Engarrafamento de navios na China volta a trazer fantasma de caos logístico

Com Pequim adotando medidas duras para combater a disseminação da covid-19, a Maersk, que transporta um em cada cinco contêineres do mundo, alerta para contração do comércio internacional e a GE, para os efeitos em seus resultados

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Com a China adotando uma política muito dura de combate à covid-19, ao implementar restrições rígidas à circulação da população e bens, as preocupações com um novo apagão logístico global voltaram ao radar de economistas, empresas e investidores.

As medidas que Pequim está adotando para conter o aumento de casos de coronavírus, especialmente em Xangai, que abriga o maior porto do mundo e principal porta de saída de produtos do país, está provocando um engarrafamento de embarcações na costa.

O número de navios cargueiros esperando para embarcar e desembarcar contêineres no começo de abril aumentou em 195% em relação a fevereiro, apontam dados da consultoria Windward. Segundo ela, do total de embarcações esperando para atracar em todo o mundo, 27,7% delas aguardam perto da China.

A situação vivida pela segunda maior economia do mundo e produtora de bens vitais para a economia global – vale lembrar da importância dos chineses na parte de semicondutores e as consequências da falta do produto na produção de carros – fez com que dois grandes nomes globais alertassem para as consequências desta situação para o comércio internacional e seus próprios negócios.

Uma delas foi a dinamarquesa A.P. Moller-Maersk, uma das maiores empresas de logística do mundo. Nesta terça-feira, 26 de abril, ela projetou que o comércio global pode contrair em 2022 diante das restrições chinesas e da continuidade das fraturas nas cadeias de produção.

Ela revisou para baixo as suas projeções para demanda global por contêineres em 2022. Se antes ela esperava um aumento de 2% a 4%, agora ela estima que a demanda crescerá em até 1%, com possibilidade de recuar 1%.

Esses dados são vistos por muitos analistas como um termômetro do comércio internacional, já que a Maersk responde por praticamente um em cada cinco contêineres transportados pelo mar, cerca de 12 milhões de unidades. Para a Maersk, a situação pode começar a normalizar a partir do segundo semestre deste ano.

Quem também externou suas preocupações com China foi a americana General Electric (GE), que culpou as “restrições significativas na cadeia de fornecimento” pela queda na produção de motores para aviões comerciais e o crescimento abaixo do esperado da receita da área de produtos para a saúde.

A GE, que tenta se reerguer após anos de crise e baixos crescimento, alertou que os resultados podem ficar na parte baixa do intervalo de projeções, por conta da situação na China e dos efeitos da guerra da Rússia contra a Ucrânia. Em janeiro, o conglomerado anunciou que o lucro por ação ajustado ficaria entre US$ 2,80 e US$ 3,50 ao final do ano.

Mas enquanto a GE projeta impactos financeiros, a Maersk revisou para cima suas expectativas para os resultados, pelo fato de a bagunça logística ter resultado no reajuste dos preços do frete. A companhia estima agora obter um Ebitda de US$ 30 bilhões em 2022, acima dos US$ 24 bilhões anunciados em fevereiro, junto com o balanço de 2021.

Os resultados obtidos no primeiro trimestre mostram que o ano promete ser bom para a Maersk. Dados preliminares mostram que ela fechou o período com uma receita de US$ 19,3 bilhões e um Ebitda de US$ 9,2 bilhões, com o aumento de 71% das taxas com frete, na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, compensando o recuo de 7% dos volumes transportados.

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