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Insiders

Comparada a Steve Jobs e Elon Musk, ela quer reinventar a moda com tecnologia

A empreendedora Billie Whitehouse criou roupas inteligentes conectadas ao celular. Para essa startup, o seu guarda-roupas está prestes a ser hackeado 

 

Ela foi considerada uma das 100 pessoas mais criativas do mundo pela revista Fast Company, esteve na lista das 30 principais mulheres do ramo da tecnologia com menos de 30 anos no ranking do Business Insider, e já foi comparada a Steve Jobs pela Forbes, e a Elon Musk pelo investidor Sumeet Shah. Eis a australiana Billie Whitehouse, a mulher que está revolucionando a moda mundial. 

Ela não é nenhuma designer famosa, mas está imprimindo seu estilo inovador liderando a Wearable X, uma startup que cria as roupas inteligentes que estão redefinindo o conceito de “wearables” – como são chamados os gadgets “vestíveis”. 

Fundada em 2013, a empresa ganhou projeção mundial logo na largada, quando desenvolveu uma “lingerie 2.0”, própria para casais em relacionamentos a longa distância. O produto foi fruto de uma parceria da startup com a agência Havas, num case desenvolvido para a Durex, um dos maiores players no mercado de preservativo masculino.

Chamada “Fundaware”, a lingerie trazia micro-sensores em pontos estratégicos do tecido integrado com acelerômetros e motores hápticos. Isso permitia que, através de um app, o parceiro controlasse os pontos e a intensidade da vibração do modelo vestido (e sentido) pela companheira, mesmo que a distância.

A ideia inicial era apenas criar um buzz midiático, e não fazer disso um produto propriamente dito. Mas, depois de bater a marca dos 8 milhões de views no Youtube e receber 55 mil pedidos de compra, Whitehouse entendeu que ali havia um mercado inteiro a ser explorado – sobretudo depois que conseguiu provar que as peças poderiam, sim, ser lavadas. 

Com esse case de sucesso, outras portas (e fronteiras) se abriram. No mesmo ano, a Wearable X desenvolveu o primeiro produto autoral: uma jaqueta GPS. Batizada de Navigate, a blusa indicava por meio de luzes e vibrações o caminho a seguir, mostrando cada ponto de virada. Assim como a lingerie, a jaqueta também era conectada ao celular, que funciona como o “cérebro” da operação.

Navigate, a jaqueta inteligente que a Wearable X criou para a Explorer

Durante o Super Bowl 50, maior evento de futebol americano do mundo, a companhia comandada por Billie Whitehouse apresentou uma camiseta que vibrava nos principais lances da partida, para que o torcedor pudesse sentir ainda mais a energia dentro do campo.

Embora todas as jogadas tenham sido certeiras, os produtos deixaram de ser comercializados por questões contratuais, já que alguns foram desenvolvidos para ações de marcas. Whitehouse queria um produto que fosse além do entretenimento e excentricidade, e que agregasse algum valor aos seus usuários. Isso impulsionou, em 2015, a mudança da companhia de Sydney para Nova York, onde ainda mantém seu escritório central.

Ali, Whitehouse optou por  desenvolver o que é hoje o principal produto da marca – e o único ainda comercializável: a Nadi X, uma calça de yoga inteligente que ajuda os usuários a melhorar o desempenho nesta prática centenária. “Muita gente acha que é uma roupa para ‘corrigir’ a postura do yoga, mas não há um certo ou errado nessa prática, você vai até onde o seu corpo consegue”, explica Whitehouse ao NeoFeed

Ainda de acordo com a CEO da Wearable X, a Nadi X vibra para indicar ao usuário qual ponto de seu corpo ele deve prestar atenção. Ao final da posição, o “professor eletrônico” pode sugerir que o usuário tente mais uma vez a mesma pose ou valide aquela feita e passe para a próxima posição.

A calça funciona apenas integrada com o aplicativo, que está disponível somente em dispositivos iOS. Vendida online por US$ 249, a Nadi X pode ser lavada na máquina e é alimentada por uma bateria recarregável, que fica na parte de trás da coxa esquerda. 

Em comum, todos os produtos têm o aspecto tátil, porque, segundo Whitehouse, “a vibração é uma linguagem universal poderosa, presente em tudo: música, luzes, dança e imagens”.

Em 2016, apenas 6% de todo investimento feito por fundos de venture capital foram para empresas fundadas por mulheres e, em 2019, essa porcentagem caiu para 2%

Compreendida em todos os países, essa “linguagem” sensitiva pode chegar a outros mercados em breve. “Temos que conseguir algumas licenças e traduções, que não são baratas ou rápidas, mas, definitivamente, queremos estar presentes em diferentes países”, afirma.

Gigantes no mercado

A julgar por dados de mercado e estudos sobre o setor, não vai demorar para isso acontecer. De acordo com a consultoria eMarketer, em 2018, só nos Estados Unidos foram vendidos 23,8 milhões de dispositivos wearables, que incluem smartwatches e óculos inteligentes. Estima-se que, em 2022, esse número salte para 28,9 milhões.

Outro estudo coordenado pela PwC aponta que, com o avanço da internet das coisas, 10% das pessoas ao redor do mundo usarão algum tipo de roupa conectada em um prazo de dez anos. Para não perder esse bonde, além da Wearable X, outras empresas têm testado o mercado com produtos tecnológicos.

O Google e a Levi’s lançaram recentemente uma jaqueta com tecido condutor sensível ao toque que, conectado ao smartphone, avisa quando faltam três minutos para o carro da Uber ou da Lyft chegar.

A coreana Samsung também desenvolveu uma roupa inteligente para ajudar os atletas holandeses de patinação nos últimos Jogos de Inverno de Pyeongchang. Ao fazer um movimento errado, o técnico podia acionar o celular que, conectado, à roupa do atleta, enviava vibrações para corrigir o movimento.

Para brigar com essas gigantes, Whitehouse se apoia nos investimentos que recebeu. De acordo com o Crunchbase, a Wearable X ainda está em estágio de seed money, mas a executiva revela que participou de uma série A bem sucedida. “Não posso divulgar o investidor porque ele é bastante discreto, mas é uma marca de roupas muito conhecida”, diz.

Dona de cinco patentes mundiais, a Wearable X provavelmente atrairia ainda mais capital de investimento, mas Whitehouse prefere não trilhar esse caminho, por enquanto. “Eu entendi que uma coisa é levantar dinheiro para o negócio e a outra é gerir o negócio. E, sinceramente, acho um pouco frustrante essa primeira parte.

Em 2016, apenas 6% de todo investimento feito por fundos de venture capital foram para empresas fundadas por mulheres e, em 2019, essa porcentagem caiu para 2%”, explica, relembrando que esteve entre as poucas a conseguir um aporte três anos atrás.

Billie Whitehouse, a visionária fundadora da Wearable-X

Além dessa questão sexista, Whitehouse ainda coloca na conta o tempo dedicado a isso. “Demora um ano para captar reservas, e eu penso que posso aplicar esses 12 meses em novos produtos”, afirma. 

Para balizar o seu sucesso, a australiana leva em consideração a alta porcentagem de clientes recorrentes – “muitos voltam para comprar o modelo como presente para outra pessoa, o que diz muito sobre a satisfação deles”, diz.

Sempre disposta a pensar e trabalhar com todos os modelos de negócios possíveis, seja a venda direta ao consumidor ou a venda por um intermediário varejo, Whitehouse também abraça a possibilidade de colaborar com outras empresas. “Temos falado com outras companhias de moda, mas o que percebo é que elas querem ser inovativas, só que não aceitam o processo”, diz. 

Para a australiana, os principais desafios que enfrenta no comando da Wearable X são justamente esse, o de lidar com a identidade de outras marcas, e o sutil equilíbrio que é entender o que é uma necessidade da startup e a da equipe, que nem sempre andam juntas.

No final das contas, ela pode até ser comparada a Jobs e Musk, mas escolheu um caminho bastante próprio e singular. “A tecnologia tem que ser quase invisível e imperceptível, e sua principal função tem que ser essa, de estimular o que temos de mais humano, que são as sensações.”

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