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As quatro tendências do “novo” turismo, segundo o fundador do Airbnb

Para Brian Chesky, o mercado de turismo será bastante diferente depois que a pandemia passar, com sua força vindo de viagens domésticas curtas, mais baratas, flexíveis e “higiênicas”

 

Brian Chesky, fundador e CEO do Airbnb

Poucas startups foram afetadas pela pandemia da Covid-19 como o site de hospedagem Airbnb. Tanto que, na semana passada, a empresa demitiu 1,9 mil funcionários, cerca de 25% de sua força de trabalho.

Em um e-mail aos funcionários, o CEO e fundador Brian Chesky admitiu que a previsão de receita da empresa para este ano é de “menos da metade” do nível de 2019. No ano passado, estima-se que tenha sido de US$ 4,8 bilhões.

Diante desse cenário bastante desafiador, Chesky fez suas previsões para como será o turismo a partir da nova realidade do coronavírus. E, segundo ele, as viagens serão curtas, mais baratas, flexíveis e “higiênicas

“Perto é novo longe”, afirmou Chesky, que participou de uma live nesta quarta-feira, 13 de maio. “Quando você não sai de casa por alguns meses, qualquer lugar parece longe. Até cruzar a cidade pode ser uma jornada.”

Pela primeira vez na história do Airbnb, as viagens domésticas correspondem a maior parte dos negócios da empresa. Segundo Chesky, antes da pandemia, 13% das reservas eram feitas por visitantes que estavam até a 80 quilômetros da casa alugada. Agora, 30% dos check-ins são feitos nesta distância.

Na esteira dessa mudança, o empreendedor reconhece que o preço é outro fator que vai pesar na escolha dos turistas. “Nossas opções de US$ 50 ou menos correspondem agora a um terço das negociações da plataforma”, disse Chesky. Para ele, isso era previsível. “Essa crise teve um efeito devastador na economia e milhões de empregos foram ceifados.”

Além de mais baratas, viajar vai ser mais imprevisível, o que fará com que as reservas de último minuto aumentem – este tipo de reserva, segundo o Airbnb, é aquela feita com menos de uma semana de antecedência do check-in.  “Observamos que essa categoria dobrou nas últimas nove semanas. Hoje, 65% das reservas feitas no Airbnb são assim”, afirmou Chesky.

O próximo passo do Airbnb é colocar no ar uma ferramenta, prevista para o fim do mês, para ajudar os anfitriões a higienizar melhor as áreas que alugam pelo site.

A ideia é desenvolver uma espécie de check list de como limpar determinados ambientes. Os anfitriões que optarem por seguir as diretrizes propostas pelo Airbnb terão uma indicação especial no site.

“É um serviço que começaremos como um teste e que não vai penalizar os anfitriões que optarem por não utilizar essa ferramenta. Claro, nós encorajamos seu uso, mas não é obrigatório.”

O Airbnb tinha planos de abrir o capital neste ano por meio de uma listagem direta, assim como fez o Spotify. Mas o coronavírus sepultou essa estratégia.

Antes da pandemia, a companhia era avaliada em US$ 31 bilhões e estima-se que poderia valer mais de US$ 50 bilhões, caso fizesse o IPO.

Em poucos meses, no entanto, o cenário mudou totalmente. O Airbnb teve que buscar US$ 2 bilhões para manter suas operações. E, no meio dessa crise, está pagando taxas de juros bem altas pelo dinheiro.

Metade desses recursos veio de investidores institucionais que estão cobrando uma taxa de juros de 7,5%. A outra parte chegou aos cofres do Airbnb via um aporte da Silver Lake e da Sixth Street Partners. Mas não foi barato também: taxas de juros de 10%.

Além disso, a avaliação privada do Airbnb agora é estimada em US$ 18 bilhões.

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