Negócios

Dufry e Alibaba carimbam passaporte rumo aos gastos dos turistas chineses

O grupo suíço e o gigante chinês anunciaram a criação de uma joint venture para explorar o varejo de viagens na China. De um lado, a Dufry enxerga um atalho para se recuperar dos impactos da Covid-19. Já o Alibaba reforça as parcerias para ampliar sua presença no bolso dos turistas locais

 

Nos últimos anos, acompanhando o crescimento do país no mapa da economia global, os turistas chineses acumulam números que mostram seu potencial de atração tanto no mercado doméstico quanto em outras fronteiras.

Para citar alguns indicadores, o varejo de viagens chinês movimentou US$ 277 bilhões em 2018, segundo a consultoria local Daxue. Já o Morgan Stanley projetou que as compras duty free na China quadruplicariam até 2025, movimentando US$ 24 bilhões. O bolso dos turistas do país da Grande Muralha também é visto como um dos atalhos para a recuperação do setor, combalido pela crise.

De olho nesses números, a suíça Dufry, um dos principais grupos globais do mercado de varejo de viagens, anunciou nesta segunda-feira, 5 de outubro, que irá formar uma joint venture com o Alibaba. O plano é explorar e investir em oportunidades no setor, assim como avançar em sua transformação digital.

O Alibaba irá deter 51% na operação, enquanto a Dufry ficará com os 49% restantes. Em comunicado, o grupo suíço destacou o potencial da combinação das mais de 2,5 mil lojas que opera em aeroportos de 65 países com a base de cerca de 800 milhões de consumidores das plataformas do gigante chinês.

Segundo a Dufry, a associação com o Alibaba está em linha com sua estratégia de crescimento nos mercados asiáticos, especialmente entre os turistas chineses. No país desde 2008, a empresa opera lojas nos aeroportos de Xangai e Chengdu, além da presença em Hong Kong e Macau.

“Esperamos que essa colaboração impulsione o crescimento na Ásia e com clientes chineses em todo o mundo”, disse Julian Diaz, CEO do grupo Dufry. “Estamos convencidos de que a joint venture capitalizará as oportunidades de crescimento e apoiará a Dufry para se tornar a empresa líder mundial no varejo digital de viagens.”

Pelos termos do acordo, o Alibaba planeja comprar uma participação de até 9,99% na Dufry, dentro de um processo de aumento de capital da empresa suíça, que estava em curso e já contava com o compromisso da gestora Advent em investir até 415 milhões de francos suíços (US$ 450,8 milhões).

Com a entrada do Alibaba nessa operação, a Dufry planeja agora emitir até 25 milhões de ações, concluindo o processo em cerca de 700 milhões de francos suíços (US$ 760 milhões). Esse movimento será objeto de uma Assembleia Geral Extraordinária, programada para a terça-feira, 6 de outubro.

Além do atalho para acessar mais consumidores e turistas chineses, a injeção de recursos com a emissão de ações vai ao encontro do momento difícil vivido pela Dufry, assim como todos os negócios de turismo, diante dos efeitos da Covid-19.

No primeiro semestre, a companhia apurou um prejuízo líquido de 903,2 milhões de francos suíços (US$ 988,8 milhões), contra uma perda de 107,3 milhões de francos suíços, em igual período, um ano antes. Já a receita do grupo no período foi de 1,59 bilhão de francos suíços, bem abaixo dos 4,18 bilhões de francos suíços apurados entre janeiro e julho de 2019.

No primeiro semestre, a Dufry apurou um prejuízo líquido de 903,2 milhões de francos suíços (US$ 988,8 milhões)

Já no que diz respeito ao Alibaba, a empresa se limitou a afirmar ao jornal inglês Financial Times que a parceria servirá “para atender à demanda crescente dos consumidores por marcas internacionais na China.”

Apesar da ausência de informações, esse não é o primeiro acordo do Alibaba para fortalecer seu negócio de varejo de viagens e acompanhar os gastos dos turistas, não apenas os chineses.

O Ant Group, fintech dona da plataforma de pagamentos Alipay, que prepara um IPO com listagem dupla em Xangai e Hong Kong, e no qual o gigante chinês detém 33% de participação, é um dos exemplos dessa estratégia.

Em novembro de 2019, os turistas que visitam a China passaram a poder usar parte dos serviços ofertados por meio do Alipay. A plataforma também vem fechando parcerias de integração com outras carteiras digitais em países asiáticos como Coreia do Sul, Tailândia, Malásia, Filipinas e Índia, e em outros mercados, como no acordo com a francesa Wordline, de meios de pagamento.

Esses esforços também passaram por uma parceria com a Walgreens, firmada em fevereiro de 2019. Na prática, com o acordo, os turistas chineses passaram a poder comprar produtos nas lojas da rede americana de farmácias usando o aplicativo do Alipay.

Ao mesmo tempo, o Alipay investiu em novas funcionalidades no seu aplicativo para aprimorar a experiência dos turistas chineses nos aeroportos. O pacote inclui serviços como informações de voos, reservas de transportes e cupons de desconto.

Com o anúncio de hoje, as ações do Alibaba operavam com ligeira queda de 0,41% na Bolsa de Nova York, por volta das 15h (horário local). A empresa está avaliada em US$ 766 bilhões. Já na Suíça, os papéis da Dufry subiam 19,46%.

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