Famílias Corona, da Smart Fit, e Goldfarb, da Lojas Marisa, dão uma “força” à Vobi

A Vobi, startup que fornece um software para gestão de obras, captou R$ 7 milhões em rodada liderada pela Y Combinator e que contou ainda com a participação da MAR Ventures. Com os recursos, planeja um marketplace e produtos financeiros

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Ythalo Silva (à esq.), Fábio Witt, Guilherme Guerra e Murilo Freitas, os fundadores da Vobi

Há uma onda de startups que querem transformar seus negócios em ecossistemas digitais. A mais nova candidata nesse cenário é a Vobi, startup que fornece um software para a gestão de obras. E para reformar o seu próprio negócio, a startup está captando R$ 7 milhões, em um aporte antecipado com exclusividade ao NeoFeed.

A injeção de capital é liderada pelo fundo da aceleradora americana Y Combinator, que já investiu em startups como Airbnb e Rappi. A rodada tem a participação do fundo brasileiro MAR Ventures e de investidores-anjos das famílias Corona, dona da rede de academia Smart Fit, e Goldfarb, das Lojas Marisa.

Fundada em janeiro de 2021 por Ythalo Silva, Guilherme Guerra, Fábio Witt e Murilo Freitas, a Vobi surgiu a partir de uma experiência anterior do quarteto no mercado de reforma e decoração, com uma plataforma chamada HomeHero, que conectava clientes a profissionais do setor de construção civil.

Ao longo de 2020, os empreendedores perceberam que empreiteiros, arquitetos e engenheiros sofriam das mesmas dores. Era difícil realizar orçamentos de forma rápida e gerenciar os pagamentos envolvidos.

“Os profissionais já faziam esse gerenciamento, mas utilizando cadernos físicos ou planilhas de Excel. Isso ocupa uma grande parte do tempo de trabalho”, diz Silva, cofundador e CEO da Vobi, em entrevista ao NeoFeed.

A HomeHero, por sua vez, já desenvolvia ferramentas de backoffice que realizavam este trabalho internamente. O plano, então, foi reformular a operação para que a companhia passasse a oferecer esses serviços em uma plataforma que operasse sob um modelo de software as a service (SaaS).

Sob o nome de Vobi, a startup escalou sua operação em 2021 e terminou o ano passado com pouco mais de 35 mil clientes, número que incluem aqueles que usam uma versão gratuita. As mensalidades para usar a plataforma começam em R$ 69 e vão até R$ 199.

No ano passado, a plataforma já gerenciou orçamentos de obras que somaram mais de R$ 1 bilhão no ano passado. O faturamento da startup no período foi de R$ 4 milhões.

Com dinheiro em caixa do aporte recebido, a Vobi espera crescer dez vezes num período entre 12 e 18 meses. Isso significa conquistar 350 mil usuários e gerenciar mais de R$ 10 bilhões em obras na plataforma. Para dar conta do crescimento, a proptech deve aumentar seu time de 25 pessoas para 60 até o fim do ano.

Um dos planos da Vobi para crescer consiste em voltar às origens do que a empresa fazia antes de se tornar um software de gestão. No radar para o segundo semestre está o desenvolvimento de um marketplace. Mas, desta vez, para conectar fornecedores de produtos com os profissionais de construção.

O plano é permitir que todas as compras de materiais, como cimento, pisos e pias, por exemplo, possam ser realizadas dentro da plataforma da Vobi. Há demanda para isso. “Mais de 200 fornecedores já nos abordaram sobre essa possibilidade”, diz Silva.

A companhia também está estudando firmar parcerias com empresas do setor financeiro para que a Vobi possa oferecer auxílio financeiro para que uma obra não fique parada por problemas no fluxo de caixa. Outra possibilidade é a oferta da contratação de seguros de obras.

Caso essas ideias saiam do papel, o Vobi teria mais duas fontes alternativas de receita. Com o marketplace, poderia lucrar com taxas cobradas na venda de cada produto dentro da plataforma. Já com a plataforma de serviços, lucraria com taxas transacionais.

A Vobi não está sozinha no mercado e enfrenta uma concorrente de peso por aqui: a Juntos Somos Mais, empresa que é fruto de uma joint venture entre Votorantim Cimentos, Gerdau e Tigre.

Em julho do ano passado, a Juntos Somos Mais anunciou a compra da operação brasileira da espanhola Habitissimo, marketplace de serviços que conecta consumidores com profissionais para construções e grandes obras, em um exemplo de uma operação que está almejando construir seu ecossistema.

Isso porque a Juntos também é dona das plataformas Triider, voltada para contratação de profissionais para pequenos reparos, e da Conecta Reforma, adquirida em janeiro do ano passado. Com as aquisições, a empresa já conta com uma base de mais de 1 milhão de clientes em seus serviços.

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