. E os custos continuam.

Com todo esse cenário, temos algo a comemorar. Eu nunca tinha visto todos os players do setor se ajudando como desta vez. São concorrentes, associações, executivos de outros segmentos, enfim, todos juntos trabalhando para reverter da melhor forma possível essa situação que não é boa para ninguém.

Um ponto crucial nessa caminhada foi a sensibilização do governo de que precisamos de auxílio para a sobrevivência e a retomada do turismo no Brasil. Fomos protagonistas, junto com as entidades, nas reivindicações junto ao governo.

Com isso, foram aprovadas medidas importantes para fôlego inicial, como a Medida Provisória (MP) 936, depois convertida na Lei 14.020, que trata da suspensão temporária de contrato de trabalho e da redução de jornada e salários. Porém, dada a particularidade do Turismo, como mencionei anteriormente, o setor necessitaria uma extensão das regras da MP 936 por mais 3 ou 4 meses.

Também revimos, enquanto setor, todas as medidas de segurança dos hotéis, que já tinham um padrão elevado. Nós, da Accor, por exemplo, logo no início desta pandemia fechamos um acordo com o Bureau Veritas para estabelecer um protocolo, com selo de certificação de higienização e conduta dos hotéis e lançamos um rótulo exclusivo de limpeza e prevenção, o ALLSAFE. Tudo isso para garantir aos nossos clientes que o hotel é tão seguro quanto, ou até mais, do que a sua própria casa.

Agora, estamos em um momento de retomada, de reabertura dos hotéis. Porém, as ocupações ainda continuam muito baixas. A atividade de lazer está retomando aos poucos, mas a corporativa, de negócios, não tanto. Esta será substituída, em parte, por uma parcela que vai fazer uma viagem misturando o lazer e o business, no conceito de Work From Anywhere, mas ainda não é suficiente.

“Prevemos a recuperação do setor até, no mínimo, 2023 e, por isso, serão necessárias várias medidas governamentais”

Prevemos a recuperação do setor até, no mínimo, 2023 e, por isso, serão necessárias várias medidas governamentais, como redução de encargos da folha, desoneração, redução de tributos federais, como PIS/Cofins, além da divulgação de férias e feriados nacionais para apoiar o turismo.

Neste sentido, há um intenso debate ocorrendo em Brasília sobre a reforma tributária. Nós contamos com uma reforma que modernize o sistema tributário brasileiro e que considere a importância do setor de turismo para a economia nacional.

Não é o momento, por exemplo, de aumento de carga tributária para um setor que foi tão atingido pelos efeitos econômicos da pandemia. As entidades do turismo estão mobilizadas para apresentar sugestões e dados técnicos que ajudem o Governo e o Congresso a construir um modelo que traga eficiência e crescimento econômico.

Em termos de próximos passos para o setor, nós acreditamos muito na redescoberta do Brasil. Mostrar para os brasileiros que o país tem inúmeros atrativos. Desta forma, temos várias oportunidades, dependendo das preferências dos viajantes e das características da viagem.

É possível, por exemplo, pegar um carro e descobrir uma cidade vizinha por um final de semana. Ou mesmo uma viagem de até 6 horas de carro para conhecer uma região não tão próxima.

Nós, enquanto empresas do setor, temos que estar preparados para receber bem estes clientes. E, podem ter certeza, de que a Accor está pronta para recebê-los de volta!

Patrick Mendes é CEO Accor América do Sul desde 2015. Patrick passou grande parte de sua vida profissional trabalhando internacionalmente (países como: Espanha, Portugal, América do Sul, Caribe, EUA, França, País de Gales, Ásia Pacífico, Reino Unido e Oceano Índico). Sua paixão pelo turismo e negócios hoteleiros começou em Bordeaux, onde estudou cinco anos em uma escola de administração de hotel.

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