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Carlos Wizard abre o jogo sobre as polêmicas e a nova batalha contra a Covid-19

O empresário Carlos Wizard Martins deixou o cargo de conselheiro do Ministério da Saúde, mas segue sua batalha contra a Covid-19. Agora, ele reuniu um grupo de médicos que preconiza um protocolo precoce de tratamento. Nesta entrevista, ele fala ainda das polêmicas envolvendo seu nome e do boicote às empresas de seu grupo

 

O empresário Carlos Wizard Martins

No dia 7 de junho, o empresário Carlos Wizard Martins foi até a rede social dizer que havia deixado de ser conselheiro do Ministério da Saúde e que havia recusado o convite para virar secretário da pasta.

“Peço desculpas por qualquer ato ou declaração de minha autoria que tenha sido interpretada como desrespeito aos familiares das vítimas da Covid-19 ou profissionais de saúde que assumiram a nobre missão de salvar vidas”, escreveu Wizard.

O pedido de desculpas tinha uma razão. No pouco tempo em que atuou como conselheiro, Wizard colecionou polêmicas. A principal delas foi uma declaração de que iria recalcular os mortos da Covid-19 – ele alega que foi mal interpretado em sua frase.

O mal-estar pela sua curta passagem gerou um movimento de boicote as empresas de seu grupo, o Sforza, que é dono de diversos negócios nas áreas de alimentação (Pizza Hut, KFC, Taco Bell, Frango Assado), varejo especializado (Mundo Verde), tecnologia (Hub Fintech e Social Bank), entre outros. Ele diz que não atua na gestão desde 2018 e nem está mais no conselho.

Mas apesar de não estar mais atuando no Ministério da Saúde, Wizard não saiu de cena no combate à Covid. Antes de seu post de despedida, ele se reuniu com o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, que conheceu quando atuava em Roraima, no acolhimento de refugiados venezuelanos, para uma conversa.

“Eu disse: ‘Pazuello, eu vou ser solidário à causa e vou trabalhar de forma independente. Eu vou continuar combatendo a Covid-19, mas não quero vestir a roupinha do Ministério da Saúde. Quero trabalhar diretamente com a sociedade civil organizada’. E é isso que eu tenho feito”, afirmou Wizard, em entrevista ao NeoFeed.

Desde então, Wizard foi atrás de médicos de referência que estão na linha de frente no combate a Covid-19. Ele reuniu nove profissionais e criou uma espécie de conselho que está sugerindo um protocolo para o tratamento do novo coronavírus.

Os médicos que fazem parte desse conselho, que Wizard chama de excelência, são Nise Yamaguchi, Roberto Zeballos, Anthony Wong, Dante Senra, Cassio Prado, Luciana Cruz, Paulo Porto, José Vila e Rute Costa

Eles defendem um protocolo de tratamento precoce dividido em três fases. Na primeira delas, bem no início da doença, há uma série de medicamentos associados, entre elas a hidroxicloroquina. Nas demais, há o uso de corticoides.

“Estou trabalhando baseado em experiência de observação”, disse o Dr. Zeballos, ao NeoFeed. “Você vê que os locais que atuam no tratamento precoce, nos diversos cantos do mundo, têm números muito melhores e significativamente mais baixos daquelas que não usam.”

Zeballos cita o caso do Pará, onde o protocolo foi usado e que conseguiu controlar a pandemia. Ele diz que a estratégia foi aplicada em 323 pacientes e apenas um deles morreu. A cidade de Porto Feliz, em Roraima, na fronteira da Venezuela, e de Manaus, são também citadas como exemplos bem-sucedidos do uso do protocolo.

“Estamos numa guerra”, diz Zeballos. E, nessa situação, afirma o médico, ele prefere usar medicamentos com baixa toxicidade, conhecidos há décadas, e que os profissionais que estão na linha de frente estão observando que trazem benefícios ao paciente. “O que temos feito não é impor a nossa conduta. É sugerir e explicar aos colegas por que seria interessante usar.”

Os estudos científicos, até agora, não mostraram que o uso da hidroxicloroquina traz benefícios ao tratamento da Covid-19. Mas Zeballos diz que eles também não provaram que não faz mal. E vai além. “Se a gente conseguisse implantar esse tratamento em todo o Brasil, eu me arriscaria a afirmar que controlaríamos essa pandemia em quatro semanas”, afirma Zeballos.

O papel de Wizard neste conselho voluntário é o de abrir portas e de fazer contatos com prefeitos, governadores e com políticos de Brasília. Nesta quinta-feira, 2 de julho, por exemplo, ele vai estar com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, para apresentar o protocolo. “Se ele tiver sensibilidade de implantar no Distrito Federal, ninguém mais morre”, afirma Wizard.

Nesta entrevista ao NeoFeed, Wizard fala ainda de como está atuando no combate à Covid e comenta sobre todas as polêmicas que envolveu seu nome recentemente, do apoio a hidroxicloroquina, do boicote às empresas do grupo e sobre sua breve passagem no Ministério da Saúde. E diz que não teme às críticas. “Se eu for criticado pelo resto da minha vida por salvar vidas, pode vir as críticas”, afirmou o empresário. Acompanhe:

Qual a sua participação neste grupo de médicos?
A minha participação é no sentido de levarmos à população, à comunidade médica, às autoridades esse tratamento precoce que o Dr. Zeballos está preconizando, de forma a blindarmos as cidades e para parar com essa mortandade. De fato, é uma vergonha nacional. A cada minuto, perdemos um brasileiro, quando estamos falando de uma doença que tem tratamento. O Dr. Zeballos citou o caso do Pará, citou o caso de Porto Feliz, mas têm muitas outras cidades que estão seguindo esse protocolo e o pessoal não está morrendo. As pessoas estão precisando de informação. Nosso papel é comunitário, é voluntário. Não é ideológico e é apartidário. É totalmente voltado para o objetivo de salvar vidas.

Você não teme que seu nome se envolva mais uma vez em críticas?
Se eu for criticado pelo resto da minha vida por salvar vidas, pode vir as críticas. A minha preocupação não é com as críticas. A minha preocupação é com a morte de um brasileiro por minuto. Isso é o que está me preocupando.

“Se eu for criticado pelo resto da minha vida por salvar vidas, pode vir as críticas”

Você se arrependeu da passagem pelo Ministério da Saúde? Foi uma passagem em que você não assumiu nenhum cargo, mas foi bastante criticado.
Eu trabalhei por dois anos em Roraima, divisa do Brasil com a Venezuela. Lá eu não era militar, não era governo, eu não era ONG. Eu era eu. E nessa condição, juntamente com minha esposa e centenas de voluntários em todo o país, acolhi mais de 12 mil refugiados. Nós não tínhamos orçamento, não tínhamos equipe e não tínhamos nenhum tipo de apoio. Era somente uma iniciativa da sociedade civil organizada. Então, eu falei pessoalmente com o ministro Pazuello (Eduardo Pazuello, ministro interino da Saúde). Eu disse: ‘Pazuello, eu vou ser solidário a causa e vou trabalhar de forma independente. Eu vou continuar combatendo a Covid-19, mas não quero vestir a roupinha do Ministério da Saúde. Quero trabalhar diretamente com a sociedade civil organizada’. E é isso que eu tenho feito.

Mas por conta dessa passagem no Ministério da Saúde seus negócios foram muito criticados. Você não se preocupa de essa sua posição impactar seus negócios?
Lamentavelmente, essa questão do combate a Covid-19 se transformou numa questão ideológica. Eu costumo dizer que se o presidente do país for à televisão e dizer: ‘gente, se vocês tomarem um copo de Coca-Cola por dia, vocês vão estar imunizados da Covid-19’. No dia seguinte, metade da população do país vai deixar de tomar Coca, só porque o presidente está preconizando essa orientação. Eu fico, de fato, triste, quando nós temos hoje mais de 60 mil brasileiros que perderam a vida numa situação que não precisava ser assim. É uma doença que tem tratamento. E um tratamento barato. Com R$ 10, R$ 20, R$ 30, a pessoa salva a vida.

Eu entendi que você não se arrepende da polêmica na época em que esteve no Ministério da Saúde. Mas ficou uma imagem que você se afastou do ministério para não prejudicar os seus negócios.
Se eu tivesse feito alguma coisa errada, eu poderia me arrepender. Mas eu não fiz nada errado. A única coisa que eu fiz foi trabalhar com a missão de salvar vidas.

Como tem sido feito a divulgação desse protocolo?
Diariamente, nós temos uma, duas, três entrevistas. Nós temos lives. Nós participamos de encontros com governadores, com prefeitos, com senadores, com secretários de saúde, com autoridades médicas do país de manhã, à tarde, à noite. É uma atividade intensa de divulgação.

E vocês têm sido bem recebidos nessa divulgação?
Felizmente, muito bem recebidos, porque a população está carente de informação. Você há de convir que no tempo do ministro Mandetta (Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde), ele falava com o Brasil de manhã, de tarde e de noite. O brasileiro não podia ir dormir sem antes ouvir o Mandetta. Foi lamentável apenas que a orientação que ele estava dando naquela época é que a pessoa devia ficar em casa e somente buscar orientação e tratamento médico, quando a doença já evoluísse. Seguindo esse protocolo, nós perdemos milhares e milhares de vidas. Somos totalmente contrários a essa orientação. Quando a pessoa tiver os primeiros sinais da doença, ela deve imediatamente procurar orientação médica e receber um tratamento precoce, que não vai deixar a doença evoluir. Estamos assumindo esse papel de defender essa bandeira, de defender esse tratamento e de sermos embaixadores através dos médicos que compõem esse comitê.

“Se eu tivesse feito alguma coisa errada, eu poderia me arrepender. Mas eu não fiz nada errado”

Como você avalia o trabalho do ministério da Saúde e dos governadores no trabalho de enfrentamento a Covid-19?
Não estou numa posição nem de avaliar governador A, nem governador B, nem governos municipais, estaduais ou federal. A minha única tristeza é ver uma doença que tem tratamento e que não precisava deixar a pessoa evoluir para entubação e para UTI. Essa é minha tristeza. Mas se é o governador A ou do B, da direita ou da esquerda, eu não entro na questão ideológica. O meu negócio é tratar o paciente logo no início e parar com essa mortandade que é uma vergonha nacional.

Você também disse uma frase que causou muita controvérsia, sugerindo que havia uma contabilidade bem superior de mortos por Covid-19 porque os governos estaduais e prefeituras queriam recursos. Você ainda acredita nisso?
Não vou entrar nessa questão. Eu falei para várias emissoras que nós não estávamos preocupados com o passado. Nós estávamos preocupados com o presente e com o futuro. E tivemos uma infeliz de uma jornalista que interpretou mal as minhas palavras e fez toda uma divulgação infundada e que lamentavelmente viralizou pelo Brasil afora. Mas eu sei qual é o perfil da própria emissora e não vou ficar aqui atirando pedra. O que eu falei para várias emissoras e repito para você é: ‘nós não estamos preocupados com o passado’. As 60 mil vidas que foram tiradas, elas lamentavelmente não vão voltar. Mas o que nós temos condição é de parar com essa mortandade, se os gestores públicos assim desejarem. E nós temos aí comprovadamente, vários Estados, vários municípios que já adotaram esse protocolo de atendimento e tratamento precoce e as pessoas simplesmente superam a doença, não evoluem a óbito e a pessoa segue vida. Essa tem sido a minha luta incansável.

Você também disse que iria apostar tudo na hidroxicloroquina. E nesse protocolo que o senhor defende, quando se fala em tratamento precoce se trata da hidroxicloroquina. E não existem estudos científicos que mostrem que ela é benéfica. O que você acha disso?
Deixa de ser infantil. O doutor Zeballos acabou de dizer que ele tem comprovadamente em várias cidades milhares e milhares de pacientes que foram tratados com esse tratamento precoce, que envolve três, quatro, cinco medicamentos, entre eles hidroxicloroquina. E as pessoas não morrem. Agora, você quer que eu faça estudo científico, que vai levar um ano, dois anos, três anos, para daqui a três anos eu dizer para você qual vai ser o resultado do estudo? Cara, cria vergonha na cara. As pessoas estão morrendo. O que mais eu preciso dizer?

Eu só estou dizendo que não há estudos científicos que comprovem o benefício da hidroxicloroquina.
Mas qual é o efeito colateral da hidroxicloroquina? Perde a vergonha na cara. Faz 20, 30, 40, 50, 70 anos que os caras usam (a hidroxicloroquina). Eu vou desafiar você agora. Entra no Google e vê, desde que começou a pandemia, quantas pessoas morreram pelo uso da hidroxicloroquina? Depois me manda a resposta. E entra lá e pesquisa: quantas pessoas morreram de Covid-19? E me mande. Se você pegar o corona amanhã, o que você vai fazer? Você vai ficar em casa esperando a doença se agravar ou vai usar o tratamento precoce? Então, pronto. Ponto final.

Quais os próximos passos desse grupo?
Próximos passos: amanhã (hoje) vamos estar com o ministro da Saúde em Brasília. Vamos estar com o governador do Distrito Federal (Ibaneis Rocha). Está colapsado o Distrito Federal. E vamos para Brasília implantar esse protocolo lá. Se ele tiver sensibilidade de implantar no Distrito Federal, ninguém mais morre. Esse é o próximo passo.

Você ainda está envolvido com os negócios do seu grupo?
Estou totalmente desligado das minhas empresas. Cada uma delas tem um CEO. Cada um já tem a sua própria equipe. E desde que eu fui para Roraima, em 2018, estou desligado da gestão das empresas.

“Estou totalmente desligado das minhas empresas. Cada uma delas tem um CEO. Cada um já tem a sua própria equipe”

Você não participa nem do conselho?
Não participo. Felizmente, nós temos conselheiros que são altamente qualificados. Eu e minha esposa estamos nos dedicando a causa de filantropia, causas comunitárias e humanitárias, sem qualquer interesse pessoal, comercial, político ou empresarial.

Eu já fiz essa pergunta e vou fazer de novo: você não está preocupado que esse seu envolvimento no tratamento da Covid prejudique os seus negócios? Já houve, inclusive, sugestão de boicote às empresas do grupo durante o período em que você esteve próximo do Ministério da Saúde.
Eu não consigo imaginar como alguém que está dedicando todo o seu tempo e recursos para salvar vidas pode ser criticado.

Como você chegou até esse grupo de médicos?
Eu fui buscar na comunidade cientifica e médica quais eram as maiores autoridades e os médicos de referência no combate do coronavírus. E fiz o convite para eles. E eles aceitaram. E, desde então, estamos trabalhando junto nessa missão.

E como você apoia o grupo?
Eu apoio com abertura de portas, fazendo contatos estratégicos, abrindo frentes na mídia e na intermediação com prefeitos, governadores, senadores, além do trânsito em Brasília.

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