Conheça as startups brasileiras que estão inovando no mercado da cannabis

O mercado legal de cannabis deve movimentar US$ 824 milhões na América Latina em 2024. É um campo enorme, que inclui desde empresas que pesquisam o melhoramento genético da planta até fintechs

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Movimento de US$ 824 milhões na América Latina em 2024. Essa é a perspectiva para o mercado da cannabis legal, segundo o relatório “Cannabis: Pesquisa, Inovação e Tendências de Mercado”, que conta com dados da Prohibition Partners.

Ao pensar nesse setor milionário, provavelmente, a maioria dos brasileiros lembrariam de medicamentos à base de cannabis. Já o público mais atento a esse mercado pesaria na balança as mais de 25 mil aplicações industriais do cânhamo. Porém, um número menor de pessoas consideraria os serviços que fazem parte do ecossistema da cadeia produtiva dessa área.

Nada mais natural. Afinal, os produtos entram mais facilmente em nosso cotidiano, são mais tangíveis e, consequentemente, possuem maior recall. Entretanto, a evolução do mercado legal da cannabis passa, necessariamente, por uma base bem estruturada de serviços, premissa essencial para qualquer segmento de atividade econômica.

Nesse sentido, as oportunidades na área de cannabis se proliferam em progressão geométrica e os inúmeros horizontes abertos podem ser segmentados. Muitos podem ficam surpresos, mas o Brasil já tem empreendimentos bem interessantes em relação à oferta de serviços para o mercado legal da cannabis. E boa parte deles nascem como startups.

A vertente mais conhecida e regulamentada no País é o uso medicinal da cannabis. Embora ainda tenhamos muito o que avançar, há várias empresas nesse setor.

Um dos modelos brasileiros é o do Centro de Excelência Canabinoide (CEC), que reúne clínica médica, qualificação para profissionais da saúde e pesquisa científica. Trata-se de uma estruturação única no País para a área de saúde.

Ainda na área científica temos a Scirama, startup dedicada à inovação em psicodélicos, com o envolvimento dos neurologistas Stevens Rehen e Sidarta Ribeiro no empreendimento.

Na área financeira, o Brasil já possui fintech voltada ao mercado de cannabis. Trata-se da CannaPag Bank, startup com foco em soluções em pagamentos personalizados.

Existem ainda startups voltadas à cultura da cannabis e seu beneficiamento. Um bom exemplo é a Adwa, negócio concebido na Universidade Federal de Viçosa (MG) para dar suporte ao cultivo, explorando biotecnologia e desenvolvimento de tecnologias para a cadeia de produção e processamento da planta. Trata-se de um empreendimento brasileiro atuando no melhoramento genético e criando softwares proprietários.

Já a Kaneh Bosm Genes oferece soluções para o cultivo aquapônico, que também trabalha com genética, bem como no desenvolvimento de cepas. E tem também startup já trabalhando na produção de extratos para o mercado B2B, como a Damah.

O atraso brasileiro em proporcionar um ambiente de negócios mais favorável para o avanço do mercado legal da cannabis já faz com que alguns desses empreendimentos nacionais busquem o mercado exterior para poder operar.

Os serviços do ecossistema do mercado legal da cannabis evoluem em um caminho sem volta e os empreendedores brasileiros se mostram cada vez melhores e mais competitivos

Só para ficar nos exemplos de empreendimentos que eu já citei, Kaneh Bosm Genes e Damah buscaram o mercado uruguaio. Claro que isso vale também para negócios voltados à fabricação do produto final.

Nesse sentido, a The Dogons, startup nascida por aqui, com foco no desenvolvimento de produtos probióticos com infusão de canabinoides para fins terapêuticos, foi para o Canadá. Ou seja, o mercado internacional está aberto para boas ideias de iniciativas brasileiras.

Os serviços do ecossistema do mercado legal da cannabis evoluem em um caminho sem volta e os empreendedores brasileiros se mostram cada vez melhores e mais competitivos, contemplando propostas com valor agregado e, em alguns casos, desenvolvimento de tecnologias de ponta.

Esse conjunto de empresas “a serviço da cannabis” podem movimentar milhões, gerar milhares de empregos e arrecadar volume significativo em tributos para as diferentes esferas governamentais.

A internacionalização dos negócios pode e deve acontecer, mas o Brasil precisa reter seus talentos e iniciativas se quiser ser forte em um dos novos mercados mais promissores globalmente.

Marcelo De Vita Grecco é co-fundador e CMO da The Green Hub

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