Inter volta à carga para entrar na Nasdaq

O NeoFeed apurou que o banco da família Menin está em conversas com a CVM, B3 e SEC para encontrar um modelo de transferência para a bolsa americana “menos oneroso” para a companhia. A ideia é listar ainda nesse semestre

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Em dezembro do ano passado, quando estava prevista a listagem do Inter na Nasdaq, o banco decidiu voltar atrás. Na época, grande parte dos acionistas preferiu resgatar as ações em dinheiro e não converter para o papel na bolsa americana. Isso fez com que o limite de R$ 2 bilhões no direito de resgate (cash out) exigido pelos atuais acionistas fosse excedido.

Muito se falou que o Inter tinha desistido de se listar nos EUA, mas o NeoFeed apurou que o processo segue andando, em outro formato. E que os executivos do banco estão em conversas com B3, CVM e SEC para encontrar um outro caminho que seja menos oneroso para a companhia. “Deve sair ainda no primeiro semestre”, diz um executivo de mercado a par das tratativas.

Nos últimos tempos, a ação do Inter, hoje avaliado em R$ 23,3 bilhões na B3, passou por uma montanha-russa. Foi de R$ 85,28, em julho do ano passado, para R$ 28,23, na quinta-feira, 17 de fevereiro – uma enorme queda de 66,8%.

Fatores como notícias dando conta que a empresa se uniria à Stone, boatos de estaria preparando um provisionamento maior diante de perdas no balanço, o mercado de tecnologia caindo de um modo geral e a saída parcial do acionista Ponta Sul foram determinantes nesse processo.

Agora, o papel estaria mais estável para essa mudança. A proposta que ainda permanece na mesa é a de que todas as ações do Banco Inter serão incorporadas pela Inter Holding Financeira, que depois será incorporada pela Inter Platform, sediada em Cayman. Nesse momento, em que o Inter já absorveu a fintech americana Usend e tem, de fato, o pé nos EUA, a operação faz mais sentido.

A Usend trouxe para o Inter uma carteira de 300 mil clientes nos Estados Unidos, dos quais 150 mil são ativos e o plano é agregar novos serviços de conta global e investimentos. Um profissional que conhece o projeto relatou ao NeoFeed que a ideia dos executivos do Inter é fazer com que o app seja como um app de um Uber.

“O plano deles é fazer como que o usuário use o app em qualquer lugar do mundo para fazer compras e para transações financeiras”, diz. E prossegue fazendo a comparação com o aplicativo de mobilidade. “Com o mesmo app do Uber, você pega carro no Brasil, nos Estados Unidos e em qualquer lugar que eles operem no mundo.”

Esse modelo, aponta essa mesma fonte, pode representar 25% do valor de mercado do Inter nos próximos anos. “Quando o Inter disse que entraria no marketplace com o shopping, muita gente debochou. Hoje é um negócio que movimenta bilhões.” No ano passado, o Intershop atingiu R$ 3,5 bilhões em GMV, 201% a mais do que em 2020.

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