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Insiders

Em 2019, a Apple foi às compras. E nem todas foram óbvias

Liderada por Tim Cook, a gigante de Cupertino abriu o caixa e fechou a aquisição de oito empresas. E, ao investir em tecnologias de animação, saúde e direção autônoma, mostrou que está de olho em todas as possibilidades de mercado

 

Tim Cook, CEO da Apple

Em 13 de dezembro, a Apple confirmou a compra da startup inglesa Spectral Edge, especializada na melhoria de imagens fotográficas. Com sua mais recente aquisição, a empresa liderada por Tim Cook ampliou para oito o número de empresas incorporadas ao seu portfólio apenas em 2019.

Em maio passado, Cook disse em entrevista à rede americana CNBC que a companhia de Cupertino compra, em média, um novo negócio a cada duas ou três semanas. 

As aquisições concretizadas pela empresa da maçã no ano passado não chegam perto da média destacada pelo executivo. O que chama atenção, no entanto, é a diversidade dos ativos incorporados nesse pacote.

A temporada de compras teve início em fevereiro, com a plataforma DataTiger, que otimiza, em tempo real, experiências individuais de marketing. Fundada em 2016, a startup foi adquirida por um valor não revelado, quando ainda estava em estágio de seed money.

Mais madura, a PullString já havia captado US$ 44,8 milhões quando caiu nas graças da Apple, também em fevereiro. Em operação desde 2011, a companhia mistura tecnologia e entretenimento para permitir que máquinas conversem com personagens. As cifras da negociação também foram mantidas em segredo. 

No mês seguinte, foi a vez da Laserlike se render aos apelos de Cupertino. Na ativa desde 2015, a novata desenvolveu um algoritmo de busca que organiza os interesses do usuário por tempo, relevância e engajamento. E, até então, contabilizava duas rodadas de investimentos, que somaram US$ 24,1 milhões. 

Ainda em março, a Apple formalizou a aquisição da Stamplay, uma plataforma que consegue rodar negócios em múltiplas nuvens, dispensando codificações.  

Depois de um hiato de alguns meses, Tim Cook e companhia voltaram à ativa, discretamente, em outubro. O alvo foi a inglesa iKinema, responsável por tecnologias para animações, que podem ser aplicadas em diferentes contextos, inclusive o de realidade virtual. 

No campo de tecnologia e saúde, a Apple deu mais um passo com a aquisição da Tueo Health. Fundada em 2015, a companhia levantou US$ 1,1 milhão com seu serviço de monitoramento e gestão de asma, doença que atinge uma a cada 13 pessoas, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças. 

No período, uma das apostas mais valiosas foi a compra da Drive.ai, avaliada em US$ 200 milhões. Especializada em tecnologia para veículos autônomos, a startup pode dar uma carona rumo a novas possibilidades para a Apple.

Compro, logo uso como bem quero

É notório que a Apple raramente explica suas aquisições e estratégias. A gigante pode incorporar novos negócios e tecnologias a produtos já bem sucedidos da marca, como a Siri, comprada em 2010.

Em outra abordagem, a companhia pode permitir que a empresa adquirida se desenvolva como uma unidade de negócio independente. A Beats, comprada em 2014, por US$ 3 bilhões, talvez seja o melhor exemplo dessa segunda proposta.

De qualquer forma, esse portfólio composto por apostas diversas só evidencia o olhar 360 da companhia, que trabalha com diferentes frentes para aumentar suas fontes de receita e justificar seu valor de mercado, superior a US$ 1,2 trilhão. 

No período, uma das apostas mais valiosas foi a compra da Drive.ai, avaliada em US$ 200 milhões

Com a Spectral Edge, a mais recente investida, a empresa mostra, porém, que o iPhone ainda é prioridade. Essa startup inglesa nasceu em 2011, a partir da evolução de uma pesquisa realizada na Universidade de East Anglia. 

A empresa usa fotografia computacional para condensar dados de uma lente padrão e uma lente infravermelha. E consegue melhorar drasticamente a qualidade de cada clique. 

Sem divulgar o montante financeiro envolvido na transação, a Apple tampouco deixou claro se e como vai usar a companhia recém-adquirida, uma vez que os iPhones sequer vêm equipados com lentes infravermelhas.

Uma possibilidade é utilizar a equipe da Spectral Edge seja para desenvolver outro tipo de aprimoramento de fotos. 

Comparação de uma mesma imagem fotografada com uma câmera comum (esq.) e com tecnologia da Spectral Edge, nova aquisição da Apple

A Spectral Edge levantou US$ 5,3 milhões em sua última rodada de investimento, realizada em 2018. E, no total, arrecadou US$ 8,1 milhões – o que sugere que a negociação com a Apple não tenha sido concluída com uma cifra muito distante desse valor. 

As últimas informações documentadas mostram que o advogado da Apple, Peter Denwood, se tornou o diretor da startup, que teve seus conselheiros e diretores demitidos, de acordo com reportagem da agência Bloomberg

Ainda que muitas perguntas sigam sem respostas, a aquisição da novata inglesa parece ser estratégica em um mercado onde a qualidade da câmera fotográfica é determinante.

Uma pesquisa encomendada pela Qualcomm, em 2017, mostrou que a resolução das imagens era o item mais importante para a escolha de um smartphone pelos consumidores brasileiros. Memória e preço completavam a trinca.

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