Em 2022, a engrenagem dos VCs vai se movimentar para além das fintechs

As startups financeiras seguem em alta. Mas os principais fundos de venture capital vão movimentar suas engrenagens em outras áreas, como seguros, gaming, entretenimento, edtechs e moda

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No ano passado, foram US$ 9,4 bilhões investidos em startups, quase três vezes mais do que em 2020, segundo pesquisa do Distrito. Nasceram 10 unicórnios brasileiros na temporada, uma ninhada (existe ninhada de unicórnio?) jamais vista em um único ano.

Fintechs e startups que orbitam as fintechs (casos de empresas de infraestrutura digital) foram as preferidas dos principais fundos de venture capital (VC) – a vertical que mais recebeu investimentos na América Latina.

Mas techs voltadas para estrutura de computação em nuvem, saúde e marketplace também fizeram a turma do dinheiro espichar os olhos.

Para os próximos anos, convém olhar para gaming, entretenimento, moda e edtechs e para setores ainda fortemente regulados, mas cujos alicerces burocráticos começam a cair.

A área de seguros é um bom exemplo – entidades regulatórias já começam a se animar em repetir o movimento do Banco Central em relação ao sistema financeiro, com abertura gradual e irreversível.

“Qualquer segmento que signifique queda de barreira, com a tecnologia resolvendo vácuos do mercado e barateando custos, estará no radar dos fundos”, afirmou Carlos Pessoa, managing diretor do GP Investments, em um painel sobre a indústria de Ventures Capital no evento CEO Conference, promovido pelo BTG Pacutal.

Ao lado de Pessoa no palco virtual do banco, estavam André Maciel, fundador da Volpe Capital, João Sá e Fábio Monteíro, ambos sócios do BTG Pactual. Monteiro mediou o encontro.

Além dos segmentos eleitos, os gestores dos fundos de venture capital falaram sobre os impactos do cenário de curto prazo, com juros altos, inflação subindo, economias em queda ou em freio, sobre a curva de crescimento dos investimentos em VC nos últimos anos.

A conclusão é de que afeta, sim, o setor. Mas só um pouco, em curto prazo. Para João Sá, do BTG, o gestor vai enfrentar um pouco mais de dificuldade para captar, dada a atratividade de juros altos, “muito atraentes aqui e lá fora”.

E as companhias que precisam levantar dinheiro para garantir caixa, provavelmente terão algum ajuste de valuation. “A porta está mais estreita, mas é algo temporário. O potencial aqui é imenso”.

Ele lembra que, no Brasil, há mais capital entrando no sistema do que empreendedores sendo formados. É o dinheiro ainda buscando destino. O gestor cita como exemplos as oportunidades no e-commerce brasileiro, um segmento que deve crescer exponencialmente nos próximos cinco anos.

O que vai mudar talvez seja o olhar dos investidores – algo que já vem acontecendo no mercado norte-americano. Maciel, da Volpe, e Pessoa, da GP, falaram muito sobre a necessidade de equilibrar “unit economics com growth”.

Traduzindo o financês: os investidores vão olhar com mais atenção para indicadores estruturais, os que mostram a qualidade da companhia (capacidade de gerar caixa, valor), em vez de apostar apenas em escala.

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