Em pouco mais de dois anos, Shopee virou gigante no Brasil

Em relatório, o Goldman Sachs estima que a empresa de e-commerce de Cingapura já tenha uma fatia de 5% do comércio eletrônico no Brasil e projeta um investimento da ordem de US$ 1,5 bilhão da operação no País em 2022

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Braço de comércio eletrônico da Sea, grupo de Cingapura avaliado em US$ 70 bilhões, a Shopee desembarcou no Brasil em 2019. Desde então, a operação vem ganhando escala entre os consumidores locais e, na mesma medida, se constituindo em uma forte ameaça aos players já estabelecidos no País.

À medida que chama atenção, a empresa tem sido acusada por alguns desses rivais de vender produtos falsificados ou sem nota fiscal. Mas nem mesmo essas alegações e as perspectivas pouco animadoras para o e-commerce, diante dos impactos do cenário macroeconômico, têm sido capazes de conter o avanço da companhia.

Esse crescimento e o tamanho da ameaça representada pelo Shopee são justamente alguns dos pontos destacados em um novo relatório divulgado pelo Goldman Sachs, que traz uma perspectiva sobre a estratégia e as ambições da empresa no mercado brasileiro.

“Estimamos que a Shopee alcançou uma participação de 5% do mercado de e-commerce no Brasil em 2021, apenas dois anos após sua entrada no mercado, e com essa fatia atingindo, provavelmente, um dígito alto no fim do ano”, escrevem os analistas Irma Sgarz, Felipe Rached, Gustavo Fratini, Piyush Mubayi e Pang Vittayaamnuaykoon.

O relatório também traz uma estimativa de que a Shopee irá investir cerca de US$ 1,5 bilhão no Brasil e no mercado latino-americano em 2022. Isso mesmo diante de uma projeção da Sea de um prejuízo antes de juros, impostos, amortização e depreciação de US$ 3,5 bilhões para o ano.

Embora ressaltem que algumas questões, como o aumento da queima de caixa e uma queda de 66% em no preço de suas ações, possam levar a gestão da Sea a mostrar mais disciplina na alocação de capital, os analistas acreditam que o compromisso do grupo de tornar o Brasil um mercado central para a Shopee é “inabalável”.

Os analistas acreditam que o compromisso do grupo de tornar o Brasil um mercado central para a Shopee é “inabalável”

Para justificar essa visão, eles citam que a própria Sea destacou que captou US$ 7 bilhões em 2021 e que o plano era destinar uma boa parcela desses recursos para a sua operação de comércio eletrônico no Brasil e na América Latina, e também para o seu braço de fintech.

No início do mês, a importância do Brasil no mapa de operações da Shopee foi reforçada por Forrest Li, CEO da Sea, durante a divulgação dos resultados da companhia referentes ao quarto trimestre e ao ano consolidado de 2021.

“Estamos muito animados em ver a Shopee ganhando força rapidamente no Brasil, o sexto maior país em população do mundo e nosso novo mercado em crescimento”, afirmou o executivo.

Na ocasião, a Sea apresentou alguns números da operação brasileira. Entre outubro e dezembro, a Shopee registrou mais de 140 milhões de pedidos, um crescimento de 400% sobre igual período, um ano antes.

A receita no País cresceu 326%, para US$ 70 milhões nesse mesmo intervalo. A empresa também registrou um prejuízo antes de juros, impostos, amortização e depreciação de aproximadamente US$ 2 por pedido no País, uma melhora de 40% na comparação com o quarto trimestre de 2020.

Partindo desse último ponto, o Goldman Sachs acredita que a estratégia ideal para que a operação da Shopee atinja o equilíbrio no Brasil envolve a combinação do aumento do tíquete médio por pedido e a redução dos custos de entrega de pedidos unitários.

No caso do tíquete médio, os analistas entendem que o aumento se dará por meio de ajustes graduais na política de frete grátis dos pedidos, com a ampliação do valor mínimo para ter esse benefício, além de iniciativas como o crescimento do sortimento e de itens de marca na plataforma.

Já em relação aos custos logísticos, os analistas têm a perspectiva de que a Shopee construa sua própria malha de entregas no País, combinando modalidades e recursos como envio direto e cross-docking.

Nessa direção, o relatório destaca justamente a inauguração recente de uma unidade de cross-docking – ponto de distribuição no qual não há estocagem de produtos – da Shopee fora da cidade de São Paulo, no fim de 2021. Além da expansão da lista de parceiros logísticos no País e do lançamento, também no ano passado, do Shopee Express, seu serviço próprio de coletas e entregas de produtos.

“Até agora, o crescimento da Shopee no Brasil não aconteceu sem gargalos logísticos. Mas, embora haja uma curva de aprendizado, acreditamos que os investimentos de parceiros locais em qualidade e os acordos de níveis de serviço abordarão gradualmente esses pontos problemáticos”, concluem os analistas.

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