Box Delivery compra Vuxx e acirra disputa pela “última milha” com Loggi

Box Delivery, que tem entre seus investidores a Aliansce Sonae e o grupo Trigo, paga R$ 35 milhões pela empresa de logística Vuxx e vai expandir seus serviços de entregas rápidas para mais cidades

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Felipe Criniti, fundador e CEO da Box Delivery

Ainda que uma encomenda possa viajar por milhares de quilômetros até seu destino final, é somente na chamada “última milha” que aquele pacote é realmente disputado por diferentes empresas, como o unicórnio Loggi e até os Correios.

Nesta sexta-feira, 27 de maio, a corrida pela última milha passou a ter um novo competidor. A Box Delivery, que opera com entregas em até 30 minutos feitas com motos e bicicletas, firmou um acordo para a compra da operação da Vuxx, outra startup de logística.

A aquisição envolveu o pagamento de R$ 35 milhões pela operação da Vuxx e vai permitir que a Box Delivery incorpore os serviços debaixo de sua marca. Desta forma, a companhia amplia sua frota para ir além do instant delivery e realizar entregas com carros de passeio e pequenos caminhões.

“Começamos a costurar esse acordo em novembro olhando para algumas empresas”, diz Felipe Criniti, fundador e CEO da Box Delivery, em entrevista exclusiva ao NeoFeed. “A Vuxx era a que melhor se encaixava em termos de time, tecnologia e frota.”

Fundada em 2016 por Felipe Trevisan, a Vuxx cresceu no mercado com entregas realizadas no mesmo dia e no dia seguinte e tem na carteira empresas como Americanas, Ambev, Saint-Gobain e Stellantis. “O plano é transformar a empresa numa referência em vários segmentos, não só no setor de alimentação”, diz Criniti.

O principal rival neste caminho é a Loggi, que se transformou num unicórnio ainda em 2019. Depois disso, a startup seguiu captando dinheiro. No ano passado, por exemplo, levantou US$ 212 milhões num aporte de Série F liderado pela CapSur Capital. Hoje, é avaliada em US$ 2 bilhões.

No fim do ano passado, a Loggi anunciou um investimento de R$ 150 milhões para um centro de distribuição para dobrar a capacidade de processamento de pedidos para 1 milhão por dia até 2023. A Box Delivery, por sua vez, opera com 45 mil pacotes diários.

Com veículos de quatro rodas, a Box Delivery vai expandir o modelo de negócios para ir além dos restaurantes, onde opera com entregas de refeições para os clientes. Com 15 mil estabelecimentos cadastrados, a lista de clientes conta com companhias como McDonald’s, Madero, Burger King, Spoleto, Bob’s, China in Box, Gendai, entre outros.

O plano é atender o B2B, o que envolve o abastecimento de produtos para esses clientes e vendas por e-commerce. Um exemplo é a Ambev, que a startup já opera com a entrega de bebidas pelo aplicativo Zé Delivery. Com a Vuxx, a Box Delivery poderá fazer o abastecimento de produtos Ambev para bares e restaurantes.

Com novos clientes, uma frota maior e mais tecnologia embarcada na operação, a Box Delivery também deve expandir o raio de atuação. A previsão é ampliar de 200 para 250 cidades atendidas pelo serviço até o fim do ano. Ao todo são 22 estados atendidos, além do Distrito Federal.

Fundada também em 2016, Box Delivery terminou o último ano com faturamento de R$ 63 milhões. Para este ano, impulsionada pela aquisição, a previsão da startup é de que a receita aumente para R$ 294 milhões. O valor pode subir ainda mais, já que por enquanto envolve apenas contratos já firmados.

Criniti diz que a startup está saudável financeiramente. No ano passado, a operação recebeu um impulso com um aporte de Série A de R$ 30 milhões liderado pela Aliansce Sonae, com participação do grupo Trigo, dono do Spoleto.

Neste ano, a companhia iniciou conversas para levantar US$ 10 milhões numa nova rodada, agora de Série B, o que pode acontecer até a metade do ano. “Devemos ter um overbook de investidores”, diz Criniti.

O setor de entregas rápidas envolve a necessidade de muito capital, bem como enfrenta enorme competição. Além de Loggi, iFood e Rappi também atuam nessa área. No ano passado, a Delivery Center, que tinha recebido R$ 100 milhões de investimentos, “fechou as portas”. Entre os investidores estavam BRMalls, Multiplan, SYN (antiga CCP), Bloomin’Brands (dona do Outback) e José Gallo, ex-CEO da Renner.

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