Dona do Facebook alerta sobre “ventos contrários ferozes” e reduz contratações

A Meta anunciou que irá contratar entre 6 mil e 7 mil engenheiros em 2022, ante o plano inicial de 10 mil profissionais, e alertou para aquela que pode ser uma das “piores crises” na história recente

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Mark Zuckerberg, fundador e CEO da Meta

Em maio deste ano, a Meta, dona do Facebook, informou que estava suspendendo provisoriamente suas contratações e que iria reduzir o plano de ampliar sua equipe com a chegada de novos profissionais, em particular, no time de engenharia, o coração de qualquer companhia de tecnologia.

Dois meses depois, a empresa está dando números a essa retração. De acordo com áudios de uma reunião semanal das lideranças da Meta com funcionários obtidos pela agência Reuters, o grupo vai contratar entre 6 mil e 7 mil engenheiros em 2022, ante um plano inicial de 10 mil profissionais.

A notícia pouco animadora foi dada por Mark Zuckerberg, fundador e CEO da empresa. Entre outras justificativas para essa mudança de planos, ele alertou que a equipe deve se preparar para uma “profunda crise econômica”.

“Se eu tivesse que apostar, diria que essa pode ser uma das piores crises que vimos na história recente”, disse Zuckerberg, na reunião com o time da Meta. Atualmente, o grupo tem cerca de 77,8 mil funcionários, dos quais, 5,8 mil foram contratados no primeiro trimestre desse ano.

Zuckerberg também ressaltou que a empresa estava deixando certas posições não preenchidas e “subindo a temperatura” para cortar funcionários incapazes de cumprir metas mais agressivas.

“Realisticamente, provavelmente há muitas pessoas na empresa que não deveriam estar aqui”, afirmou. “Parte da minha esperança ao aumentar as expectativas e ter metas mais agressivas é o fato de achar que alguns de vocês podem decidir que esse não é o lugar para vocês e essa auto seleção está ok para mim.”

A reportagem da Reuters também cita um memorando interno, no qual a Meta ressalta que está se preparando para um segundo semestre de maior restrição, à medida que enfrenta as pressões do cenário macroeconômico e os impactos das políticas de privacidade em seus anúncios.

Nessa última frente, uma das medidas que trouxe mais prejuízo à companhia foi a atualização das regras de privacidade da Apple, adotada em 2021. A empresa passou a exigir que os aplicativos tenham permissão explícita dos usuários de iPhones e iPads para que seus dados possam ser usados em práticas como a segmentação de anúncios, no caso, a “alma do negócio” da Meta.

No memorando em questão, Chris Cox, diretor de produtos, diz que a empresa deve “priorizar de forma mais implacável” e “operar com equipes mais enxutas e com melhor execução.

“Tenho que ressaltar que estamos em tempos sérios aqui e os ventos contrários são ferozes. Precisamos executar com perfeição em um ambiente de crescimento mais lento, onde as equipes não devem esperar grandes influxos de novos engenheiros e orçamentos”, escreveu o executivo.

Além do cenário macroeconômico e dos impactos das mudanças na privacidade dos dados, os tais ventos contrários para a Meta incluem a aposta pesada, porém, incerta, cara e de longo prazo, em voltar boa parte dos seus recursos na transição para o metaverso.

Outro ponto de atenção, esse no horizonte de curto prazo para a operação, envolve o avanço de concorrentes como o TikTok, aplicativo que tem se consolidado como o preferido entre muitos usuários mais jovens.

Como reflexo desse contexto mais acirrado, no quarto trimestre de 2021, o Facebook registrou a primeira perda de usuários diários ativos da sua história. No período, essa base recuou de 1,93 bilhão de pessoas, no trimestre anterior, para 1,29 bilhão.

Essa marca negativa fez com que a Meta perdesse, na sequência da divulgação do balanço, US$ 237,2 bilhões em valor de mercado em apenas um dia.

Na manhã desta sexta-feira, as ações da empresa estavam sendo negociadas a US$ 157,96 na abertura do pregão na Nasdaq, queda de 2,04%. Em 2022, os papéis da companhia, avaliada em US$ 427 bilhões, acumulam uma queda de 53%.

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