Negócios

Silver Lake vai às compras e assume protagonismo deixado pelo Softbank

Ofuscada nos últimos anos, diante dos investimentos do Softbank, a gestora americana Silver Lake lidera aportes em empresas como Airbnb e Expedia, começa captar novo fundo de US$ 16 bilhões e é uma das mais ativas em tempos de pandemia

 

Egon Durban, Co-CEO da Silver Lake

Fundada em 1999 e financiada, na época, com os dólares de nomes de peso, como Bill Gates, cofundador da Microsoft, e Larry Ellison, fundador da Oracle, a Silver Lake se consolidou como uma das principais gestoras de fundos de private equity no setor de tecnologia, com cerca de US$ 40 bilhões em ativos e um portfólio atual que inclui empresas como Alibaba, Didi Chuxing, Peloton e Dell.

Nos últimos anos, no entanto, a empresa americana foi ofuscada por outros nomes dessa indústria. Em particular, pelo barulho causado pelo japonês Softbank, que captou o maior fundo global destinado à tecnologia, no valor de US$ 100 bilhões e liderou rodadas em série por todo o mundo.

Agora, porém, o Softbank está concentrando suas energias e tempo em um verdadeiro pé de guerra com o WeWork. E luta para estancar os impactos causados pelo IPO frustrado da startup de escritórios compartilhados em seu portfólio de investidas.

Outras gestoras rivais, como Thoma Bravo e Vista Equity Partners parecem aguardar a recuperação do mercado para ir às compras. Enquanto isso, a Silver Lake está aproveitando a Covid-19 para renovar seu apetite e reassumir seu papel de protagonista no segmento.

No caminho para essa retomada, a Silver Lake está captando um novo fundo de mais de US$ 16 bilhões, segundo o The Wall Street Journal, e conta com um novo fôlego na gestão.

Desde dezembro, a gestora adotou um modelo de Co-CEOS, com a liderança dividida entre Egon Durban e Greg Mondre e o apoio do presidente Ken Hao e do sócio e vice-presidente Mike Bingle.

Um dos primeiros sinais dessa retomada foi dado pouco antes da crise, quando a Silver Lake aportou US$ 1 bilhão no Twitter. O acordo deu fim a um embate entre o fundo ativista Elliot Management, acionista do microblog, e Jack Dorsey, fundador da companhia, que permaneceu à frente da operação.

Com o avanço do coronavírus, a abordagem de socorro a empresas em dificuldade ganhou força. No início de abril, a Silver Lake, em parceria com a Sixth Street Partners, investiu US$ 1 bilhão no Airbnb.

Duas semanas depois, foi a vez do aporte de US$ 1,2 bilhão na Expedia, plataforma online de reservas de viagem. No processo, Mondre assumiu um assento no Conselho de Administração da companhia.

A estratégia não está restrita, no entanto, à entrada em empresas que estão sofrendo com os duros impactos da pandemia. Nesta semana, a Silver Lake aportou US$ 750 milhões na gigante indiana de telecomunicações Jio Platforms. No fim de abril, a companhia já havia captado US$ 5,7 bilhões junto ao Facebook.

Em outro movimento recente, a Silver Lake liderou uma rodada de US$ 2,25 bilhões na Waymo, empresa de carros autônomos da Alphabet, holding do Google. Com o aporte, a gestora passou a ser um dos primeiros investidores externos da operação.

Esse apetite, porém, parece não se estender a mercados como o Brasil. A Silver Lake desembarcou no País em 2010, por meio de um aporte, de valor não revelado, na Locaweb.

O investimento resumiu o único movimento local da gestora, que saiu da operação em fevereiro deste ano, quando a Locaweb abriu capital na B3.

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