Negócios

Com câmbio digital, Bexs quer ajudar as PMEs a cruzar fronteiras

Com uma movimentação anual de US$ 7 bilhões, o banco já é o motor por trás de boa parte das transações internacionais do e-commerce brasileiro. E prepara agora o lançamento de uma plataforma para agilizar as exportações e importações de pequenas e médias empresas do País

 

Luiz Henrique Didier Junior, CEO do Bexs Banco

Pergunte aos brasileiros acostumados a fazer compras em sites internacionais e a assinar serviços digitais de outros países. Para boa parte deles, o nome Bexs Banco dirá muito pouco. Indiretamente, no entanto, a empresa está presente na vida de muitos desses consumidores.

Criado em 2010, a partir da corretora Didier&Levy, o Bexs é o banco por trás das operações de câmbio que viabilizam muitas dessas transações. Cerca de 35 milhões de consumidores concluem suas compras internacionais, em moeda local, por meio da companhia, que movimenta US$ 7 bilhões anualmente.

Com a presença consolidada nesse segmento, o banco planeja agora desbravar uma nova fronteira: a oferta de uma plataforma de câmbio digital para pessoas jurídicas. Em foco, as operações de importação e exportação envolvendo pequenas e médias empresas.

“Hoje, no Brasil, 68 mil empresas exportam ou importam, sendo que 200 delas concentram 60% do volume e são atendidas pelos grandes bancos”, diz Luiz Henrique Didier Jr., CEO do Bexs. “As demais estão desassistidas. E para atendê-las, é preciso um modelo digital e escalável. Do contrário, é inviável.”

O executivo cita alguns exemplos que servem como pano de fundo para o interesse por esse mercado. “O Brasil é a 8ª economia do mundo e apenas o 28º em importação e o 29º em exportação”, afirma. “Nós somos ineficientes em comércio exterior. Esse é o grande gatilho dessa oferta.”

Esse cenário tem outro agravante: a alta complexidade e a burocracia da regulação do mercado de câmbio. Entre outros desafios, esse arcabouço traz mais de 200 códigos de operações, além de regras que versam sobre a mesma modalidade, mas com interpretações antagônicas.

Para Didier Jr., há uma agenda clara de simplificação por parte do Banco Central. Mas ela esbarra no fato de que o mercado é regulado basicamente por leis. Dessa maneira, as eventuais evoluções incluídas em uma série de projetos de lei precisam passar, necessariamente, por todo os trâmites no Congresso.

“Meu sonho é que se possa fazer um câmbio no Brasil da mesma forma que se faz um pagamento. Porque, no fim do dia, é disso que se trata”, afirma. “Hoje, nosso desafio é tentar reduzir as travas, mas sem burlar essa regulação.”

Mapeamento

O caminho para viabilizar o câmbio digital para empresas sem ferir qualquer ponto da legislação envolveu um trabalho de mais de seis meses. O projeto foi um dos responsáveis pela Bexs ter dobrado sua equipe no último ano, especialmente nos times de tecnologia e de compliance. Hoje, a empresa tem 130 funcionários.

O trabalho incluiu um extenso mapeamento de todas classificações de câmbio e das respectivas documentações necessárias para essas operações. A partir dessa análise, o Bexs identificou processos que poderiam ser digitalizados, como a desburocratização no envio de documentos.

Assim, muitas operações que hoje levam, em média, três semanas, poderão ser realizadas por meio de alguns cliques. A plataforma entra no ar no primeiro semestre de 2020, ainda como projeto-piloto. Com uma estratégia focada em marketing digital, o plano é atacar esse mercado por determinados segmentos, mantidos em segredo.

Muitas operações de câmbio que hoje levam, em média, três semanas, poderão ser realizadas por meio de alguns cliques

Um dos ganhos esperados com a atuação junto a esse perfil é o aumento do tíquete médio. Enquanto nas transações do e-commerce essa cifra é de US$ 20, na nova área, a projeção é trabalhar com a faixa de US$ 10 mil.

Atualmente, as ofertas para empresas, mais focadas em operações tradicionais, representam 30% do negócio do Bexs. Em dois anos, a expectativa é de que essa fatia chegue a 50%.

A estruturação do câmbio digital não é a única iniciativa do Bexs para diversificar os seus negócios. O banco é, por exemplo, o parceiro de câmbio por trás da Avenue, corretora fundada por Roberto Lee, ex-executivo da XP. Com sede em Miami, a empresa oferece uma alternativa para que os investidores brasileiros possam comprar diretamente ações negociadas no mercado americano de capitais.

Guardadas as devidas precauções com a regulação, a ideia é desburocratizar esse processo e levar a experiência das transações do comércio eletrônico também ao mundo dos investimentos. “Nós somos o motor que faz essa transação acontecer sem atritos”, diz Didier Jr..

O Bexs também participou de um projeto para viabilizar as operações de câmbio e de pagamento de um grande marketplace do País, que passou a incorporar vendedores de outros países recentemente. No momento, a empresa negocia iniciativas nos mesmos moldes com outros varejistas.

Ao mesmo tempo, o Bexs tem conversações em andamento com fintechs e bancos digitais. A proposta da empresa é ser a parceira que tornará possível, por exemplo, que essas companhias ofereçam contas digitais no exterior aos seus clientes. O movimento requer, necessariamente, a associação com um banco.

“Nosso modelo é de plataforma. Não preciso aparecer e não vou concorrer com a marca desse parceiro”, afirma o executivo. “Vamos ter novidades nessa direção no primeiro trimestre de 2020.”

Se, por um lado, a complexidade da regulação é uma questão que limita o desenvolvimento de inovações, em outra frente, esse cenário é uma barreira de entrada para novos competidores.

“Esse mercado ainda não é a menina dos olhos de ninguém. Ou você conhece profundamente câmbio e pagamentos, ou não faz”, observa Didier Jr. “Por outro lado, é um segmento que ainda tem espaço para inovar sem fazer grandes transformações.”

No caso do Bexs, a união entre o conhecimento sobre câmbio e pagamentos se materializou, de fato, no início de 2018, quando Didier Jr. assumiu o comando do negócio fundado por seu pai, em 1989. Nessa transição, ele trouxe a bagagem acumulada em anos de experiência no mercado de pagamentos, com passagens por empresas como Itaú, Cielo e SafraPay.

Os anos vividos no setor, bem como as lições aprendidas dentro de casa, inspiram os próximos passos do Bexs. “Meu pai sempre teve como missão fazer o brasileiro chegar ao mundo e o mundo chegar ao Brasil de forma fluída”, conta. “Temos que usar a cada vez mais lógica da indústria de pagamentos, onde as transações acontecem em um segundo e meio, são seguras e não quebram qualquer regra.”

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