Banco Inter mira base de 1 milhão de clientes nos Estados Unidos em 2022

Após ingressar nos EUA, em agosto, com a compra da fintech Usend, o banco digital brasileiro traça seus próximos passos no mercado americano e segue com o plano de listagem na Nasdaq

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O Inter projeta encerrar 2021 com uma base total de 16 milhões de clientes

Depois de comprar a fintech Usend, em um acordo que marcou seu ingresso nos Estados Unidos, o Banco Inter começa a desenhar seus próximos movimentos no mercado americano. E essa primeira incursão no país vem acompanhada de números ambiciosos.

“Nosso objetivo é conseguir, ao menos, 1 milhão de clientes nos Estado Unidos em 2022”, afirmou João Vitor Menin, CEO do Inter, nesta quinta-feira, 16 de dezembro, durante o Investor Day do banco.

Menin não descartou a entrada em outros países a partir do segundo semestre. “O plano é buscar uma participação de 50% das operações internacionais na nossa receita, entre o fim de 2024 e o início de 2025.”

Para efeito de comparação, o Inter encerrou o terceiro trimestre de 2021 com uma base de mais de 14 milhões de clientes em sua operação no Brasil, um crescimento de 94% sobre igual período, um ano antes. Para o ano consolidado, o banco espera ultrapassar a marca de 16 milhões de clientes.

Anunciada em agosto deste ano, a aquisição da Usend trouxe para o Inter uma base de aproximadamente 150 mil clientes ativos. E, em especial, as licenças necessárias para que o Inter possa atuar no mercado americano, oferecendo produtos como carteira digital, cartão de crédito e pagamento de contas.

Embora não tenha revelado o cronograma de lançamentos de produtos e serviços nos Estados Unidos, Menin disse que a operação está bastante avançada em termos de integração tecnológica, o que vai facilitar a oferta gradual de novidades no mercado americano no decorrer de 2022.

“Nós acreditamos que na primeira metade de 2022 tenhamos um aplicativo muito parecido com que oferecemos hoje no Brasil”, afirmou. O executivo também foi questionado sobre o desafio de competir e ganhar escala no mercado americano.

“Eu diria que é um déjà vu”, ressaltou Menin. “Se pensarmos no Brasil, estamos competindo com grandes balanços e receitas, e chegamos a 16 milhões de clientes em cinco anos. Nos Estados Unidos, o cenário é o mesmo. E podemos replicar o que fizemos por aqui. É totalmente viável.”

Para 2022, a trajetória nos Estados Unidos passará por uma nova tentativa de listagem na Nasdaq. No início deste mês, o Inter recuou nesse plano, ao cancelar a reorganização societária para migrar suas ações para a bolsa de valores americana.

Em comunicado divulgado em 2 de dezembro, a empresa informou que, no processo, foi excedido o limite de R$ 2 bilhões no direito de resgate (cash out) exigido pelos atuais acionistas. Uma das condições para que a reorganização fosse efetivada era de que esse teto não fosse ultrapassado.

“De alguma forma, voltamos à estaca zero”, afirmou Helena Lopes Caldeira, CFO e diretora de relações com investidores do Inter. Ela acrescentou que o banco já está fazendo novas reuniões com investidores e stakeholders envolvidos nesse processo.

“Entendemos que há questões que precisam ser superadas e temos uma nova transação pronta para o início de 2022”, acrescentou. “Esse é um passo estratégico e estamos trabalhando bastante para concluí-lo assim que possível.”

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