Não é fácil encontrar unicórnios. Especialmente no Brasil, onde as primeiras espécies desse animal mitológico que tem a forma de um cavalo começaram a surgir há pouco tempo.

Mas os gestores do Iporanga Ventures foram os primeiros a enxergar um unicórnio na Loggi, startup de logística, especializada em logística para a última milha. A gestora fez o primeiro aporte na empresa, de R$ 2,5 milhões, em 2013.

A Loggi se tornou um unicórnio, como são chamadas as empresas que valem US$ 1 bilhão, quando o Softbank liderou uma rodada de US$ 150 milhões na empresa, em junho deste ano.

Agora, o Iporanga Ventures está captando US$ 50 milhões no seu segundo fundo para investir em startups no Brasil. No primeiro, a gestora levantou aproximadamente R$ 15 milhões e investiu em nove startups.

Os destaques foram, além da Loggi, as startups de educação QueroEducação e o de marketplace para vendas Olist. No caso da Loggi, o Iporanga Ventures criou um veículo de investimento especial, que captou entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões, para acompanhar as rodadas subsequentes de aportes.

A Loggi se tornou um unicórnio depois de receber aporte do Softbank

“Investimos em empresas em estágios iniciais”, afirma Leonardo Teixeira, general partner do Iporanga Ventures. “Nesse estágio, temos que ter mais cabeça de empreendedor do que de investidor.”

Com o novo fundo, a ideia é investir em até 50 startups nos estágios pré-seed e seed, quando a ideia pode ainda estar no PowerPoint. Metade dos recursos serão reservados para as rodadas subsequentes nas startups que receberem os aportes.

O valor do cheque varia entre US$ 200 mil e US$ 1 milhão. E o prazo do investimento pode durar até 10 anos.

A tese do Iporanga Ventures segue uma lógica simples. A gestora gosta de apostar em empresas que tenham um bom time de fundadores e que atuem em um mercado considerado grande.

As apostas também só acontecem em startups que usem a tecnologia para resolver um problema. Outro ponto importante é a hora de realizar o investimento. A gestora avalia se a solução está madura para o mercado.

Enxurrada de dinheiro

O mercado brasileiro de venture capital está aquecido. Depois que o Softbank anunciou um fundo de US$ 5 bilhões para investir em startups na América Latina, o setor entrou em ebulição.

Os principais fundos do mercado local estão captando. O Kazkek está levantando US$ 500 milhões. A Monashees busca US$ 250 milhões. A Redpoint eventures está atrás de aproximadamente US$ 250 milhões. E o Canary, US$ 50 milhões.

Até mesmo Lara Lemann, filha do bilionário brasileiro Jorge Paulo Lemann, criou o seu próprio fundo, o Maya Capital, para investir em startups na América Latina. O Iporanga Ventures quer aproveitar esse momento para concluir a sua captação.

Os seus gestores têm experiência no mercado de capitais. Além de Teixeira, o investidor Guilherme Assis é sócio do Iporanga Ventures. Ele é atualmente CEO da Gorila, uma plataforma de investimentos.

Na Iporanga Ventures, Assis atua no comitê de investimentos. Ele também já trabalhou nos bancos Morgan Stanley e Goldman Sachs.

Teixeira, por sua vez, já atuou como investidor-anjo. De 2013 a 2018, ele investiu em mais de 20 empresas de tecnologia de vários setores. Ele se juntou ao Iporanga em 2018, para criar a plataforma de venture capital.

O investidor trabalhou também por 11 anos na Macquarie Group e no Barclays, negociando derivativos para clientes corporativos em São Paulo, Londres e Nova York.

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